Terça-feira, Outubro 6, 2026
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DO DISTINTIVO AO ESQUEMA DO PCC: CASAL DE INVESTIGADORES TEM APOSENTADORIA CASSADA APÓS CONDENAÇÕES


Um casal de investigadores da Polícia Civil de São Paulo teve a aposentadoria cassada após condenações criminais transitarem em julgado por crimes ligados a um esquema de lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo o tráfico de drogas do PCC na região de São José dos Campos. Marcelo Luis Silva e Rosilene Venâncio Silva perderam os benefícios em momentos diferentes de 2026, após o encerramento definitivo dos processos que determinaram também a perda dos cargos públicos.

Marcelo teve a aposentadoria cassada em maio, enquanto a perda do benefício de Rosilene foi publicada em 2 de outubro. Os dois haviam sido condenados por lavagem de dinheiro, em processo que apontou o uso de recursos oriundos do tráfico de drogas para aquisição de bens e movimentações financeiras incompatíveis com os salários recebidos como servidores da Polícia Civil.

Na ação por lavagem, o casal recebeu pena de seis anos e cinco meses de prisão, em regime inicial semiaberto, além da perda do cargo público. Marcelo, no entanto, também foi condenado em outro processo por associação para o tráfico e corrupção passiva, recebendo pena de oito anos e sete meses de prisão, em regime inicial fechado.

Segundo as investigações, Marcelo, também conhecido como “Teta” ou “Careca”, teria cobrado propina de traficantes ligados ao PCC em São José dos Campos. Em troca, o esquema envolveria tolerância policial e facilidades para a continuidade das atividades criminosas. Rosilene, conforme apontado no processo, teria permitido o uso de contas bancárias para receber e movimentar parte do dinheiro proveniente dessas práticas.

Os dados financeiros levantados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras tiveram peso importante na investigação. Marcelo tinha rendimento médio mensal de aproximadamente R$ 3,7 mil, mas, entre 2013 e 2017, movimentou mais de R$ 1,1 milhão em créditos e cerca de R$ 1,12 milhão em débitos.

Rosilene, por sua vez, recebia entre R$ 5 mil e R$ 6 mil por mês, mas movimentou aproximadamente R$ 720 mil em créditos e R$ 727 mil em débitos no mesmo período. Segundo a investigação, o casal teria deixado de declarar mais de R$ 450 mil em renda.

O patrimônio também chamou a atenção das autoridades. As apurações apontaram a compra de dois imóveis e três veículos de alto padrão, em valores considerados incompatíveis com a remuneração dos dois na Polícia Civil. Além disso, o casal adquiriu uma distribuidora de gás, que teria sido utilizada para dar aparência de origem lícita aos recursos.

A empresa também entrou no radar das autoridades financeiras. Em 2017, a distribuidora teria movimentado mais de R$ 1 milhão entre operações de crédito e débito sem a correspondente declaração fiscal. Outro detalhe apontado no processo foi a venda de botijões de gás por valores significativamente inferiores aos praticados por concorrentes, o que aumentou as suspeitas sobre a movimentação financeira do estabelecimento.

As investigações também identificaram relações entre Marcelo e pessoas apontadas como integrantes ou ligadas ao PCC na região. Entre os nomes citados aparece Augusto de Souza Alba, descrito como amigo pessoal e sócio de Marcelo na distribuidora de gás. Alba, por sua vez, foi relacionado pelas investigações a Lúcio Monteiro, apontado como uma liderança da facção na região de São José dos Campos.

O caso faz parte de uma investigação mais ampla sobre a relação entre agentes públicos e o crime organizado no Vale do Paraíba. Em um dos braços da apuração, dezenas de policiais chegaram a ser denunciados por suspeitas de envolvimento com atividades criminosas ligadas ao tráfico.

A cassação das aposentadorias representa um dos desdobramentos administrativos das condenações criminais já definitivas. Como os processos transitaram em julgado e determinaram a perda dos cargos, as medidas passaram a atingir também os benefícios funcionais dos dois investigadores.

Até a última atualização, não havia manifestação pública da defesa de Marcelo e Rosilene sobre a cassação das aposentadorias.

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