Sexta-feira, Outubro 2, 2026
Capa

CASO BRUNO: POLÍCIA AFASTA LEGÍTIMA DEFESA, INDICIA BOMBEIRO POR HOMICÍDIO QUALIFICADO E PEDE PRISÃO


A investigação sobre a morte do estudante de Medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, entrou em uma nova fase nesta sexta-feira, 2 de outubro. A Polícia Civil concluiu o inquérito, indiciou o bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, por homicídio qualificado e voltou a pedir a prisão preventiva dele. No relatório final, os investigadores também afastaram a tese de legítima defesa apresentada pelo militar desde os primeiros depoimentos.

O crime aconteceu na manhã de quarta-feira, 30 de setembro, na Avenida Professor Walter Thaumaturgo, conhecida como Avenida do Povo, no bairro Independência, em Taubaté. Bruno e Marcos teriam se envolvido em um desentendimento no trânsito pouco antes dos disparos que terminaram com a morte do estudante.

Ao longo da apuração, a Delegacia Seccional de Taubaté reuniu depoimentos de testemunhas, imagens de câmeras públicas e privadas e resultados de exames periciais. Esse conjunto de elementos foi utilizado para reconstruir os momentos que antecederam os tiros e comparar as diferentes versões apresentadas sobre a ocorrência.

Segundo a conclusão policial, Marcos teria deixado o próprio veículo por iniciativa própria, caminhado até o carro de Bruno e desferido golpes contra o vidro do lado do motorista até quebrá-lo. Na sequência, teriam sido efetuados os disparos que atingiram o estudante.

A dinâmica descrita no relatório foi considerada incompatível com a versão de legítima defesa apresentada inicialmente pelo bombeiro. Marcos afirmou que acreditou estar diante de uma possível tentativa de assalto e que teria percebido um objeto nas mãos de Bruno, interpretando a situação como uma ameaça.

A investigação, porém, concluiu que Bruno não portava arma de fogo. A Polícia Civil também considerou depoimentos de testemunhas que apresentaram versões diferentes da narrativa sustentada pelo bombeiro, especialmente sobre quem teria iniciado a aproximação física e a sequência dos acontecimentos junto ao veículo do estudante.

Em uma das versões colhidas durante a apuração, testemunha afirmou que Marcos saiu do carro, foi até o automóvel de Bruno, quebrou o vidro e efetuou os disparos sem que o estudante tivesse apresentado ameaça compatível com a reação armada. Esses depoimentos foram analisados juntamente com as gravações de câmeras existentes na região.

As informações divulgadas ao longo da investigação apontam que Bruno foi atingido no pescoço, tórax e braço. Há diferença entre algumas apurações anteriores sobre a quantidade exata de disparos efetuados, mas a investigação confirmou múltiplos tiros contra o estudante. Bruno ainda recebeu atendimento após ser baleado, mas não resistiu.

Marcos foi preso em flagrante após o crime, mas recebeu liberdade provisória durante audiência de custódia realizada na quinta-feira, 1º de outubro. A Justiça estabeleceu medidas cautelares, entre elas restrições determinadas ao investigado e suspensão do porte de arma.

A decisão provocou reação do Ministério Público de São Paulo, que recorreu e pediu a decretação da prisão preventiva. Agora, com o encerramento do inquérito, a própria Polícia Civil também reiterou formalmente a necessidade da prisão, argumentando no relatório final que a medida seria necessária para garantia da ordem pública.

Com a conclusão da investigação policial, o inquérito será encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. Caberá agora ao Ministério Público analisar os elementos reunidos e decidir sobre as providências judiciais seguintes, incluindo eventual oferecimento de denúncia.

O indiciamento não representa condenação. Marcos continuará respondendo ao caso dentro do processo judicial, com direito à defesa e ao contraditório. A defesa do bombeiro vem sustentando a tese de legítima defesa e deverá continuar apresentando seus argumentos com base nos elementos do processo.

Enquanto a discussão jurídica avança, a família de Bruno segue pedindo justiça. Nesta sexta-feira, a mãe do estudante falou publicamente pela primeira vez sobre a morte do filho e afirmou confiar que o caso será esclarecido pelas autoridades.

A conclusão do inquérito representa um dos principais avanços da investigação desde o crime. Com a tese de legítima defesa afastada pela Polícia Civil e o indiciamento por homicídio qualificado, o caso passa agora para uma nova etapa, que dependerá da atuação do Ministério Público e das decisões do Poder Judiciário.

 Foto: Foto 1: Reprodução/TV Vanguarda. Foto 2: Reprodução/Unama Santarém

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

erro: Content is protected !!