“PROMETI JUSTIÇA À MINHA FILHA”: TRÊS ANOS APÓS MORTE DE ISABELLA, MOTORISTA EMBRIAGADO É CONDENADO A 8 ANOS
Três anos depois de uma tragédia que marcou uma família inteira, a Justiça condenou a oito anos de prisão em regime fechado o instalador Clébio Damião Nunes Costa, de 42 anos, pelo atropelamento que matou Isabella de Souza da Silva, de apenas 14 anos, em Atibaia. O caso aconteceu em 2023, no bairro Caetetuba, e ganhou repercussão pela combinação de embriaguez ao volante, fuga do local e pela morte da adolescente após uma semana internada em estado grave.
Clébio foi julgado pelo Tribunal do Júri na última semana e condenado por homicídio simples. A juíza Carolina Cheque de Freitas negou ao réu o direito de recorrer em liberdade, mantendo a prisão após a sentença. A defesa já informou que apresentou recurso contra a decisão.
O atropelamento aconteceu na Avenida Jerônimo de Camargo, no bairro Caetetuba. Policiais militares estavam próximos do local quando ouviram um forte impacto e, segundo os registros da ocorrência, viram Isabella ser arremessada. Logo depois, perceberam um carro preto deixando o local em alta velocidade.
Os policiais iniciaram uma perseguição e conseguiram alcançar o motorista pouco tempo depois. Na abordagem, Clébio, que tinha 39 anos na época, apresentava sinais evidentes de embriaguez. O boletim de ocorrência descreveu olhos avermelhados, voz pastosa, andar cambaleante, palavras desconexas e forte odor de álcool.
O veículo também apresentava danos na parte dianteira e no para-brisa, compatíveis com a dinâmica do atropelamento investigado naquele momento.
Isabella foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e encaminhada ao Hospital Universitário São Francisco, em Bragança Paulista. A adolescente permaneceu internada em estado grave durante aproximadamente uma semana, mas teve a morte cerebral confirmada.
Mesmo diante da dor, a família tomou a decisão de autorizar a doação dos órgãos de Isabella. O gesto permitiu que, em meio à despedida, outras pessoas pudessem receber uma nova chance de vida.
A mãe da adolescente, Jéssica Santos, acompanhou o processo durante cerca de três anos até o julgamento. Após a condenação, ela afirmou que a sentença trouxe algum alívio, principalmente por saber que o réu não deixou o fórum novamente em liberdade.
“Só de saber que ele não saiu mais uma vez pela porta da frente, eu já fico feliz e fico com o coração um pouco aliviado por conseguir fazer aquilo que eu prometi para minha filha num leito de hospital”, declarou.
A fala da mãe traduz a dimensão da espera vivida pela família desde o atropelamento. Para Jéssica, a condenação não apaga a perda nem diminui a saudade da filha, mas representa uma resposta judicial após anos acompanhando o andamento do processo.
Na fixação da pena, a Justiça considerou elementos relacionados às circunstâncias do crime. Entre eles estavam a embriaguez do motorista e o fato de ele ter deixado o local sem prestar socorro à vítima. A pena foi estabelecida em um terço acima do mínimo legal.
Outro fator considerado foi o impacto do atropelamento sobre a família. Uma tia de Isabella presenciou o momento em que a adolescente foi atingida e viu de perto a gravidade da situação.
Jéssica também aproveitou a repercussão do julgamento para fazer um alerta sobre o risco de dirigir após consumir bebida alcoólica. Para ela, quem assume o volante embriagado coloca não apenas a própria vida em risco, mas também a de pessoas que não têm qualquer relação com a decisão de beber.
“Um carro na mão de uma pessoa embriagada acaba se tornando arma, que foi o que aconteceu no caso da Isabella”, afirmou.
A defesa de Clébio, representada pelo advogado Valdir Felizardo de Oliveira, informou que já interpôs recurso contra a sentença. Em nota, sustentou que o atropelamento teria ocorrido em razão de uma sequência de circunstâncias inesperadas e classificou o episódio como uma fatalidade.
A defesa também argumentou que a ingestão de bebida alcoólica não teria sido determinante para a ocorrência do atropelamento e afirmou que o caso ainda deve ser analisado pelas instâncias superiores.
Apesar do recurso, a decisão do júri permanece válida neste momento, e Clébio não poderá recorrer em liberdade por determinação da juíza responsável pelo caso.
A condenação encerra uma etapa importante do processo criminal, mas não encerra a dor da família. Isabella tinha 14 anos quando morreu e deixou uma ausência que, segundo a mãe, continua presente todos os dias.
Depois de três anos de espera, Jéssica afirma que a promessa feita à filha no hospital foi, ao menos em parte, cumprida. A sentença não traz Isabella de volta, mas representa para a família o reconhecimento judicial da responsabilidade pelo atropelamento que tirou a vida da adolescente.


