Sábado, Setembro 26, 2026
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JUSTIÇA POR PÉROLA: MÃE E PADRASTO SÃO PRESOS NOVE MESES APÓS MORTE DE MENINA DE 2 ANOS


Nove meses depois da morte de Pérola Inocência, de apenas 2 anos, a investigação conduzida pela Delegacia de Defesa da Mulher de Cruzeiro chegou a um dos momentos mais importantes do caso. A Justiça decretou as prisões da mãe e do padrasto da criança, cumpridas na sexta-feira, 25 de setembro de 2026, em Cruzeiro e Guaratinguetá.

A mãe de Pérola foi localizada e presa em Cruzeiro. O padrasto, Nicolas Bruno Lucas Gonçalves, foi capturado por policiais rodoviários depois que o veículo em que estava foi localizado na SP-171 e acompanhado até a Rodovia Presidente Dutra.

A prisão de Nicolas ocorreu na altura do km 162,5 da Dutra, em Guaratinguetá. A equipe responsável pela abordagem era formada pelo 1º Sargento PM Leite e pelo Cabo PM Garcia.

Segundo as informações policiais, os agentes receberam a notícia de que o investigado estaria trafegando pela SP-171. Durante o patrulhamento, os policiais encontraram um automóvel com as características repassadas e iniciaram o acompanhamento.

A abordagem foi realizada já na Rodovia Presidente Dutra. Nada de ilícito foi encontrado no interior do veículo, mas a consulta aos sistemas de segurança confirmou a existência de um mandado de prisão expedido pela Justiça.

Diante da ordem judicial, Nicolas recebeu voz de prisão e foi encaminhado ao Plantão Policial de Guaratinguetá. Ele permaneceu à disposição da Justiça.

A mãe da criança também foi presa na sexta-feira em Cruzeiro. Até a última atualização, não haviam sido divulgados detalhes sobre o local ou as circunstâncias em que o mandado contra ela foi cumprido.

Também não houve divulgação oficial sobre a modalidade das prisões decretadas, se temporárias ou preventivas, nem sobre o enquadramento criminal atribuído individualmente aos dois investigados.

As ordens judiciais representam um novo capítulo de uma investigação iniciada em dezembro de 2025, depois que Pérola foi levada para atendimento médico apresentando múltiplas lesões.

A menina, moradora do bairro Parque Primavera, em Cruzeiro, passou inicialmente por uma unidade de saúde do município. Devido à gravidade do quadro clínico, ela precisou ser transferida para o Hospital Regional de São José dos Campos.

Pérola deu entrada no hospital na noite de terça-feira, 9 de dezembro de 2025. A criança apresentava ferimentos e hematomas espalhados pelo corpo, o que levou a equipe médica a acionar a Polícia Militar.

Segundo informações registradas durante o início da investigação, a menina apresentava uma lesão grave na região posterior da cabeça, diversos hematomas e marcas descritas como compatíveis com contenção física.

A gravidade e a quantidade dos ferimentos chamaram a atenção dos profissionais responsáveis pelo atendimento. A avaliação inicial indicava que as lesões não seriam compatíveis com uma única queda acidental.

Pérola permaneceu internada em estado gravíssimo durante três dias. Na sexta-feira, 12 de dezembro de 2025, a Polícia Civil atualizou o boletim de ocorrência com a confirmação da morte encefálica.

A menina não resistiu. O corpo foi posteriormente sepultado no Cemitério Municipal de Piquete, em uma despedida marcada pela comoção de familiares e moradores da região.

Quando a criança foi hospitalizada, a versão apresentada pela mãe era de que Pérola teria sofrido uma queda enquanto estava sob os cuidados do padrasto. O casal afirmou que o acidente teria acontecido no banheiro da residência.

Antes da morte da menina, Nicolas publicou um vídeo nas redes sociais no qual negou qualquer agressão. Ele declarou que Pérola teria subido em um banco e caído no box do banheiro.

No mesmo vídeo, o padrasto afirmou que foi quem socorreu a criança. Ele também disse que mantinha uma relação próxima com Pérola e que ela o reconhecia como uma figura paterna.

Apesar da negativa, os médicos consideraram que os ferimentos observados não combinavam com a explicação de uma queda acidental. A diferença entre a versão apresentada e as condições clínicas levou ao aprofundamento da apuração.

A investigação passou a ser conduzida pela Delegacia de Defesa da Mulher de Cruzeiro. Ao longo dos meses seguintes, a unidade reuniu depoimentos, documentos médicos, laudos periciais e outros elementos relacionados aos últimos momentos da criança antes da internação.

Os investigadores buscaram esclarecer quando as lesões ocorreram, quem estava com Pérola naquele período e se a criança havia sofrido episódios anteriores de violência.

A apuração também precisou confrontar a versão apresentada pelo casal com as conclusões dos profissionais de saúde e dos peritos. O conteúdo integral dos laudos ainda não foi divulgado publicamente.

Depois de aproximadamente nove meses de diligências, os elementos reunidos pela DDM foram apresentados à Justiça. A análise desse conjunto levou à expedição dos mandados contra a mãe e o padrasto.

A decretação das prisões não representa condenação. A responsabilidade de cada investigado ainda deverá ser definida no decorrer do processo, com direito à apresentação de defesa e análise das provas pelo Poder Judiciário.

As prisões, entretanto, marcam uma mudança importante no andamento do caso. Até então, a mãe e o padrasto eram investigados em liberdade enquanto a Polícia Civil reunia elementos para esclarecer o que aconteceu com Pérola.

Com o cumprimento dos mandados, a investigação entra em uma nova fase. A Polícia Civil poderá realizar novos interrogatórios e aprofundar pontos que ainda dependam de esclarecimento.

Também caberá à Justiça decidir sobre a manutenção das prisões e os próximos procedimentos do processo. Caso haja oferecimento de denúncia pelo Ministério Público, o conteúdo deverá indicar quais acusações serão formalmente atribuídas a cada investigado.

Pérola tinha apenas 2 anos quando morreu. A menina chegou ao hospital com lesões consideradas incompatíveis com a explicação inicialmente apresentada, permaneceu internada por três dias e teve a morte encefálica confirmada em dezembro de 2025.

O caso provocou forte comoção em Cruzeiro, Piquete e em outras cidades do Vale do Paraíba. Desde então, familiares e moradores aguardavam respostas sobre as circunstâncias que levaram à morte da criança.

A prisão de Nicolas em Guaratinguetá e a captura da mãe em Cruzeiro não encerram a investigação. Os laudos, os depoimentos e as demais provas ainda serão submetidos à análise judicial.

A versão apresentada pelo padrasto em dezembro, na qual ele negava agressões e atribuía as lesões a uma queda no banheiro, também deverá ser considerada durante o processo.

Até a última atualização, não havia sido divulgada uma manifestação recente dos advogados dos investigados sobre as prisões decretadas. O espaço permanece aberto para manifestação das defesas da mãe e do padrasto.

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