Quinta-feira, Outubro 1, 2026
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VELAS, LUTO E PEDIDO DE JUSTIÇA: ESTUDANTES DE MEDICINA FAZEM VIGÍLIA POR BRUNO EM TAUBATÉ


A Avenida do Povo, cenário horas antes de uma ocorrência de trânsito que terminou com a morte do estudante de Medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, se transformou em um espaço de silêncio, homenagem e cobrança por justiça na noite desta quarta-feira (30), em Taubaté. Estudantes de Medicina da Universidade de Taubaté, familiares, amigos e integrantes do grupo Mães Médicas de Taubaté se reuniram no local para uma vigília em memória do jovem. Velas foram acesas no trecho onde ocorreu o episódio, enquanto cartazes levados pelos participantes expressavam a comoção provocada pela morte de Bruno e o pedido para que as circunstâncias dos disparos sejam completamente esclarecidas pelas autoridades.

A mobilização começou por volta das 20h e foi precedida por uma missa realizada na Igreja Santa Terezinha. Depois da celebração religiosa, os participantes seguiram para a Avenida Professor Walter Thaumaturgo, conhecida como Avenida do Povo, onde permaneceram reunidos em homenagem ao estudante. A manifestação teve caráter pacífico e reuniu principalmente colegas de Bruno, que ainda enfrentavam o impacto da morte ocorrida poucas horas antes. Entre orações e momentos de silêncio, estudantes colocaram velas no local e exibiram mensagens em homenagem ao jovem, além de cartazes com pedidos de justiça.

Bruno cursava o quarto semestre de Medicina da Unitau e sua morte provocou forte repercussão dentro da comunidade acadêmica. A universidade suspendeu as atividades do curso ainda na tarde de quarta-feira e decidiu manter as aulas suspensas também nesta quinta-feira (1º), permitindo que estudantes e professores participem do velório e do sepultamento. A instituição também disponibilizou acolhimento e atendimento psicológico para alunos e docentes diante da morte repentina do estudante. VL News

A despedida de Bruno está marcada para esta quinta-feira (1º), em Jacareí. O velório será realizado das 10h às 14h no Campo das Oliveiras, no Centro da cidade, e posteriormente o corpo deverá seguir para sepultamento no Cemitério Memorial do Vale, no Parque Califórnia. A cerimônia deverá reunir familiares, amigos, colegas de faculdade e pessoas que acompanharam a repercussão do caso. Vale 360 News

A morte aconteceu na manhã de quarta-feira na própria Avenida do Povo. Bruno dirigia um Chevrolet Prisma quando se envolveu em um desentendimento no trânsito com o bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, que estava em outro veículo. A situação evoluiu para disparos de arma de fogo. Bruno foi atingido, recebeu atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e foi encaminhado ao Hospital Regional de Taubaté, mas não resistiu aos ferimentos.

Marcos foi preso em flagrante após o ocorrido e o caso passou a ser investigado pela Polícia Civil. A apuração deverá determinar toda a sequência de acontecimentos anteriores aos tiros, desde o início do desentendimento entre os motoristas até o momento em que o bombeiro desembarcou armado e se aproximou do veículo conduzido pelo estudante. Os depoimentos, os vestígios encontrados no local, a perícia nos veículos e eventuais imagens de câmeras de segurança poderão ser fundamentais para reconstruir a dinâmica.

A defesa de Marcos sustenta que o bombeiro acreditou estar diante de uma tentativa de assalto. Segundo o advogado Cláudio Rodrigues, Marcos estava acompanhado da esposa e do filho, que estaria com febre, e seguia de Caçapava para Taubaté em busca de atendimento médico. A versão apresentada pela defesa afirma que, durante o percurso, a família teria percebido uma aproximação do veículo conduzido por Bruno e interpretado um objeto nas mãos do estudante como uma possível arma.

Ainda segundo a defesa, Marcos teria acelerado tentando se afastar, mas posteriormente precisou parar em um semáforo. O bombeiro teria então desembarcado armado, se identificado e ordenado que Bruno deixasse o veículo. O advogado afirma que, durante a aproximação, o vidro do carro teria sido quebrado e Bruno teria avançado segurando um objeto posteriormente identificado como uma faca. A defesa sustenta que os tiros foram efetuados diante de uma ameaça percebida pelo bombeiro e deverá insistir na tese de legítima defesa.

A versão permanece sob análise da Polícia Civil e não representa uma conclusão sobre a dinâmica da ocorrência. A autoridade policial não reconheceu a legítima defesa no momento da prisão em flagrante, e a investigação deverá confrontar o relato do bombeiro com provas periciais, testemunhos e possíveis registros em vídeo. A localização de um objeto no veículo também deverá ser examinada dentro do conjunto das evidências para determinar se ele foi utilizado durante o confronto e de que maneira.

Enquanto a investigação avança, a morte passou a mobilizar não apenas familiares e amigos, mas também estudantes que conviviam diariamente com Bruno na universidade. A vigília realizada na Avenida do Povo evidenciou esse impacto. O local onde ocorreu o episódio ganhou velas, mensagens e cartazes e se tornou, durante a noite, um ponto de encontro para pessoas que quiseram se despedir simbolicamente do estudante.

A Unitau manifestou pesar pela morte do aluno e solidariedade à família, aos amigos, colegas e professores. A universidade também repudiou manifestações de violência e adotou a suspensão das atividades como forma de permitir que a comunidade acadêmica acompanhe as cerimônias de despedida e tenha acesso a suporte psicológico.

Bruno tinha apenas 23 anos e estava nos primeiros anos da graduação em Medicina. A interrupção repentina da trajetória acadêmica também esteve presente nas manifestações dos colegas durante a vigília. Para muitos dos participantes, o encontro representou não apenas uma homenagem, mas uma forma coletiva de enfrentar o luto provocado pela perda de um estudante com quem dividiam aulas, atividades e planos profissionais.

A manifestação desta quarta-feira terminou sem registro de ocorrências. Nesta quinta-feira, a mobilização de familiares, amigos e colegas deverá se concentrar em Jacareí, onde serão realizadas as últimas homenagens e o sepultamento.

Paralelamente às despedidas, a Polícia Civil continua responsável por esclarecer a ocorrência que terminou com a morte de Bruno. Entre os pontos que deverão ser analisados estão o início do desentendimento, o comportamento dos envolvidos durante o trajeto, as circunstâncias da abordagem, a posição de cada um no momento dos disparos e a versão apresentada pela defesa sobre uma suposta tentativa de assalto.

A sequência dos fatos ainda será definida pela investigação. Para os estudantes que se reuniram na Avenida do Povo, porém, a noite de quarta-feira ficou marcada pelas velas acesas, pelas homenagens ao colega e por uma mensagem repetida durante o ato: o pedido para que a morte de Bruno seja esclarecida e que o caso siga seu curso na Justiça.

Foto: Bruna Capasciutti/TV Vanguarda

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