“QUEREMOS MULHERES VIVAS E LIVRES”: DOM MÁRIO FAZ ALERTA CONTRA O FEMINICÍDIO EM MISSA NO SANTUÁRIO DE APARECIDA
Uma celebração marcada pela fé, pelo compromisso social e por um forte apelo em defesa da vida reuniu trabalhadores, movimentos populares e devotos no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Na segunda-feira, 7 de setembro de 2026, a Casa da Mãe acolheu a 39ª Romaria das Trabalhadoras e o 32º Grito das Excluídas e dos Excluídos durante a Santa Missa das 12h, realizada no Altar Central da Basílica.
A celebração foi presidida por Dom Mário Antonio da Silva, arcebispo de Aparecida, e concelebrada pelos sacerdotes presentes. Logo no início da missa, o religioso saudou os fiéis reunidos no Santuário e as pessoas que acompanhavam a transmissão pela Rede Aparecida de Comunicação. A celebração aconteceu no dia em que o Brasil comemorou 204 anos de Independência e levou ao altar reflexões sobre cidadania, dignidade, desigualdade e responsabilidade coletiva.
Durante a homilia, Dom Mário relacionou o Evangelho do dia à realidade vivida por milhões de brasileiros. Ao recordar a passagem em que Jesus chama para o centro um homem que se encontrava em situação de sofrimento e exclusão, o arcebispo afirmou que a fé cristã exige sensibilidade diante de quem foi colocado à margem da sociedade.
A reflexão destacou pessoas sem moradia, trabalhadores que não conseguem viver com dignidade, famílias em situação de pobreza e cidadãos que perderam a terra ou não encontram espaço para serem ouvidos. Dom Mário também chamou a atenção para as mulheres vítimas de violência e defendeu que a vida humana esteja no centro das decisões religiosas, sociais e políticas.
Um dos momentos mais marcantes da celebração aconteceu quando o arcebispo abordou diretamente o feminicídio. Dom Mário afirmou que a palavra precisa ser pronunciada sem medo e explicou que a morte de uma mulher por violência de gênero pode ser o resultado extremo de um processo que começou muito antes da agressão física.
O religioso alertou que a violência contra a mulher nem sempre começa de maneira visível. Entre os sinais citados estão o controle excessivo, o ciúme apresentado como demonstração de amor, a vigilância do telefone celular, o afastamento de familiares e amigos, as humilhações, as ameaças, o controle do dinheiro e a desvalorização constante da mulher.
Segundo Dom Mário, comportamentos muitas vezes naturalizados dentro das relações podem evoluir para agressões físicas, violência sexual e feminicídio. Diante dos fiéis reunidos no Santuário Nacional, o arcebispo resumiu a mensagem com uma declaração direta: “Queremos mulheres vivas e livres”.
A homilia também apresentou uma crítica à falta de compaixão diante do sofrimento humano. Dom Mário afirmou que uma religião pode conhecer muitas regras e, ainda assim, perder a sensibilidade. Da mesma forma, uma política pode produzir muitos discursos sem conhecer verdadeiramente a dor enfrentada pela população.
Ao tratar do desenvolvimento do país, o arcebispo ressaltou que o progresso não pode ser considerado completo enquanto houver pessoas sem casa, trabalhadores sem condições dignas e mulheres desprotegidas diante da violência. A mensagem foi apresentada no contexto do Dia da Independência e da presença dos participantes da Romaria das Trabalhadoras e do Grito das Excluídas e dos Excluídos.
Dom Mário encerrou a reflexão convidando os fiéis a estenderem as mãos para servir e ajudar quem enfrenta sofrimento. Também pediu a intercessão de Nossa Senhora Aparecida para que o Brasil seja uma nação onde a vida seja colocada em primeiro lugar e onde a fé se manifeste por meio do cuidado com o próximo.
A 39ª Romaria das Trabalhadoras e o 32º Grito das Excluídas e dos Excluídos levaram ao Santuário Nacional uma manifestação que uniu espiritualidade e questões sociais. A celebração colocou em evidência a realidade das mulheres que enfrentam violência, das pessoas em situação de pobreza e dos trabalhadores que buscam condições mais dignas de vida.

Foto: A12.com

