JÚRI DE CHACINA CONTRA O MST É ADIADO ÀS VÉSPERAS DAS ELEIÇÕES; ATAQUE DEIXOU DOIS MORTOS E SEIS FERIDOS
O julgamento de quatro homens acusados de participação no ataque armado que deixou dois trabalhadores mortos e outras seis pessoas feridas no Assentamento Olga Benário, em Tremembé, foi adiado pela Justiça. O júri popular estava marcado para começar nesta segunda-feira, 28 de setembro de 2026, mas acabou retirado da pauta devido à proximidade das eleições gerais.
O julgamento seria realizado no Fórum Criminal da Barra Funda, na capital paulista, e poderia se estender por cinco dias. As sessões estavam programadas para os dias 28, 29 e 30 de setembro e 1º e 2 de outubro.
Com o adiamento, os depoimentos, os interrogatórios e os debates entre acusação e defesa não serão realizados nesta semana. Até a última atualização, a Justiça ainda não havia divulgado uma nova data para o júri.
Serão julgados Antônio Martins dos Santos Filho, conhecido como “Nero do Piseiro”, Ítalo Rodrigues da Silva, Geonatas Martins Bispo e Gilson da Silva Santos. Os quatro respondem por dois homicídios qualificados e seis tentativas de homicídio qualificadas.
O processo apura o ataque ocorrido na noite de 10 de janeiro de 2025, no Assentamento Olga Benário. Segundo as investigações, um grupo armado chegou à comunidade utilizando carros e motocicletas e abriu fogo contra os moradores.
Gleison Barbosa de Carvalho, de 28 anos, e Valdir do Nascimento, de 52, foram atingidos e morreram. Outras seis pessoas ficaram feridas e precisaram ser encaminhadas para atendimento hospitalar.
O ataque provocou medo e correria dentro do assentamento. Alguns moradores tentaram escapar e buscaram abrigo em áreas de vegetação. Uma das sobreviventes relatou ter ouvido uma ordem para que os invasores matassem todos que estavam no local.
A violência e a quantidade de pessoas atingidas fizeram com que o episódio fosse tratado como uma chacina. A ocorrência teve repercussão nacional e mobilizou autoridades estaduais e federais.
Durante a investigação, policiais recolheram depoimentos, analisaram imagens, veículos, armas e outros elementos que poderiam auxiliar na identificação dos participantes. Um dos suspeitos chegou a ser detido logo após o ataque.
Em setembro de 2025, a Justiça decidiu que quatro acusados deveriam enfrentar o Tribunal do Júri. A decisão considerou que havia provas da ocorrência dos crimes e indícios suficientes de participação para que a responsabilidade de cada réu fosse analisada pelos jurados.
No processo, Antônio Martins dos Santos Filho e Ítalo Rodrigues da Silva alegaram que teriam ido ao assentamento com a intenção de resolver o conflito de maneira pacífica. Essa versão será confrontada com as provas e com a acusação durante o julgamento.
Em janeiro de 2026, quando o ataque completou um ano, Antônio e Ítalo estavam presos. Geonatas Martins Bispo e Gilson da Silva Santos eram apontados como foragidos. A situação processual atual de cada acusado deverá ser confirmada pela Justiça antes da realização do júri.
As famílias das vítimas aguardavam o julgamento para acompanhar a apresentação das provas e a definição sobre a responsabilidade criminal dos acusados. Agora, terão de esperar pela marcação de uma nova sessão.
O primeiro turno das eleições gerais de 2026 será realizado no domingo, 4 de outubro, poucos dias depois da data inicialmente reservada para o encerramento do júri. A proximidade com o processo eleitoral foi apresentada como motivo para o cancelamento da programação.
O adiamento não encerra o processo, não anula as acusações e não modifica a decisão que determinou que os quatro homens sejam submetidos ao Tribunal do Júri. O julgamento deverá ser remarcado para outra data.
O Ministério Público deverá sustentar a acusação pelos homicídios e pelas tentativas de homicídio, enquanto as defesas poderão contestar as provas, apresentar suas versões e pedir a absolvição ou o afastamento das qualificadoras.
Caberá ao Conselho de Sentença, formado por jurados escolhidos entre cidadãos convocados pela Justiça, decidir se os acusados participaram do ataque e se devem ser responsabilizados pelos crimes atribuídos a eles.
O caso continua sendo acompanhado por familiares, sobreviventes e integrantes do MST. O movimento afirma que as famílias do Assentamento Olga Benário já enfrentavam ameaças e pressões relacionadas às terras antes do ataque.
Essa alegação integra o contexto apresentado pelo MST, mas as circunstâncias, a motivação e a responsabilidade individual dos acusados deverão ser analisadas judicialmente com base nas provas reunidas no processo.
Mais de um ano e oito meses depois da noite em que homens armados invadiram o assentamento e dispararam contra os moradores, as famílias de Gleison Barbosa de Carvalho e Valdir do Nascimento continuam esperando pelo julgamento.
A Justiça deverá definir uma nova data para o júri popular. Até que isso aconteça, permanece suspensa a sessão que decidirá o destino dos quatro homens apontados como participantes de um dos ataques mais violentos registrados na região de Tremembé nos últimos anos.


