BRIGA, DUAS FACAS E VERSÕES OPOSTAS: JOVEM DE 18 ANOS É FERIDA E MULHER ACABA PRESA EM JACAREÍ
Uma briga de rua terminou com uma jovem de 18 anos ferida por golpes de faca e uma mulher de 31 anos presa em flagrante por tentativa de homicídio na noite de terça feira, 25 de agosto, em Jacareí. O confronto aconteceu por volta das 21h47, na Rua Professor Hélio Augusto de Souza, no Jardim Emília, e deixou para a Polícia Civil um quebra cabeça formado por duas versões completamente diferentes sobre quem iniciou as agressões.
Segundo o boletim de ocorrência, as duas mulheres estavam em via pública, em frente à residência da jovem de 18 anos. A mulher de 31 anos estava nas proximidades de um bar localizado diante do imóvel. A discussão teria começado depois de uma troca de olhares e ofensas, evoluindo rapidamente para agressões físicas.
Na versão apresentada pela jovem, ela havia saído de casa apenas para recolher o lixo quando percebeu a presença da outra mulher. Após a discussão, a investigada teria retirado uma faca que carregava na cintura e avançado em sua direção.
A jovem contou aos policiais que tentou utilizar uma mesa como proteção. Durante a luta corporal, as duas acabaram caindo no chão e, em determinado momento, ela teria segurado a própria lâmina com a mão na tentativa de impedir novos golpes.
Mesmo tentando se proteger, a vítima sofreu ferimentos na cabeça, nas mãos, nos dedos e em uma das pernas. Ela também relatou ter sido mordida no braço durante o confronto.
A jovem foi encaminhada para atendimento médico e precisou receber suturas. Posteriormente, o exame médico pericial classificou as lesões como leves, apesar da violência relatada durante a ocorrência.
A confusão, porém, não teria terminado com a retirada da primeira faca.
Segundo o relato da jovem, sua mãe e outras pessoas que estavam próximas conseguiram intervir e separar as duas mulheres. A arma teria sido retirada e entregue a uma pessoa responsável pelo bar.
Ainda de acordo com essa versão, a mulher de 31 anos teria corrido até a casa de uma conhecida, conseguido uma segunda faca e tentado retornar em direção à mãe da jovem.
Uma testemunha mencionada no boletim teria impedido que a investigada se aproximasse novamente. Esse depoimento deverá ser considerado importante pela Polícia Civil para esclarecer se realmente houve uma segunda tentativa de confronto depois que as duas já haviam sido separadas.
A jovem também afirmou ter sido ameaçada de morte durante e depois da briga. Segundo o registro, as ameaças teriam continuado até mesmo enquanto ela recebia atendimento médico.
A mulher presa, entretanto, apresentou uma versão completamente diferente.
Em seu depoimento, ela negou ter iniciado a agressão e afirmou que teria sido atacada primeiro pela jovem de 18 anos. Segundo a investigada, a jovem teria puxado seus cabelos, derrubado-a no chão e tentado atingir seu rosto com uma faca.
A mulher de 31 anos declarou que conseguiu segurar a mão da jovem, tomou a arma e passou a desferir golpes para se defender. Com isso, apresentou a alegação de legítima defesa.
Ela também negou ter ido até a casa de uma conhecida para buscar uma segunda faca. Segundo sua versão, procurou ajuda depois do confronto porque temia ser agredida por familiares e outras pessoas que estavam no local.
Quando a Polícia Militar chegou ao endereço, as duas mulheres já estavam separadas. Nenhum dos policiais presenciou o início da briga, o que faz com que os depoimentos de testemunhas, os laudos médicos e a perícia tenham papel ainda mais importante no esclarecimento do caso.
Os agentes constataram ferimentos nas duas envolvidas. A jovem apresentava lesões em diferentes partes do corpo, enquanto a mulher de 31 anos tinha ferimentos nas mãos.
Familiares e pessoas que estavam nas proximidades disseram aos policiais que a investigada já estaria carregando uma faca na cintura antes do confronto. Ela nega essa informação.
Ao todo, duas facas foram apreendidas durante a ocorrência. Uma delas apresentava aparentes vestígios de sangue e fios de cabelo, segundo o registro policial.
Os objetos deverão passar por perícia. A análise pode ajudar a esclarecer quem utilizou cada faca, a sequência das agressões e em qual momento uma das armas teria mudado de mãos.
Além das duas facas, um telefone celular e outros objetos que estavam com a mulher de 31 anos também foram recolhidos e apresentados à Polícia Civil.
O caso foi registrado no Plantão Policial de Jacareí como tentativa de homicídio. Uma segunda versão do boletim, elaborada já na madrugada de quarta feira, 26 de agosto, formalizou a prisão em flagrante da mulher de 31 anos.
Apesar da prisão, a própria investigação ainda precisa esclarecer pontos considerados fundamentais. Entre eles estão quem iniciou efetivamente a agressão, quem levou a primeira faca para o local e se houve realmente a busca por uma segunda arma depois que a primeira havia sido retirada.
A alegação de legítima defesa apresentada pela investigada também deverá ser analisada. A classificação inicial da ocorrência como tentativa de homicídio não significa uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal de cada envolvida.
A Polícia Civil deverá ouvir testemunhas, confrontar os relatos, aguardar os laudos médicos e analisar as facas apreendidas antes de definir com maior precisão a dinâmica da ocorrência.
O delegado responsável não solicitou prisão preventiva naquele primeiro momento. A mulher permaneceu presa em flagrante e foi encaminhada ao Centro de Triagem de Jacareí para passar por audiência de custódia.
Até a última atualização, não havia informação pública confirmada sobre a decisão tomada pela Justiça após a audiência.


