Terça-feira, Outubro 6, 2026
Plantão Policial

ADOLESCENTE ENTRA NA FRENTE DA MÃE E IMPEDE ATAQUE COM FACA EM UBATUBA; HOMEM É PRESO


Uma ocorrência de violência doméstica terminou com um homem preso em flagrante e uma mulher resgatada depois de uma sequência de agressões, ameaças e um ataque com faca em Ubatuba. O caso aconteceu no sábado, 3 de outubro, em uma residência localizada na Estrada Nagib da Silva, no bairro Marafunda, e foi registrado pela Polícia Civil como tentativa de feminicídio, lesão corporal e ameaça no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher. Segundo o boletim de ocorrência, o casal mantinha um relacionamento havia aproximadamente seis anos e a situação teria começado depois que o homem voltou para casa alterado e iniciou uma discussão motivada por ciúmes.

De acordo com o relato da vítima registrado pela Polícia Civil, as agressões começaram quando o companheiro teria utilizado um cabo de vassoura para atingir a mulher na região da mão e do rosto. Em seguida, ainda segundo a ocorrência, ele teria desferido vários socos contra a face da vítima, principalmente na região dos olhos. A violência só teria sido interrompida naquele primeiro momento com a intervenção do filho adolescente da mulher, de 17 anos, que entrou em defesa da mãe. A vítima recebeu atendimento médico e apresentava inchaço na região dos olhos, enquanto um laudo anexado ao registro apontou a existência de equimose, elemento considerado pela polícia entre os indícios da agressão.

O episódio teria se agravado pouco depois. Segundo o relato apresentado pela mulher, o homem pegou uma faca e avançou em sua direção. A vítima afirmou aos policiais que acreditava que ele pretendia matá-la. Mais uma vez, o filho adolescente interveio e entrou em luta corporal com o suspeito, conseguindo retirar a faca de sua mão e impedir que o ataque prosseguisse. A Polícia Civil considerou, naquele momento, que os elementos reunidos indicavam o início da execução de um crime contra a vida, interrompido pela ação de uma terceira pessoa, razão pela qual o caso também foi registrado como tentativa de feminicídio.

Ainda conforme o boletim, mesmo depois de ser impedido de usar a faca, o homem teria continuado agressivo e ameaçador. Ele também teria se apoderado de um facão e feito novas ameaças de morte. Uma das falas atribuídas ao suspeito chamou a atenção da autoridade policial porque, segundo a vítima, ele teria afirmado que uma eventual prisão não impediria que cumprisse a ameaça futuramente, dizendo que “a cadeia não é perpétua”. Essa declaração foi considerada relevante pela Polícia Civil na avaliação do risco apresentado à mulher.

A Polícia Militar foi acionada pelo Copom após um pedido de socorro e, ao chegar ao imóvel, encontrou o suspeito extremamente alterado e com as pernas amarradas, depois de ter sido contido pelo adolescente. O registro policial também aponta que, durante a sequência de agressividade, o homem teria perseguido a companheira, o enteado e o próprio pai portando diferentes armas brancas, entre elas faca, facão e machado. A intervenção do adolescente aparece como um dos principais elementos da ocorrência, já que, segundo o boletim, ele teria impedido que a agressão com a faca fosse concluída.

A vítima informou ainda que os episódios de violência não seriam recentes nem isolados. Segundo ela, as agressões já ocorriam havia algum tempo durante o relacionamento, embora não houvesse registros policiais anteriores apresentados naquele momento. A mulher manifestou interesse em obter medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha, e a Polícia Civil passou a considerar o histórico relatado como mais um elemento importante para avaliar o risco de novas agressões.

Durante o interrogatório, o suspeito negou ter agredido a companheira. Ele, porém, admitiu que chegou a empunhar uma faca e afirmou que teria feito isso para se defender do enteado. Segundo o boletim, o homem também reconheceu que “acabou se excedendo”. A faca mencionada pela vítima e admitida pelo próprio suspeito não foi localizada durante o atendimento inicial, e a Polícia Civil determinou a realização de diligências para tentar encontrar e apreender o objeto.

O filho adolescente da vítima também não foi formalmente ouvido naquele momento. A Polícia Civil informou que a oitiva não ocorreu em razão da menoridade e porque ele também apresentava lesões. O depoimento poderá ser realizado posteriormente, caso seja considerado necessário para o avanço das investigações. Esse relato deverá ser importante para confrontar as versões apresentadas e ajudar a esclarecer a dinâmica exata dos fatos.

Diante do conjunto de elementos reunidos, a autoridade policial determinou a prisão em flagrante do suspeito pelos crimes, em tese, de tentativa de feminicídio, lesão corporal em contexto de violência doméstica e ameaça. A Polícia Civil também representou pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, sustentando que a sequência descrita indicaria uma escalada da violência, desde agressões com objeto contundente e socos até o uso de faca, facão e novas ameaças de morte.

No pedido, também foram considerados a proximidade entre vítima e suspeito, o histórico de violência relatado, a intervenção do adolescente para impedir o ataque e a ameaça atribuída ao homem de que uma eventual prisão não impediria futuras agressões. Para a autoridade policial, esses elementos poderiam demonstrar risco concreto à integridade física e à vida da mulher e indicar que medidas cautelares alternativas à prisão seriam insuficientes.

Até a última atualização, não havia informação pública sobre uma decisão judicial posterior a respeito do pedido de prisão preventiva. Também não havia confirmação de que a faca tivesse sido localizada. O caso permanece sob investigação na Delegacia de Polícia de Ubatuba, que deverá aprofundar as diligências, colher novos depoimentos e analisar os demais elementos reunidos.

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