SURTO DE SARNA HUMANA AVANÇA PELO SUL DE MINAS, ATINGE SEIS CIDADES, SOMA 429 CASOS E PROVOCA SUSPENSÃO DE AULAS EM CRECHES
O avanço da sarna humana pelo Sul de Minas Gerais colocou autoridades de saúde em alerta e já provocou a suspensão de atividades escolares em municípios da região. Em aproximadamente dois meses, seis cidades registraram, juntas, 429 casos da doença, conhecida cientificamente como escabiose. O município de Poços de Caldas foi o mais recente a confirmar a presença da infestação, com oito diagnósticos relacionados a uma unidade de educação infantil. Alfenas lidera os registros, com 331 casos, seguida por Andradas, Paraguaçu, Campos Gerais, Poços de Caldas e Lavras. Diante da concentração de ocorrências, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais classificou as situações identificadas como surtos e reforçou as orientações para conter a transmissão, principalmente em ambientes coletivos frequentados por crianças.
A preocupação começou a ganhar força no final de agosto, quando Alfenas identificou os primeiros casos e precisou adotar medidas para impedir a disseminação da doença. Com o aumento dos registros, a administração municipal suspendeu temporariamente as atividades em unidades de educação infantil e criou um comitê de enfrentamento envolvendo representantes das áreas de Saúde, Educação e Vigilância. O município chegou a contabilizar 331 ocorrências, tornando-se o principal foco entre as seis cidades mencionadas no levantamento regional. A quantidade representa aproximadamente 77% dos registros divulgados nesses municípios, embora os números sejam acumulados e não indiquem que todas as pessoas permaneçam com a doença.
A situação também atingiu Andradas, onde foram informados 47 casos. Segundo a administração municipal, o primeiro registro suspeito ocorreu em 23 de setembro, levando ao acompanhamento da evolução da doença e à adoção de medidas de controle. Pelo menos três creches tiveram suas atividades suspensas durante as ações de enfrentamento. A interrupção temporária das aulas foi uma das estratégias utilizadas para permitir a higienização dos espaços e reduzir as oportunidades de transmissão entre crianças e profissionais que mantêm contato próximo durante a rotina escolar.
Em Paraguaçu, o levantamento apontou 26 casos de sarna humana, enquanto Campos Gerais contabilizou pelo menos 14 registros, sendo dez crianças e quatro funcionários de escolas municipais. Em Lavras, foram confirmados três casos, e outros cinco, todos envolvendo crianças, permaneciam em investigação. Os números reforçam a presença da escabiose em diferentes municípios do Sul de Minas, especialmente em ambientes educacionais. Apesar disso, não há informações que permitam afirmar que todos os episódios tenham a mesma origem ou que exista uma cadeia única de transmissão ligando as seis cidades.
Poços de Caldas passou a integrar o levantamento após a confirmação de oito casos relacionados ao Centro de Educação Infantil Acalanto, localizado na região central do município. Entre os pacientes mencionados nas informações divulgadas estavam cinco crianças e dois servidores, sem especificação do perfil da oitava pessoa diagnosticada. A unidade já havia adotado medidas preventivas, incluindo a suspensão temporária de atividades no anexo do centro educacional para a realização de procedimentos especiais de higienização. O surgimento dos registros chamou a atenção porque a administração municipal havia informado anteriormente que não existiam casos confirmados da doença na cidade.
O cenário regional também levou a Secretaria de Estado de Saúde a acompanhar notificações de surtos em outras partes de Minas Gerais. Em comunicado divulgado na terça-feira (20), o órgão informou que havia recebido notificações envolvendo 11 municípios mineiros ao longo de 2026, incluindo cidades do Sul de Minas e de outras regiões do estado. Poços de Caldas ainda não aparecia naquela relação, pois seus casos foram divulgados posteriormente. A Secretaria esclareceu que a escabiose não possui notificação compulsória individual, o que significa que os registros apresentados pelas prefeituras podem seguir levantamentos e períodos diferentes. Por essa razão, os 429 casos correspondem à soma dos balanços municipais divulgados e não representam um total estadual consolidado.
A sarna humana é provocada pelo ácaro Sarcoptes scabiei, um parasita microscópico que penetra na camada superficial da pele e desencadeia uma reação inflamatória. O sintoma mais característico é a coceira intensa, que costuma piorar durante a noite. A infestação também pode provocar pequenas lesões, vermelhidão e irritação, especialmente em regiões como mãos, punhos, axilas, cintura e outras áreas do corpo. A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto e prolongado entre pessoas, situação que favorece a circulação do parasita em creches, escolas, residências, hospitais e instituições onde existe proximidade física frequente.
Especialistas esclarecem que a escabiose pode atingir pessoas de qualquer idade e não está necessariamente relacionada à falta de higiene. O contato com roupas, toalhas e roupas de cama utilizadas por pessoas infectadas também pode contribuir para a transmissão, embora o contato direto com a pele seja a principal forma de contágio. Em ambientes escolares, a convivência entre crianças, o compartilhamento de determinados objetos e as atividades que envolvem proximidade física exigem atenção das equipes de saúde. A identificação dos casos e o tratamento adequado são fundamentais para interromper a circulação do ácaro.
O tratamento pode ser realizado com medicamentos específicos, como a permetrina aplicada na pele e, em determinadas situações, a ivermectina administrada por via oral. A escolha do medicamento, a dosagem e a necessidade de tratar pessoas que tiveram contato próximo com o paciente devem ser determinadas por um profissional de saúde. A automedicação não é recomendada, especialmente no caso de crianças e gestantes. Também é necessário adotar cuidados com roupas, toalhas e lençóis utilizados pelas pessoas diagnosticadas, seguindo orientações para a higienização adequada e a prevenção de novas infestações.
A Secretaria de Estado de Saúde orienta que pessoas com coceira persistente, principalmente durante a noite, ou lesões suspeitas procurem atendimento em uma Unidade Básica de Saúde. Familiares e pessoas que mantiveram contato próximo com pacientes diagnosticados também devem receber orientação médica, mesmo quando ainda não apresentam sintomas. Nos municípios com registros em escolas e creches, as autoridades locais continuam responsáveis pelo acompanhamento epidemiológico, pela adoção de medidas de controle e pela avaliação da necessidade de intervenções temporárias nas unidades afetadas. O levantamento divulgado neste sábado (24) aponta 429 casos informados nos seis municípios, além dos cinco registros que permaneciam sob investigação em Lavras.

Imagem – Divulgação / Prefeitura de Poço de Caldas
