Sexta-feira, Setembro 18, 2026
Cidades

Gritos em meio às chamas: vizinhos arrombam casa, salvam três crianças e mãe é presa


Os gritos de três crianças presas dentro de uma residência em chamas mobilizaram moradores e evitaram uma tragédia na manhã desta quinta-feira (17). Uma bebê de 1 ano e 2 meses foi encontrada dentro de um berço em chamas e sofreu queimaduras de segundo grau. A mãe, de 25 anos, foi presa em flagrante por abandono de incapaz.

O incêndio aconteceu em uma casa localizada na Rua Pedro Rangel, no bairro São Geraldo, em Pouso Alegre, no Sul de Minas. Também estavam no imóvel um menino de 5 anos e uma menina de 3.

As três crianças teriam sido deixadas sozinhas e com a residência trancada enquanto a mãe e a companheira dela foram a um supermercado. O fogo começou durante o período em que não havia nenhum adulto no imóvel.

Segundo a Polícia Militar, as equipes foram acionadas por volta das 10h30, depois que vizinhos perceberam a fumaça e ouviram os gritos das crianças pedindo ajuda.

Duas vizinhas correram até a residência e, com o auxílio de outros moradores, conseguiram arrombar a porta. Mesmo com a presença de fumaça e chamas, eles entraram no imóvel para procurar os irmãos.

O menino de 5 anos e a menina de 3 foram localizados e retirados da casa. As duas crianças não apresentavam ferimentos aparentes, conforme as informações registradas durante o atendimento.

Depois de retirar os irmãos mais velhos, uma das vizinhas ouviu o choro de outra criança e percebeu que a bebê ainda estava dentro da residência.

A moradora seguiu o som e encontrou um berço em chamas. A bebê de 1 ano e 2 meses estava enrolada em uma coberta que também havia sido atingida pelo fogo.

A vizinha conseguiu apagar as chamas que atingiam a coberta e retirou a criança do berço. A bebê apresentava queimaduras superficiais de segundo grau em diferentes partes do corpo.

A criança foi levada inicialmente para uma policlínica do bairro São Geraldo, onde recebeu os primeiros atendimentos. Devido às queimaduras, ela precisou ser transferida para o Pronto-Socorro do Hospital Samuel Libânio.

A bebê permaneceu internada sob cuidados médicos. Apesar dos ferimentos, o quadro informado inicialmente era estável.

Enquanto as crianças recebiam atendimento, a mãe retornou ao endereço. Questionada pelos policiais, ela contou que havia saído por aproximadamente 30 minutos para fazer compras em um supermercado.

A mulher confirmou que deixou os três filhos sozinhos e trancados dentro da residência. A companheira dela também confirmou que as duas saíram juntas para ir ao mercado.

Segundo o relato apresentado à Polícia Militar, as crianças teriam sido deixadas em um quarto com a porta fechada para impedir que chegassem até a cozinha.

Durante o período em que ficaram sem a presença de um adulto, os irmãos teriam conseguido abrir a porta do quarto e circular pela casa.

A Polícia Militar informou que as crianças tiveram acesso a um isqueiro que estava no imóvel. A suspeita inicial é de que o incêndio tenha começado depois que uma delas manuseou o objeto.

Essa versão ainda deverá ser confrontada com o resultado da perícia. Os trabalhos técnicos realizados na residência deverão indicar o ponto onde o incêndio começou, a forma como as chamas se espalharam e a extensão dos danos.

A região do berço onde a bebê foi encontrada estava entre as áreas atingidas pelo fogo. O estado da estrutura da residência e dos móveis também deverá constar no levantamento realizado pelos peritos.

Diante das circunstâncias, a mãe recebeu voz de prisão em flagrante por abandono de incapaz. Antes de ser encaminhada à delegacia, ela foi levada à UPA Central para atendimento médico.

Após ser liberada pela unidade de saúde, a mulher foi conduzida ao plantão da Polícia Civil. A corporação analisou os depoimentos, as condições em que as crianças foram encontradas e as informações reunidas no local.

A Polícia Civil confirmou a prisão em flagrante pelo crime de abandono de incapaz. Depois da conclusão dos procedimentos de polícia judiciária, a investigada foi encaminhada ao sistema prisional, onde permaneceu à disposição da Justiça.

A prisão deverá ser analisada em audiência de custódia. Caberá ao Poder Judiciário verificar a legalidade do flagrante e decidir se a mulher permanecerá presa ou poderá responder ao processo em liberdade mediante o cumprimento de medidas cautelares.

A audiência de custódia não representa o julgamento definitivo do caso. A responsabilidade criminal será analisada posteriormente, após o prosseguimento da investigação e a manifestação dos órgãos envolvidos.

As duas crianças mais velhas ficaram inicialmente sob a responsabilidade de uma testemunha até o acionamento do Conselho Tutelar.

A Prefeitura de Pouso Alegre informou que acompanha o caso por meio das conselheiras tutelares. A prioridade, segundo o município, é garantir acolhimento, proteção e cuidados aos três irmãos.

O Conselho Tutelar deverá avaliar as condições familiares e definir, junto aos demais órgãos da rede de proteção, quais medidas serão adotadas para preservar a segurança e o bem-estar das crianças.

A administração municipal informou que novos esclarecimentos poderão ser prestados depois da audiência e das avaliações realizadas pelas conselheiras, respeitando o sigilo previsto em lei e a preservação da identidade das crianças.

A atuação dos vizinhos foi decisiva para impedir que o incêndio tivesse consequências ainda mais graves. Antes mesmo da conclusão do atendimento das equipes de emergência, os moradores arrombaram a porta, entraram na residência e retiraram os irmãos.

O resgate da bebê exigiu que uma das mulheres se aproximasse do berço em chamas, apagasse o fogo que atingia a coberta e carregasse a criança para fora da casa.

A Polícia Civil continuará apurando as circunstâncias em que os três irmãos foram deixados sozinhos, o tempo exato em que permaneceram sem supervisão e como tiveram acesso ao isqueiro.

Os resultados da perícia e os depoimentos das pessoas que participaram do resgate também deverão ser incorporados ao inquérito. Enquanto a investigação prossegue, a bebê permanece sob acompanhamento médico e os irmãos são assistidos pela rede municipal de proteção.

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