FERIDAS, DESIDRATAÇÃO E LARVAS: CASEIRO É PRESO APÓS FISCALIZAÇÃO EM SÍTIO
Um caseiro foi preso em flagrante nesta quarta-feira (30) durante uma ação policial realizada em um sítio no bairro Mascate, em Nazaré Paulista, após a constatação de uma situação investigada como maus-tratos contra animais. Mais de 40 animais foram encontrados na propriedade, entre 33 cães, três bovinos e aves. Cinco cachorros apresentavam condições consideradas mais graves e precisaram ser retirados do local para receber atendimento veterinário. Entre eles estava uma cadela com feridas abertas que, segundo o atendimento realizado, apresentava mais de 350 larvas de mosca-varejeira e também larvas de berne.
A ocorrência começou por outro motivo. Policiais cumpriam um mandado de busca e apreensão relacionado a uma investigação por suspeita de porte ilegal de arma de fogo. Nenhuma arma foi localizada durante as buscas, mas, ao vistoriarem a propriedade, os agentes perceberam as condições em que parte dos animais era mantida. Diante da situação, uma médica veterinária foi chamada para realizar uma avaliação técnica e verificar se havia elementos compatíveis com maus-tratos.
Segundo as informações reunidas durante a investigação, alguns dos cães estavam mantidos em baias com condições precárias de higiene, com acúmulo de fezes e urina e forte odor no ambiente. Também foi apontada falta de acesso adequado a água e alimentação em alguns espaços. A avaliação veterinária identificou animais com sinais de desidratação, debilidade física e ferimentos que exigiam cuidados imediatos, o que levou ao resgate de cinco cães.
A situação mais grave teria sido encontrada em uma cadela com feridas abertas infestadas por larvas. Conforme os dados divulgados sobre o atendimento, foram contabilizadas 352 larvas de mosca-varejeira e outras oito de berne durante o procedimento veterinário. Infestações desse tipo, conhecidas popularmente como bicheira, podem se agravar rapidamente quando não há tratamento, aumentando o sofrimento do animal e o risco de complicações.
Os cinco cães retirados da propriedade foram encaminhados ao consultório veterinário municipal, onde receberam atendimento clínico, medicação, hidratação e alimentação. Os demais animais permaneceram sob avaliação para que fosse possível verificar as condições individuais e definir se haveria necessidade de novas medidas. Até a última atualização, não havia informação de morte de animais no local.
De acordo com a investigação, o caseiro foi apontado naquele momento como a pessoa responsável pela guarda e manutenção dos animais na propriedade. Após a avaliação veterinária e os procedimentos realizados no sítio, ele foi conduzido à delegacia, onde a prisão em flagrante por suspeita de maus-tratos foi decretada. A responsabilização definitiva, porém, dependerá da análise dos laudos, dos depoimentos e do avanço das investigações.
Os proprietários do imóvel também foram chamados para prestar esclarecimentos. A Polícia Civil deverá apurar quem tinha responsabilidade efetiva pelos animais, quem determinava a rotina de alimentação e cuidados, se os donos tinham conhecimento das condições encontradas e há quanto tempo a situação vinha ocorrendo. Até o momento, não foi divulgada conclusão que atribua responsabilidade criminal aos proprietários da propriedade.
Outro ponto que poderá ser esclarecido ao longo da investigação é se os animais recebiam acompanhamento veterinário anterior e se havia tratamento em andamento para ferimentos ou doenças. No caso da cadela encontrada com centenas de larvas, os investigadores poderão buscar estabelecer há quanto tempo a lesão existia e se houve alguma tentativa de atendimento antes da ação policial.
Os laudos veterinários deverão ter papel central na continuidade do caso. Eles poderão detalhar o estado de saúde dos animais resgatados, o grau de desidratação, a extensão dos ferimentos e as condições de higiene observadas nas baias. Fotografias, registros produzidos durante a vistoria e demais elementos recolhidos na propriedade também poderão integrar o procedimento policial.
A ocorrência ganhou repercussão principalmente pela quantidade de animais encontrados e pelas condições dos cinco cães que precisaram de atendimento imediato. O fato de a situação ter sido descoberta durante uma busca relacionada a outra investigação também chamou atenção, já que o mandado inicialmente tinha como objetivo apurar a possível existência de arma de fogo.
A arma procurada não foi encontrada. A partir da constatação das condições dos animais, entretanto, a prioridade da ação passou a ser documentar a situação, solicitar avaliação veterinária, retirar os cães considerados mais debilitados e apresentar o responsável apontado naquele momento à autoridade policial.
A legislação brasileira trata os maus-tratos contra animais como crime ambiental. Nos casos envolvendo cães e gatos, a lei prevê punições mais severas do que aquelas aplicáveis a outras espécies. O enquadramento concreto do episódio de Nazaré Paulista será definido pelas autoridades responsáveis pela investigação e, posteriormente, pela Justiça.
A investigação deverá ainda definir a destinação dos animais após o atendimento inicial e avaliar se existem condições para que alguns permaneçam na propriedade ou se será necessário determinar outra forma de guarda. Não havia, até a última atualização, informação sobre adoção, transferência definitiva ou apreensão de todos os animais encontrados.
O caseiro permanece identificado como suspeito, e não como condenado. A prisão em flagrante representa uma medida adotada durante a apuração inicial e não encerra a análise sobre as responsabilidades pelo que foi encontrado no sítio.
O Jornal A Notícia mantém espaço aberto para manifestação da defesa do caseiro e dos proprietários do imóvel. Caso os envolvidos, seus advogados ou representantes desejem apresentar esclarecimentos, versões ou documentos relacionados à ocorrência, as informações poderão ser acrescentadas à reportagem.


