ANTES DA TRAGÉDIA, MOTORISTA DO VELOSTER JÁ ERA RÉU POR EMBRIAGUEZ AO VOLANTE
O motorista do Hyundai Veloster envolvido no acidente que matou Edevaldo Alves Pedrosa, de 45 anos, e deixou outras quatro pessoas feridas, em São José dos Campos, já respondia na Justiça por embriaguez ao volante. O caso anterior aconteceu em julho de 2026 e também envolveu o mesmo veículo.
A colisão fatal ocorreu por volta das 9h11 deste domingo, 27 de setembro de 2026, na Avenida João Rodolfo Castelli, na altura do número 3.830, no bairro Putim. Imagens do Centro de Segurança e Inteligência (CSI) mostram o Veloster trafegando pela contramão cerca de um quilômetro antes da batida frontal.
Edevaldo morreu no local. Outras quatro pessoas ficaram feridas e foram socorridas por equipes de emergência. Os sobreviventes foram encaminhados ao Hospital Municipal da Vila Industrial.
O motorista do Veloster, identificado apenas pelas iniciais J.A.F., de 51 anos, também ficou ferido e precisou ser hospitalizado. Ele é investigado pela Polícia Civil, que busca esclarecer a dinâmica e as circunstâncias da colisão.
Edevaldo foi sepultado nesta segunda-feira (28), um dia depois do acidente. A despedida reuniu familiares e amigos, enquanto as autoridades avançam na análise das imagens registradas antes e durante a batida.
O boletim de ocorrência registrou inicialmente o caso como homicídio culposo e lesão corporal culposa na direção de veículo automotor. A classificação poderá ser alterada no decorrer da investigação, dependendo dos resultados das perícias e dos demais elementos reunidos.
Apesar do histórico do motorista, ainda não existe confirmação oficial de que ele tenha consumido bebida alcoólica antes do acidente deste domingo. Também não foi informado se o condutor realizou o teste do bafômetro ou se foram coletadas amostras para exames toxicológicos.
Um vídeo apresentado aos policiais depois da colisão teria mostrado o motorista aparentemente alterado. Segundo as informações registradas durante a apuração, as imagens indicariam possível alteração da capacidade psicomotora, principalmente por causa da fala aparentemente embargada.
A avaliação feita a partir do vídeo, no entanto, não substitui exames técnicos e não comprova, isoladamente, que o condutor estivesse embriagado. Essa circunstância ainda dependerá da investigação e de eventuais resultados periciais.
O histórico de J.A.F. passou a ganhar destaque depois da confirmação de que ele havia sido detido por guardas municipais em julho de 2026, também em São José dos Campos.
Naquela ocasião, um funcionário de um posto de combustíveis denunciou que o motorista teria ingerido bebida alcoólica, atingido um muro e deixado o estabelecimento dirigindo o mesmo Hyundai Veloster.
Após a comunicação, equipes da Guarda Civil Municipal iniciaram o acompanhamento do veículo pelas ruas da cidade. O motorista foi interceptado, conduzido à delegacia, ouvido e posteriormente liberado.
Os elementos reunidos naquele primeiro caso foram encaminhados ao Ministério Público de São Paulo. Conforme consta no processo, um exame teria apontado 2 gramas por litro de álcool etílico na urina do investigado.
Com base no resultado e nas demais informações da ocorrência, o Ministério Público apresentou denúncia contra J.A.F. pelo crime de embriaguez ao volante.
Na semana anterior ao acidente fatal no Putim, a Justiça de São Paulo aceitou a denúncia e tornou o motorista réu. O processo referente ao episódio de julho ainda está em andamento e não existe condenação definitiva.
O caso anterior será analisado separadamente da investigação sobre a colisão deste domingo. O fato de o motorista responder por embriaguez ao volante não permite concluir, por si só, que ele estivesse sob efeito de álcool no momento da nova ocorrência.
As imagens do CSI deverão ter papel importante na apuração. Além de flagrarem o Veloster trafegando pela contramão, as câmeras registraram parte do percurso realizado pelo veículo antes da batida.
A Polícia Civil deverá analisar o horário das gravações, a velocidade desenvolvida pelo automóvel, as manobras feitas ao longo do trajeto e o tempo em que o motorista permaneceu circulando no sentido contrário.
A perícia também deverá avaliar as condições dos veículos, o ponto exato do impacto, as marcas deixadas na pista e a possibilidade de alguma falha mecânica. Os depoimentos dos sobreviventes, das testemunhas e dos agentes que atenderam a ocorrência também poderão ajudar na reconstrução dos acontecimentos.
O acidente mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, da Guarda Civil Municipal, da Polícia Militar, da Polícia Civil e da perícia.
O impacto da colisão frontal deixou os veículos gravemente danificados. Edevaldo não resistiu aos ferimentos e teve a morte constatada ainda no local. Até a última atualização, não havia um boletim médico completo sobre o estado de saúde dos quatro sobreviventes.
A investigação deverá esclarecer por que o Veloster estava na contramão, se havia excesso de velocidade e se alguma outra conduta contribuiu diretamente para a colisão. Também será apurado se o motorista apresentava condições físicas e psicológicas para conduzir o automóvel.
Os laudos periciais e as imagens do monitoramento deverão ser anexados ao inquérito. Somente após a conclusão dessas análises será possível estabelecer a responsabilidade de cada envolvido e definir o enquadramento definitivo da ocorrência.
A defesa de J.A.F. não foi localizada até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para que o motorista, seus familiares ou seus representantes legais apresentem esclarecimentos e a versão da defesa sobre os fatos.


