Quarta-feira, Setembro 2, 2026
Plantão Policial

FILHO DE 14 ANOS TERIA SIDO USADO COMO AMEAÇA: HOMEM É PRESO POR SUSPEITA DE TORTURA CONTRA EX EM RESENDE


Uma relação de 17 anos terminou em uma sequência de ameaças, mensagens, áudios e intimidações que, segundo a Polícia Civil, culminaram na prisão em flagrante de um homem nesta terça-feira (1º), em Resende. O suspeito é investigado por tortura em contexto de violência doméstica e familiar contra a ex-companheira, que relatou ter sido ameaçada de morte e pressionada a retomar o relacionamento. O ponto mais grave da denúncia envolve o filho do casal, de 14 anos, que teria sido usado como instrumento de intimidação contra a própria mãe.

De acordo com a Polícia Civil, a mulher deixou a residência em julho deste ano após anos de relacionamento e relatou que vinha sofrendo violência psicológica. Depois da separação, o ex-companheiro teria insistido para que ela voltasse e passado a adotar um comportamento cada vez mais ameaçador diante da recusa.

A situação teria se agravado a partir de 29 de agosto. Segundo o relato apresentado à polícia, o homem passou a enviar mensagens dizendo que, caso a ex-companheira não retomasse o relacionamento até 15 de setembro, ele pegaria o filho do casal e o mataria.

Na madrugada desta terça-feira (1º), novas mensagens teriam sido enviadas. Entre elas, uma fotografia do próprio adolescente acompanhada de uma frase intimidatória. A Polícia Civil também informou que o suspeito teria encaminhado um áudio no qual ameaçava provocar deliberadamente um acidente de trânsito para matar a si próprio e o filho.

A mulher procurou a delegacia e apresentou capturas de tela, mensagens, áudios e outros registros das conversas. Segundo a corporação, o material também incluía fotografias do adolescente, conteúdos relacionados à perda de filhos e imagens de armas de fogo, que teriam sido encaminhadas com a intenção de reforçar as ameaças e a intimidação.

Os investigadores passaram então a tratar o caso como uma situação de risco envolvendo não apenas a mulher, mas também o adolescente de 14 anos. Diante dos elementos apresentados, equipes da Polícia Civil iniciaram diligências para localizar o suspeito.

O homem foi encontrado no bairro Vila Nossa Senhora de Fátima, em Resende, e levado para a delegacia. De acordo com a Polícia Civil, durante o depoimento ele admitiu ter enviado os áudios, mas afirmou que estava com raiva no momento das mensagens e que não seria capaz de fazer mal ao próprio filho.

Ainda segundo a corporação, o suspeito declarou estar arrependido. Apesar da justificativa apresentada, ele permaneceu preso em flagrante e o caso foi registrado como tortura em contexto de violência doméstica e familiar.

A investigação agora deverá analisar todo o material digital entregue pela vítima, incluindo mensagens, fotografias, áudios e registros das conversas. Esses elementos poderão ajudar a estabelecer a frequência das ameaças, o contexto em que foram feitas e a intensidade da pressão psicológica relatada pela mulher.

O caso ganhou ainda mais peso jurídico porque a legislação brasileira passou recentemente a prever de forma específica a tortura praticada contra a mulher em contexto de violência doméstica e familiar. A Lei Barbara Penna, sancionada em 2026, passou a contemplar situações em que a vítima é submetida reiteradamente a intenso sofrimento físico ou mental dentro de relações domésticas ou familiares.

A Polícia Civil também solicitou o encaminhamento do caso para análise de medidas protetivas de urgência. Esse tipo de medida pode incluir restrições de contato, proibição de aproximação e outras determinações destinadas a reduzir o risco para a vítima e seus dependentes.

Outro ponto que deverá ser apurado é se as imagens de armas enviadas pelo suspeito correspondem a armas que estariam efetivamente em sua posse. Até o momento, não foi divulgada informação confirmando a apreensão de qualquer arma durante a prisão.

A identidade e a idade do homem não foram divulgadas pela Polícia Civil. Também não foram tornados públicos detalhes adicionais sobre o histórico do relacionamento ou sobre outras eventuais ocorrências anteriores envolvendo o casal.

A investigação segue agora para esclarecer toda a extensão das ameaças, verificar se houve outros episódios de violência psicológica e avaliar a situação do adolescente mencionado nas mensagens. O material apresentado pela vítima será fundamental para definir os próximos passos do caso.

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