Quase 80 kg de cabos queimados na garagem: operação prende casal em Caçapava
Uma sacola de grande porte com quase 80 quilos de fios e cabos metálicos, parte deles queimada, foi encontrada dentro da garagem de uma residência no Residencial Borda do Campo, em Caçapava. A apreensão terminou com um casal preso temporariamente e autuado em flagrante por receptação qualificada.
A ação foi realizada por policiais civis durante a Operação Bobina de Ariadne, deflagrada por volta das 5h40 desta quinta-feira (17) pela Delegacia Especializada de Investigações Criminais de Taubaté, a DEIC.
Os investigados foram identificados como Jefferson de Oliveira Cafalloni e Shirlei Nogueira Marciano Cafalloni. Os dois já eram alvos de mandados de prisão temporária expedidos pela Vara Criminal de Pindamonhangaba.
A operação investiga uma associação criminosa suspeita de atuar no roubo, recebimento, armazenamento e revenda de fios e cabos metálicos retirados de instalações elétricas.
Segundo a Polícia Civil, os crimes apurados teriam sido praticados por várias pessoas, com divisão de funções entre os responsáveis pelas ações e aqueles que posteriormente recebiam e comercializavam o material.
Ao todo, a Justiça expediu cinco mandados de prisão temporária e oito de busca e apreensão. As ordens foram autorizadas após representação da Polícia Civil e manifestação favorável do Ministério Público.
Um dos endereços incluídos nas diligências foi a residência ocupada pelo casal no Residencial Borda do Campo. Jefferson e Shirlei foram localizados no imóvel e informados sobre as ordens de prisão temporária.
Durante a vistoria, os investigadores encontraram uma sacola grande na garagem. Dentro dela estavam aproximadamente 78,9 quilos de fios e cabos metálicos.
Parte do material apresentava sinais de queima. Os investigadores deverão analisar os cabos para tentar identificar sua origem e verificar se correspondem a produtos levados em roubos ou furtos registrados na região.
Além dos fios, foram apreendidos dois aparelhos celulares. Um telefone Motorola foi relacionado a Jefferson, enquanto um aparelho da Apple foi associado a Shirlei.
Os policiais também encontraram uma conta de energia elétrica em nome de Jefferson vinculada a outro imóvel localizado em Caçapava. O documento foi recolhido e passará a integrar a investigação.
A Polícia Civil deverá verificar se o segundo endereço possui alguma relação com o armazenamento ou a movimentação dos materiais investigados. Novas diligências poderão ser realizadas conforme o avanço das apurações.
Questionados sobre a origem dos quase 79 quilos de cabos, Jefferson e Shirlei teriam afirmado que receberam o material de terceiros.
De acordo com o boletim de ocorrência, o casal não identificou quem teria realizado a entrega e também não apresentou notas fiscais, recibos ou qualquer documento que comprovasse a procedência lícita dos objetos.
A investigação já havia reunido indícios de que os dois seriam responsáveis pelo recebimento recorrente de materiais provenientes de crimes patrimoniais, principalmente fios e cabos metálicos, para posterior revenda.
Com base nos objetos encontrados e nos elementos reunidos durante a investigação, o casal foi autuado em flagrante pelo crime de receptação qualificada.
Além do flagrante, Jefferson e Shirlei permaneceram presos por força dos mandados de prisão temporária. As duas medidas possuem fundamentos diferentes e deverão ser analisadas pelo Poder Judiciário.
A prisão temporária foi autorizada dentro da investigação sobre a possível associação criminosa. Já o flagrante por receptação qualificada ocorreu em razão dos cabos encontrados durante o cumprimento da busca.
A autoridade policial também pediu à Justiça a conversão das prisões em flagrante em prisões preventivas. O pedido deverá ser analisado com base nos elementos apresentados pela Polícia Civil.
A receptação qualificada é aplicada quando a investigação aponta que o recebimento ou a comercialização de produtos de origem criminosa estaria relacionado a uma atividade comercial ou praticado de forma habitual.
A confirmação de que os fios e cabos apreendidos foram obtidos por meio de crimes dependerá dos trabalhos de identificação e perícia. A polícia tentará localizar possíveis empresas, concessionárias ou proprietários prejudicados.
Os investigadores poderão comparar características, tipos de cabos, revestimentos e outras marcas existentes no material com registros de roubos e furtos ocorridos em Caçapava, Pindamonhangaba e cidades próximas.
Os celulares recolhidos também poderão ser analisados mediante autorização e dentro dos procedimentos legais. A medida pode ajudar a identificar contatos, negociações e possíveis fornecedores ou compradores do material.
A Operação Bobina de Ariadne mobilizou equipes da DEIC de Taubaté e policiais civis de outras unidades da região. Os cinco mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça foram cumpridos.
A ação mais ampla também apreendeu armas, munições, dinheiro, veículos e outros materiais em diferentes endereços. Entre os alvos está um policial militar da ativa preso em Pindamonhangaba.
No caso do casal encontrado em Caçapava, a investigação busca esclarecer há quanto tempo os dois supostamente atuavam no recebimento dos cabos, quem entregava os materiais e para onde os produtos eram revendidos.
A Polícia Civil seguirá analisando os quase 79 quilos de fios, os aparelhos celulares, a conta de energia e os demais elementos recolhidos na residência. O objetivo é estabelecer a origem do material e identificar outros possíveis integrantes do esquema.
O nome “Bobina de Ariadne” faz referência à mitologia grega, na qual um fio é utilizado para atravessar um labirinto e encontrar o caminho de volta. Segundo a investigação, um elemento material encontrado no início das apurações conduziu os policiais até os suspeitos e os endereços incluídos na operação.


