Quarta-feira, Outubro 7, 2026
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UMA VIDA ENTRE OS ANIMAIS: AOS 65, CARLINHOS COMPLETA CINCO DÉCADAS DE DEDICAÇÃO AO ZOOLÓGICO DE VOLTA REDONDA


Enquanto a cidade ainda desperta, Francisco Carlos de Oliveira já está trabalhando. Conhecido como Carlinhos, ele chega por volta das 5h ao Parque Zoológico Municipal de Volta Redonda para começar uma rotina que se repete há aproximadamente cinco décadas: preparar a alimentação, limpar os recintos e cuidar dos animais que ajudaram a marcar praticamente toda a sua vida profissional.

Aos 65 anos, Carlinhos carrega uma trajetória que se confunde com a própria história do zoológico. Ele começou a trabalhar ainda jovem e passou décadas acompanhando mudanças na estrutura, no manejo e na forma de cuidar das espécies. Mesmo depois de se aposentar da Prefeitura de Volta Redonda, decidiu continuar no local. Para ele, deixar o trabalho significaria se afastar de uma parte importante da própria vida.

A primeira parada do dia é sempre a cozinha. Antes da chegada dos visitantes, Carlinhos organiza os alimentos destinados aos animais. Os que comem frutas recebem a alimentação pela manhã, enquanto os carnívoros são alimentados mais tarde. Depois, ele segue para os recintos, onde participa da limpeza e da preparação dos espaços.

O trabalho exige atenção e disciplina. Durante a limpeza, os tratadores utilizam as divisões internas dos recintos para manter os animais separados da área onde os funcionários estão atuando. A alimentação só é colocada depois que as condições de segurança estão garantidas.

Mas a rotina de Carlinhos vai além da limpeza e da comida. Ao longo dos anos, ele também acompanhou procedimentos com os animais, ajudou equipes técnicas e esteve presente em diferentes momentos do manejo realizado por veterinários, biólogos e outros profissionais.

Entre todas as histórias acumuladas em cerca de 50 anos, uma das mais marcantes envolve um chimpanzé que viveu no zoológico. Carlinhos cuidou do animal desde a chegada e criou um vínculo tão forte que costumava visitá-lo até mesmo no horário do almoço.

O chimpanzé também deixou episódios inesquecíveis. Segundo Carlinhos, o animal observava atentamente os funcionários e testava os cadeados depois que a comida era colocada no recinto. Em uma ocasião, conseguiu escapar e precisou ser recuperado pela equipe.

Essas lembranças fazem parte de uma trajetória construída diariamente, muitas vezes longe dos olhos do público. Quando os visitantes chegam ao zoológico, boa parte do trabalho mais pesado da manhã já foi realizada.

O Zoo-VR também ocupa um papel importante na proteção da fauna regional. Além dos animais mantidos no parque, o espaço recebe espécies silvestres resgatadas após acidentes, apreensões ou situações de maus-tratos. Esses animais passam por avaliação e tratamento, e aqueles que apresentam condições podem posteriormente ser devolvidos à natureza.

O zoológico ocupa uma grande área cercada por Mata Atlântica e se tornou um dos principais espaços de lazer e educação ambiental de Volta Redonda. A estrutura recebe famílias, estudantes e visitantes de diferentes municípios da região.

Dentro desse cenário, Carlinhos tornou-se uma figura que simboliza a continuidade do trabalho realizado nos bastidores. Ao longo dos anos, acompanhou gerações de animais, mudanças nas equipes e transformações na própria cidade, sem abandonar a rotina que escolheu ainda jovem.

Mesmo aposentado, ele afirma que continua trabalhando porque gosta do que faz. A profissão, inclusive, ainda desperta curiosidade quando precisa informar sua ocupação fora do zoológico. Segundo Carlinhos, muitas pessoas ficam surpresas quando ele diz que é tratador de animais.

A surpresa de quem escuta contrasta com a naturalidade de quem faz isso há praticamente uma vida inteira. Para Carlinhos, acordar cedo, preparar alimentos e entrar nos recintos faz parte de uma rotina que nunca perdeu o significado.

Depois de aproximadamente 50 anos entre animais, recintos, alimentos e histórias, ele não demonstra arrependimento pela profissão escolhida. Pelo contrário. Aos 65 anos, continua entrando no zoológico antes do nascer completo do dia e repetindo uma frase simples que resume toda a trajetória: não trocaria sua profissão por outra.

 Foto: Cris Oliveira – Secom/PMVR

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