Domingo, Outubro 18, 2026
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CAMINHO DA FÉ PODE GANHAR 134 KM DE PASSAGEM EXCLUSIVA PARA ROMEIROS ATÉ APARECIDA


A tradicional caminhada de milhares de fiéis pela Rodovia Presidente Dutra em direção ao Santuário Nacional de Aparecida pode ganhar uma estrutura exclusiva e permanente nos próximos anos. Uma proposta em fase de estudos prevê a criação de um caminho específico para romeiros ao longo de aproximadamente 134 quilômetros da BR-116, entre a região de Guarulhos e Arujá e Aparecida, com o objetivo de ampliar a segurança de quem percorre a rodovia a pé durante as grandes peregrinações religiosas.

A iniciativa está sendo analisada no âmbito da concessão administrada pela Motiva RioSP e envolve a Agência Nacional de Transportes Terrestres. O projeto ganhou força diante do crescimento contínuo do número de peregrinos que caminham pela Dutra, principalmente durante a Novena e a Festa da Padroeira do Brasil, celebrada em 12 de outubro.

Para avaliar a viabilidade da proposta, foi autorizada a elaboração de um Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental, o EVTEA. O levantamento deverá indicar quais trechos podem receber uma estrutura segregada, qual seria o melhor traçado, quais adaptações seriam necessárias ao longo da rodovia e quais impactos ambientais e financeiros estariam envolvidos.

Apesar da dimensão da proposta, ainda não existe projeto executivo concluído. Também não há, até o momento, definição oficial de custo, fonte de financiamento, prazo para início das obras ou data de conclusão. A extensão de 134 quilômetros corresponde ao trecho atualmente analisado, mas isso não significa que toda essa distância necessariamente receberá uma pista contínua exclusiva para pedestres.

A discussão sobre o chamado Caminho dos Romeiros avançou ao longo de 2026. Em julho, a ANTT realizou uma reunião presencial no próprio Santuário Nacional de Aparecida para ouvir peregrinos, representantes de órgãos públicos, especialistas e outros interessados. A participação popular também ocorreu em uma segunda reunião realizada em Guarulhos e por meio de contribuições encaminhadas posteriormente.

A concessionária deverá consolidar os estudos depois de receber as orientações técnicas resultantes dessas manifestações. Somente após essa etapa será possível saber com maior precisão como o caminho poderá ser estruturado e quais intervenções realmente poderão ser incorporadas ao contrato de concessão.

Uma das possibilidades discutidas é a criação de uma passagem fisicamente separada do fluxo de veículos. A inclusão de ciclovia também chegou a ser mencionada durante o debate, mas ainda não existe definição de que esse elemento fará parte do projeto final.

O assunto ganhou ainda mais visibilidade durante as celebrações de Nossa Senhora Aparecida deste ano. Durante visita ao município em 12 de outubro, o vice-presidente Geraldo Alckmin comentou sobre a discussão envolvendo a criação de uma passagem mais segura para os peregrinos ao longo da Dutra. A proposta, no entanto, continua dependente dos estudos técnicos e da eventual formalização dentro do contrato da rodovia.

Os números de 2026 ajudam a explicar por que a discussão ganhou prioridade. A Operação Romaria Segura contabilizou 53,6 mil peregrinos caminhando pela Via Dutra em direção a Aparecida, crescimento de 34,2% em relação ao ano anterior e o maior volume dos últimos cinco anos.

A movimentação exige uma grande estrutura temporária todos os anos. Em 2026, mais de mil profissionais participaram das ações de apoio e segurança ao longo da rodovia. Foram instalados 29 pontos oficiais de apoio e distribuídos mais de 150 mil itens de segurança, entre coletes, lanternas e materiais refletivos para aumentar a visibilidade dos romeiros.

O balanço também mostrou aumento expressivo nos atendimentos médicos. Foram 170 ocorrências envolvendo peregrinos, contra 75 no ano anterior. Apesar do crescimento no número de atendimentos, a operação terminou pelo segundo ano consecutivo sem registro de mortes de romeiros em acidentes de trânsito dentro do período monitorado.

O volume de pessoas caminhando às margens de uma das rodovias mais movimentadas do país é justamente um dos principais argumentos favoráveis à criação de uma estrutura permanente. Hoje, grande parte dos peregrinos percorre trechos utilizando acostamentos e áreas próximas às pistas, convivendo com tráfego intenso de carros, ônibus e caminhões.

A peregrinação também provoca reflexos diretos em Aparecida. No Dia da Padroeira deste ano, o Santuário Nacional recebeu 200.295 pessoas, resultado 32% superior ao registrado no mesmo feriado do ano anterior.

Somando os dez dias de Novena e Festa, 479.782 peregrinos passaram pelo Santuário. O número reforça a dimensão nacional da peregrinação e a necessidade de planejamento permanente para receber quem chega tanto por ônibus e veículos particulares quanto a pé.

O contrato atual da Via Dutra já prevê um Sistema de Operação Especial voltado aos romeiros, com ações temporárias de organização, segurança viária, sinalização e articulação entre concessionária, Polícia Rodoviária Federal, Santuário Nacional, municípios e outros órgãos públicos.

A proposta em estudo representa um passo além desse modelo. Em vez de depender exclusivamente de operações especiais realizadas nos períodos de maior fluxo, a intenção é avaliar a possibilidade de uma infraestrutura física permanente que reduza a exposição dos peregrinos ao tráfego da rodovia.

Para que isso aconteça, entretanto, ainda será necessário vencer diferentes etapas. Além da conclusão do estudo de viabilidade, eventuais obras precisarão passar por análise técnica, ambiental, contratual e financeira. Só depois dessas definições será possível estabelecer custos e cronograma.

Caso a proposta seja considerada viável e efetivamente implantada, a caminhada até Aparecida poderá passar por uma das maiores transformações de infraestrutura de sua história recente, criando uma rota mais estruturada para milhares de pessoas que repetem todos os anos a peregrinação até a Casa da Mãe Aparecida.

Enquanto o projeto permanece em estudo, as grandes romarias continuarão sendo acompanhadas pelas operações especiais de segurança montadas na Dutra. O crescimento do número de peregrinos, porém, mantém no centro do debate a necessidade de uma solução permanente para uma tradição religiosa que movimenta dezenas de milhares de pessoas todos os anos.

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