Terça-feira, Setembro 22, 2026
Capa

ALTA VELOCIDADE, SINAL VERMELHO E FUGA: MOTORISTA É PRESO E DENUNCIADO PELA MORTE DE ELLEN


Mais de um mês depois da colisão que matou a bancária Ellen Ana Moreira da Silva, de 47 anos, no bairro Aterrado, em Volta Redonda, o caso teve um novo e importante desdobramento. O motorista apontado como responsável pelo acidente foi preso e denunciado pelo Ministério Público por homicídio com dolo eventual e fuga do local.

A prisão foi realizada pela Polícia Civil na segunda-feira (21), no bairro Jardim Belvedere. O nome do acusado não foi divulgado. Um segundo homem também foi denunciado por favorecimento pessoal, acusado de ter ajudado o motorista a deixar a cena antes da chegada das autoridades.

O acidente aconteceu na madrugada de 15 de agosto, no cruzamento da Avenida 7 de Setembro com a Rua Desembargador César Salamonde. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, o motorista conduzia um Volkswagen Nivus em velocidade extremamente elevada quando avançou o sinal vermelho.

O veículo atingiu violentamente o Fiat Palio dirigido por Ellen, que atravessava o cruzamento com o semáforo verde para o seu sentido. A força da batida deixou a motorista gravemente ferida e presa às ferragens.

O Corpo de Bombeiros foi acionado e realizou o resgate. Ellen foi retirada do veículo e levada em estado muito grave para o Hospital São João Batista. Apesar dos esforços das equipes de emergência e dos profissionais da unidade, ela não resistiu. A morte foi confirmada às 4h42.

Câmeras públicas e particulares instaladas na região foram fundamentais para a reconstrução da dinâmica. Conforme o MPRJ, as imagens mostram o Nivus deixando uma boate pouco antes da colisão e seguindo em alta velocidade até o cruzamento.

Os registros também indicariam que o carro entrou no cruzamento depois que o semáforo já havia mudado para vermelho. A sequência das imagens, somada aos vestígios recolhidos pela perícia, passou a integrar o conjunto de provas apresentado na denúncia.

Dentro do Nivus, os policiais encontraram garrafas de uísque, copos de vidro e perceberam forte odor de bebida alcoólica. Essas circunstâncias foram registradas pelas equipes e incluídas na investigação.

A presença das bebidas e o odor, isoladamente, não comprovam que o motorista estivesse embriagado. Até o momento, não foi divulgado resultado de teste de alcoolemia. A eventual influência do álcool deverá ser analisada pela Justiça junto aos demais elementos reunidos.

Depois da colisão, o motorista teria deixado o local. Segundo o Ministério Público, ele foi retirado da cena por outro homem, que também passou a responder criminalmente por supostamente ajudá-lo a escapar da atuação imediata das autoridades.

Para o MPRJ, a combinação entre a velocidade extremamente elevada, o avanço deliberado do sinal vermelho em um cruzamento urbano e a dinâmica registrada pelas câmeras demonstra que o condutor teria assumido o risco de provocar uma morte.

Por esse motivo, o caso não foi tratado apenas como homicídio culposo no trânsito, quando não existe intenção de matar. A denúncia atribui ao motorista homicídio com dolo eventual, situação em que o acusado, mesmo sem desejar diretamente o resultado, teria assumido o risco de produzi-lo.

Caso a denúncia seja recebida e a acusação mantida durante o processo, o motorista poderá ser submetido ao Tribunal do Júri. Caberá à Justiça analisar as provas, ouvir as partes e decidir sobre a responsabilização.

O Ministério Público também pediu a prisão preventiva do acusado. O órgão citou a gravidade concreta dos fatos e a necessidade de garantir a ordem pública, a aplicação da lei penal e a preservação da instrução criminal.

Ellen era bancária, solteira, não tinha filhos e morava no bairro Retiro, em Volta Redonda. A morte causou comoção entre familiares, amigos e pessoas que conviveram com ela.

Na época do acidente, a investigação ainda tentava confirmar quem conduzia o Nivus e esclarecer a preferência no cruzamento. Com a análise das imagens e dos demais elementos reunidos, o Ministério Público afirma ter reconstruído os momentos que antecederam a batida.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

erro: Content is protected !!