SANTINHOS NA MADRUGADA: FILHO DO PREFEITO DE TREMEMBÉ É LEVADO À DELEGACIA NO DIA DA ELEIÇÃO
A madrugada do primeiro turno das Eleições 2026 começou com ocorrência policial em Tremembé. Igor Neves de Lima, de 29 anos, filho do prefeito Clemente Lima Neto, e uma mulher de 26 anos foram abordados pela Polícia Militar após uma denúncia de possível distribuição irregular de propaganda eleitoral pelas ruas da cidade. A ocorrência foi registrada nas primeiras horas deste domingo, 4 de outubro, justamente no dia da votação.
Segundo o boletim de ocorrência, o caso começou depois que policiais receberam a informação de que câmeras do Centro de Operações Integradas, o COI, teriam registrado um Volkswagen Nivus circulando por vias públicas enquanto materiais de propaganda eleitoral eram dispensados pelas janelas do veículo.
A partir das informações repassadas pelo sistema de monitoramento, a Polícia Militar localizou o automóvel na Praça Geraldo Costa, na região central de Tremembé. No carro estavam Anna Júlia Lima, de 26 anos, identificada no registro como motorista, e Igor Neves de Lima, de 29, ocupando o banco dianteiro do passageiro.
Durante a abordagem pessoal, segundo o boletim, nenhum objeto ilícito foi encontrado com os dois. A situação mudou quando os policiais fizeram a vistoria dentro do veículo.
No assoalho da região do passageiro e no banco traseiro, os agentes encontraram diversos panfletos de propaganda eleitoral. O material foi apreendido e, conforme registrado na ocorrência, havia pelo menos três modelos diferentes de “santinhos” dentro do automóvel.
A presença dos impressos passou a ser analisada em conjunto com as informações repassadas pelo COI. Uma policial envolvida na ocorrência foi até o centro de monitoramento para verificar as imagens e afirmou ter observado o veículo circulando por uma via pública enquanto materiais de campanha eram lançados pelas janelas.
Esse relato, porém, ainda deverá ser formalmente analisado na investigação. Segundo o próprio registro, as imagens do COI não foram disponibilizadas naquele momento à Polícia Civil por causa de um regramento municipal. Também foi informado que o local onde teria ocorrido o lançamento dos panfletos não foi preservado pela Polícia Militar.
Os ocupantes do veículo apresentaram outra explicação. De acordo com o boletim, disseram que pretendiam deixar o carro estacionado em frente a um colégio eleitoral. O documento registra, entretanto, que eles não esclareceram naquele momento a razão da presença dos materiais de propaganda dentro do veículo.
A ocorrência foi então encaminhada para a Polícia Civil, que analisou os elementos reunidos até aquele momento. No despacho, a autoridade policial entendeu que a conduta narrada poderia se enquadrar na divulgação de propaganda de partidos ou candidatos no dia da eleição.
A legislação eleitoral proíbe, no dia da votação, determinadas formas de propaganda ativa, incluindo a distribuição de material de campanha. A apuração, no entanto, ainda deverá determinar se a conduta atribuída aos envolvidos efetivamente ocorreu da forma registrada e se haverá responsabilização.
Como a infração apurada é considerada de menor potencial ofensivo, com pena máxima de até um ano, não houve manutenção de prisão. A Polícia Civil elaborou um termo circunstanciado, e os dois foram liberados após assumirem compromisso de comparecer quando chamados pelas autoridades.
A ocorrência também deverá ser comunicada ao juízo eleitoral competente de Tremembé, que poderá receber as informações reunidas e avaliar eventuais providências dentro da esfera eleitoral.
O caso foi registrado na Delegacia Seccional de Taubaté, com circunscrição da Delegacia de Polícia de Tremembé. A comunicação ocorreu por volta da 1h30 e o registro começou às 3h19 deste domingo.
O episódio ganha repercussão principalmente pelo envolvimento do filho do atual prefeito de Tremembé, Clemente Lima Neto, que exerce o mandato municipal no período 2025 a 2028. Até a divulgação inicial da ocorrência, não havia manifestação pública do prefeito nem de Igor sobre o caso.
A apuração agora deverá se concentrar nas imagens do COI, no material apreendido, nos relatos dos policiais e nas versões apresentadas pelos dois envolvidos. Como ainda não há decisão judicial sobre responsabilidade, qualquer conclusão sobre eventual crime eleitoral dependerá dos próximos atos da investigação e da Justiça Eleitoral.

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