Terça-feira, Setembro 1, 2026
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109 KM/H DE DESTRUIÇÃO: VENTO ARRANCA TELHADOS, DERRUBA ÁRVORES E DEIXA VARGINHA EM CENÁRIO DE DEVASTAÇÃO


Foram poucos minutos suficientes para transformar a noite de segunda-feira (31) em um cenário de destruição em Varginha, no Sul de Minas. A força do temporal impressionou até pelos números: a estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia registrou rajada máxima de 109,08 km/h, velocidade capaz de derrubar árvores, arrancar coberturas, danificar estruturas e lançar objetos pelas ruas. O vendaval atingiu diferentes regiões do município e deixou um rastro de prejuízos que ainda era contabilizado nesta terça-feira (1º).

A intensidade do vento tornou-se o principal elemento para explicar a dimensão dos estragos. Árvores e galhos foram derrubados, imóveis tiveram telhados danificados, estruturas metálicas foram arrancadas e a rede elétrica sofreu impactos em vários bairros. Uma torre de telefonia chegou a ficar parcialmente desprendida de um prédio na região central, enquanto outras estruturas também foram danificadas pela ventania.

A velocidade superior a 109 km/h foi registrada durante a passagem de uma tempestade que, segundo avaliação do meteorologista Lizandro Gemiacki, do Inmet, pode ter sido provocada por uma microexplosão atmosférica, fenômeno também conhecido como microburst. A hipótese ainda é tratada como possibilidade, mas as características do evento são compatíveis com esse tipo de ocorrência.

A microexplosão acontece quando uma corrente muito intensa de ar desce rapidamente do interior de uma nuvem de tempestade, atinge o solo e se espalha horizontalmente. Diferentemente de um tornado, no qual existe movimento de rotação, esse fenômeno produz uma espécie de forte impacto descendente seguido por ventos que avançam sobre a superfície e podem ultrapassar facilmente os 100 km/h.

As condições meteorológicas observadas na região também favoreceram a formação da tempestade. O contraste entre o calor registrado antes da chegada da instabilidade e a aproximação de uma frente fria criou condições para o rápido desenvolvimento de nuvens carregadas. Quando a corrente descendente atingiu a superfície, as rajadas ganharam força suficiente para provocar danos significativos em diferentes pontos da cidade.

A rede elétrica foi uma das áreas mais atingidas. Durante a noite, o painel da Cemig chegou a indicar mais de 21 mil unidades consumidoras sem energia elétrica em Varginha. Na manhã desta terça-feira, aproximadamente 2,5 mil imóveis ainda apareciam sem fornecimento enquanto equipes trabalhavam para restabelecer o serviço.

A queda de árvores e galhos sobre fios e equipamentos dificultou o trabalho das equipes. Objetos carregados pelo vento também atingiram a rede elétrica, mostrando a força alcançada pelas rajadas durante os minutos mais severos do temporal.

O Hospital Bom Pastor precisou utilizar geradores para manter os atendimentos durante a madrugada, com o fornecimento emergencial funcionando até aproximadamente 3h. Unidades de saúde também tiveram atividades afetadas pela falta de energia, provocando alterações em atendimentos programados.

Na educação, os estragos chegaram a 12 unidades da rede municipal. Entre os locais que sofreram danos estão a Escola Municipal São José, o CEMEI Alice de Paiva, a Escola Emiliano, o CEMEI Novo Tempo e a Escola Leda Pinto Lúcio. Cerca de 100 estudantes ficaram sem aulas nesta terça-feira em algumas das unidades mais afetadas.

O Corpo de Bombeiros registrou mais de 30 atendimentos relacionados diretamente aos efeitos da tempestade. As ocorrências envolveram principalmente árvores caídas, galhos, telhados e estruturas atingidas pela força do vento. Apesar da dimensão dos danos materiais, não houve registro de pessoas feridas no balanço divulgado após o temporal.

Vias também foram bloqueadas por árvores derrubadas. Entre os locais afetados estavam a Praça das Rosas, no bairro Pinheiros, e a região do Parque do Retiro, onde a queda de árvores impediu temporariamente a passagem de veículos. Equipes municipais, Bombeiros e Defesa Civil atuaram na retirada dos obstáculos e na avaliação dos pontos atingidos.

A força da ventania também provocou relatos de medo entre moradores. Objetos foram lançados pelo ar, telhas atingiram ruas e estruturas balançaram durante os momentos mais intensos da tempestade. O cenário reforçou a percepção de que não se tratava de uma chuva comum, mas de um evento marcado principalmente pela violência das rajadas.

Os 109,08 km/h registrados pelo Inmet ajudam a dimensionar o que ocorreu. Em poucos minutos, a força do vento foi suficiente para afetar energia elétrica, escolas, unidades de saúde, trânsito, residências e estruturas urbanas de diferentes regiões da cidade.

A possibilidade de uma microexplosão atmosférica deverá continuar sendo analisada a partir dos registros meteorológicos e do padrão de danos observado em Varginha. Enquanto a avaliação técnica busca esclarecer com maior precisão o fenômeno, a cidade contabiliza os prejuízos deixados por uma noite em que o vento atingiu praticamente 110 km/h.

Foto: Eduardo Marins/EPTV

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