Quarta-feira, Setembro 9, 2026
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“ELA AINDA NÃO SABE QUE PERDEU A PERNA”: FILHO COBRA JUSTIÇA APÓS MÃE SER ATROPELADA POR MOTORISTA SEM CNH EM SJC


O drama da mulher atropelada enquanto aguardava um ônibus em São José dos Campos ganhou novos e ainda mais graves desdobramentos. Sonia Aparecida Rodolfo, de 60 anos, perdeu a perna direita após ser atingida por um Volkswagen Gol e, segundo o filho Felipe Araújo, corre risco de também perder a outra perna. Sedada e internada, ela ainda não sabe que sofreu a primeira amputação.

O atropelamento aconteceu na manhã de terça-feira, 8 de setembro, por volta das 8h07, na região do Jardim Uirá. Sonia estava em um ponto de ônibus porque pretendia seguir até uma unidade do Centro de Referência de Assistência Social, o CRAS, onde resolveria uma questão relacionada ao cadastro do Bolsa Família. Antes que conseguisse embarcar, sua rotina foi interrompida pelo grave acidente.

Segundo o boletim de ocorrência, Lucas Fernandes Noronha, de 28 anos, conduzia um Volkswagen Gol quando teria tentado realizar uma ultrapassagem, perdido o controle da direção e avançado sobre a calçada, atingindo Sonia. A Polícia Civil confirmou ainda que o motorista não possuía Carteira Nacional de Habilitação nem Permissão para Dirigir.

O impacto foi extremamente violento. Sonia sofreu uma amputação traumática da perna direita e foi socorrida em estado grave, sendo encaminhada ao Pronto Socorro Municipal da Vila Industrial. O filho contou que a mãe passou por cirurgia e continua hospitalizada.

Mas a preocupação da família não terminou com a primeira amputação.

Felipe relatou que a outra perna da mãe também sofreu um corte profundo e intenso sangramento. Segundo ele, a equipe médica alertou que existe risco de uma segunda amputação. Até o momento, porém, não há boletim médico confirmando que esse procedimento será necessário.

A situação se torna ainda mais dolorosa porque, segundo o filho, Sonia permanece sedada sob efeito de medicamentos e ainda não sabe que perdeu a perna direita.

Felipe também relatou os momentos de desespero logo após o atropelamento. Ele encontrou a mãe caída no local do acidente. Segundo seu relato, mesmo gravemente ferida, Sonia gritava e buscava força em sua fé enquanto aguardava o atendimento das equipes de emergência.

Agora, o filho cobra justiça e respostas sobre como um veículo conduzido por uma pessoa sem habilitação terminou sobre a calçada e atingiu sua mãe enquanto ela simplesmente esperava pelo transporte coletivo.

O boletim policial acrescenta outro elemento ao caso. O Volkswagen Gol apresentava débitos de IPVA e foi apreendido pela Polícia Militar. A Polícia Civil solicitou perícia no automóvel e exames relacionados às pessoas envolvidas para auxiliar na reconstrução da dinâmica do acidente.

Uma jovem de 21 anos, identificada no registro policial como Jomaily Karoline de Abreu Camilo Nunes, também ficou ferida. Segundo a versão mais detalhada do boletim de ocorrência, ela era passageira do Gol e foi levada para atendimento médico com suspeita de lesão. O próprio motorista também sofreu ferimentos.

Esse ponto corrige parte das primeiras informações divulgadas após a ocorrência. Relatos iniciais do atendimento chegaram a apontar duas mulheres como atropeladas no ponto e atribuíram idade de 70 anos à vítima mais grave. O boletim policial posteriormente identificou Sonia nominalmente e registrou 60 anos, além de indicar que a mulher de 21 anos estava dentro do veículo.

Também há uma diferença na identificação da via em divulgações sobre o acidente. Algumas informações iniciais citam a Avenida dos Tangarás, enquanto a Prefeitura de São José dos Campos informou que a ocorrência aconteceu na Avenida Lívio Veneziani, altura do número 712, no Jardim Uirá.

A manifestação da Prefeitura trouxe ainda um novo elemento para o debate sobre a segurança do trecho. Segundo o município, a via possui sinalização indicando limite de velocidade de 50 km/h e faixa para travessia de pedestres. A administração informou que as ações de fiscalização serão intensificadas no local após o acidente.

Moradores e familiares, entretanto, afirmam que a velocidade dos veículos na região é uma preocupação antiga. Em relatos divulgados depois do atropelamento, eles disseram que motoristas passam constantemente em alta velocidade e chegaram a comparar o trecho a uma “pista de corrida”.

Apesar dessas reclamações, a investigação ainda não concluiu que o Gol trafegava acima do limite permitido no momento do acidente.

Em despacho incluído no boletim de ocorrência, a autoridade policial registrou que, até aquele momento, não havia elementos suficientes para afirmar embriaguez, uso de drogas, velocidade incompatível com a via ou manobras deliberadamente perigosas que demonstrassem que o motorista assumiu o risco do resultado.

O caso foi registrado como lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, e a ausência de habilitação do condutor será considerada durante a investigação.

A perícia no Gol poderá esclarecer a trajetória do carro, as condições do veículo e outros elementos relacionados à colisão. Depoimentos e eventuais imagens de câmeras da região também poderão ajudar a Polícia Civil a reconstruir os segundos que antecederam o atropelamento.

Enquanto a investigação avança, a principal preocupação da família está dentro do hospital.

Sonia saiu de casa para resolver uma questão no CRAS e aguardava o ônibus quando foi atingida. Horas depois, estava sedada, após uma cirurgia, sem saber que havia perdido uma perna e com a família recebendo a informação de que a outra também poderia estar ameaçada.

O Jornal A Notícia mantém espaço aberto para novas informações sobre o estado de saúde de Sonia, manifestação de seus familiares, do motorista e de sua defesa, além de posicionamentos da Prefeitura e das autoridades responsáveis pela investigação.

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