Operação Lego encontra andaimes de R$ 7,8 milhões que não foram devolvidos
Uma carga milionária de peças e componentes utilizados na montagem de andaimes foi encontrada dentro de um galpão em Jacareí apenas dois dias depois de o caso chegar à polícia. Parte dos equipamentos estava lixada e repintada em uma aparente tentativa de esconder a identificação da verdadeira proprietária.
Avaliado em mais de R$ 7,8 milhões, o material foi recuperado durante a Operação Lego, realizada nesta quinta-feira (17) por policiais civis do 3º Distrito Policial.
O galpão fica na Avenida Egídio Antônio Coimbra, no Residencial Parque dos Sinos. O endereço onde a carga foi encontrada era diferente daquele informado no contrato firmado entre as empresas envolvidas.
Segundo a Polícia Civil, as peças pertencem a uma empresa que trabalha com equipamentos utilizados na montagem de andaimes. O material havia sido entregue a outra companhia por meio de um contrato de locação.
Com o encerramento do acordo, os equipamentos deveriam ter sido devolvidos à proprietária. A devolução, porém, não aconteceu.
Diante da retenção da carga e da dificuldade para localizar as peças, o caso foi registrado na terça-feira (15). A Polícia Civil iniciou as diligências para descobrir onde os componentes estavam armazenados.
Durante o levantamento das informações, os investigadores chegaram ao galpão no Residencial Parque dos Sinos. Como o imóvel não correspondia ao endereço previsto no contrato, a polícia solicitou autorização judicial para entrar no local e recolher o material.
A Justiça expediu um mandado de busca e apreensão. Dois dias depois do registro da ocorrência, os policiais deflagraram a Operação Lego e cumpriram a ordem judicial.
Dentro do galpão, as equipes encontraram uma grande quantidade de peças e componentes usados na montagem de andaimes. O volume recuperado corresponde à carga avaliada em mais de R$ 7,8 milhões.
O nome escolhido para a operação faz referência ao brinquedo formado por blocos de encaixe. Assim como as peças de Lego, os componentes localizados são montados e combinados para formar estruturas utilizadas em obras e serviços realizados em altura.
Durante a vistoria, os investigadores perceberam que parte dos equipamentos apresentava sinais de adulteração. Algumas peças haviam sido lixadas e receberam uma nova camada de tinta.
Segundo a apuração, as modificações teriam como objetivo retirar ou esconder logotipos, marcas e outros elementos utilizados para identificar a empresa proprietária dos andaimes.
A tentativa de apagar essas identificações passou a ser um dos principais elementos da investigação. Os policiais deverão apurar quando as peças foram modificadas, quem executou o serviço e quem autorizou a adulteração.
A perícia técnico-científica foi chamada e examinou o galpão e os equipamentos recuperados. O trabalho buscou registrar as condições em que a carga foi encontrada e preservar vestígios que possam ajudar na identificação dos responsáveis.
Os peritos também analisaram as áreas lixadas e repintadas. Esses sinais poderão ser comparados com fotografias, notas fiscais, controles patrimoniais e outros registros fornecidos pela empresa dona dos equipamentos.
Depois da conclusão dos procedimentos periciais, toda a carga recuperada foi restituída à proprietária. A localização impediu que os equipamentos fossem dispersos, revendidos ou transferidos para outros endereços antes da conclusão da investigação.
Não havia ninguém dentro do galpão no momento em que os policiais cumpriram o mandado. Por esse motivo, não houve prisão em flagrante durante a Operação Lego.
A ausência de pessoas no imóvel não encerra o caso. A Polícia Civil continuará investigando quem alugou os equipamentos, quem decidiu não devolvê-los e como a carga foi levada para um endereço diferente daquele indicado no contrato.
Os investigadores também deverão identificar os responsáveis pelo galpão e verificar há quanto tempo os andaimes estavam armazenados no local.
Documentos relacionados ao contrato, registros de transporte, mensagens e eventuais imagens de câmeras de segurança poderão ajudar a reconstruir o caminho percorrido pela carga até o Residencial Parque dos Sinos.
A investigação apura a possível prática de apropriação indébita, estelionato e outros crimes que possam ser identificados durante o inquérito.
O enquadramento definitivo dependerá da análise dos documentos e da conduta atribuída a cada envolvido. A polícia deverá verificar se a contratação foi regular desde o início ou se existia uma intenção anterior de obter os equipamentos e não devolvê-los.
Também será apurado se houve tentativa de comercializar as peças depois que os logotipos foram lixados ou cobertos por tinta. Até o momento, não foi informado se algum dos equipamentos chegou a ser vendido ou transferido.
A empresa que recebeu os andaimes por meio do contrato e os responsáveis pelo imóvel ainda deverão prestar esclarecimentos. A identidade dos investigados não foi divulgada.
A recuperação em poucos dias foi possível após o cruzamento das informações apresentadas pela proprietária com as diligências realizadas pelo 3º Distrito Policial.
A carga milionária voltou para a empresa depois da perícia, mas o inquérito prossegue para esclarecer o destino planejado para os equipamentos e identificar os responsáveis pela retenção e adulteração das peças.


