Quinta-feira, Outubro 15, 2026
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CASO LÍVIA GANHA NOVO CAPÍTULO: POLÍCIA INVESTIGA MORTE DE CARLOS EDUARDO, PRESO PELO FEMINICÍDIO EM PINDAMONHANGABA


A morte de Carlos Eduardo Barbosa Vieira Leite, de 25 anos, preso pelo feminicídio da estudante de Direito Lívia Berthoud, de 23 anos, abriu um novo capítulo em um dos casos que mais causaram comoção em Pindamonhangaba nos últimos meses. Carlos Eduardo morreu na segunda-feira, 12 de outubro, no Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário, na capital paulista, e as circunstâncias do óbito agora serão investigadas pela Polícia Civil.

Segundo as informações divulgadas pela Secretaria da Administração Penitenciária, Carlos Eduardo estava internado desde 21 de setembro, depois de ter sido transferido da Delegacia Seccional de Taubaté para receber tratamento médico. A morte foi registrada como suspeita, e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal para exames que deverão apontar a causa exata.

Até o momento, não há informação oficial sobre o que provocou a morte. A defesa informou que pretende acompanhar a apuração e verificar se houve participação de terceiros, mas essa possibilidade ainda não foi confirmada por nenhuma autoridade. A investigação deverá se apoiar principalmente nos laudos médicos, no histórico clínico e nos registros do período de internação.

Carlos Eduardo estava preso desde agosto, após o assassinato de Lívia. A jovem foi morta a tiros em Pindamonhangaba e, segundo a investigação, tinha uma medida protetiva de urgência contra o ex-companheiro. Familiares e testemunhas relataram à polícia que ele não aceitava o fim do relacionamento e já havia feito ameaças contra a estudante.

Depois do crime, Carlos Eduardo foi encontrado ferido com um disparo na região do pescoço. A investigação apontou que ele teria tentado tirar a própria vida. Socorrido pelo Samu, permaneceu internado sob escolta policial e, posteriormente, foi transferido para o sistema penitenciário.

A prisão em flagrante acabou convertida em preventiva. Ele respondia por feminicídio e descumprimento de medida protetiva.

Um dos elementos que mais chamaram atenção durante a investigação foi encontrado no apartamento onde Carlos Eduardo foi localizado. Segundo o boletim de ocorrência, o nome de Lívia teria sido escrito com sangue no espelho do banheiro. A arma relacionada ao crime também foi localizada.

Lívia cursava o décimo semestre de Direito na Universidade de Taubaté e também fazia estágio no Ofício das Execuções Criminais de Taubaté, ligado ao Tribunal de Justiça de São Paulo. A morte da jovem provocou forte repercussão entre familiares, amigos, colegas de faculdade e profissionais do meio jurídico.

Antes da morte de Carlos Eduardo, a defesa havia pedido à Justiça a concessão de liberdade provisória. O argumento apresentado era de que o estado de saúde do réu justificaria a continuidade do tratamento junto da família. O pedido, porém, foi negado.

Com o falecimento, o processo criminal relacionado a Carlos Eduardo não chegará a julgamento em relação à responsabilização dele. A extinção da punibilidade pela morte do acusado, contudo, não encerra a necessidade de esclarecimento sobre as circunstâncias do feminicídio nem apaga o conjunto de provas já reunidas no caso.

A família de Lívia reagiu à notícia com sentimento de frustração. A irmã da estudante, Laura Berthoud, afirmou que ficou uma sensação de impunidade porque os parentes esperavam que Carlos Eduardo fosse levado a julgamento e responsabilizado judicialmente pela morte da jovem.

Agora, o foco da nova investigação é esclarecer por que Carlos Eduardo morreu dentro do sistema penitenciário. O laudo do IML deverá ser fundamental para determinar se o óbito teve relação com complicações do ferimento sofrido em agosto, com algum outro problema clínico ou com uma causa diferente.

A Secretaria da Administração Penitenciária informou que a família foi comunicada e que os procedimentos legais foram adotados. O caso foi registrado e encaminhado para investigação.

Enquanto a causa da morte permanece sem resposta oficial, o feminicídio de Lívia continua marcado por uma sequência de acontecimentos que ganhou novos desdobramentos mesmo após a prisão do autor apontado pela investigação.

A morte de Carlos Eduardo encerra a possibilidade de julgamento criminal dele, mas abre outra frente de apuração, agora voltada para as condições e circunstâncias em que morreu enquanto estava internado sob custódia do Estado.

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