Quarta-feira, Agosto 26, 2026
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EXECUÇÃO EM 13 SEGUNDOS E FUGA ENTRE ESTADOS: POLÍCIA RECONSTRÓI PASSO A PASSO DA MORTE DE EVANDRO EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS


Menos de 13 segundos. Esse teria sido o tempo necessário para que um homem armado entrasse em uma academia na Avenida Rui Barbosa, no bairro Santana, em São José dos Campos, caminhasse até Evandro Luiz Prudente, de 33 anos, e efetuasse uma sequência de disparos contra ele. O crime aconteceu na tarde de terça feira, 25 de agosto, e desencadeou uma investigação que, poucas horas depois, atravessaria a divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro e terminaria com três homens detidos em Itatiaia.

As imagens das câmeras de segurança registraram Evandro sentado em uma poltrona na recepção da academia, utilizando o telefone celular. Pouco depois, um homem entra no estabelecimento e caminha diretamente até a vítima. Os disparos são efetuados a curta distância e Evandro não consegue reagir. A gravação mostra uma ação extremamente rápida, seguida pela saída do atirador do estabelecimento.

A Polícia Militar foi acionada por volta das 13h57 após receber informações sobre tiros dentro da academia. Quando as equipes chegaram, encontraram Evandro atingido por diversos disparos, inclusive na região da cabeça. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência também foi chamado, mas o óbito foi confirmado às 14h15.

O trabalho da perícia revelou a dimensão do ataque. Foram recolhidos 16 estojos de munição deflagrados no interior do estabelecimento. Embora as imagens permitam observar uma sequência de tiros, o número de cápsulas recolhidas pela perícia é o dado técnico oficialmente registrado na ocorrência.

A partir daquele momento começou uma corrida contra o tempo para identificar quem havia participado do homicídio e impedir que os envolvidos desaparecessem. As primeiras diligências da Delegacia de Homicídios apontaram que o atirador deixou a região utilizando uma motocicleta preta com outro homem.

A motocicleta foi encontrada pouco depois abandonada às margens da Rodovia Monteiro Lobato, a SP 50, ainda na zona norte de São José dos Campos. O veículo passou por perícia e se transformou em uma das primeiras peças importantes da investigação.

Com a moto localizada, os investigadores passaram a buscar imagens de câmeras existentes na região. Foi esse trabalho que permitiu acompanhar os passos dos suspeitos depois do abandono do veículo. Novas gravações mostraram homens deixando a área e entrando em um automóvel branco.

A reconstrução feita pela polícia revelou depois um detalhe que chamou atenção pela logística empregada. Segundo a Delegacia de Homicídios, a motocicleta utilizada na primeira etapa da fuga havia sido alugada em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Já o automóvel branco utilizado posteriormente teria sido locado no Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, no Rio de Janeiro.

O segundo veículo foi identificado como um Hyundai HB20 branco. Com as características do carro em mãos, o monitoramento continuou e apontou que o automóvel seguia pela Rodovia Presidente Dutra em direção ao estado do Rio de Janeiro.

A operação passou então a envolver forças de segurança de dois estados. Participaram das primeiras diligências a Polícia Civil, Polícia Militar, Guarda Civil Municipal, Centro de Segurança e Inteligência de São José dos Campos e Polícia Rodoviária Federal. Quando ficou evidente que o HB20 avançava em direção a Itatiaia, a equipe da Delegacia de Homicídios entrou em contato com policiais militares do Rio de Janeiro.

O apoio foi realizado pelo Grupamento de Ações Táticas do 37º Batalhão da Polícia Militar, sediado em Resende. A equipe conseguiu localizar e abordar o HB20 na região de Itatiaia. Dentro do automóvel estavam três homens.

Segundo as informações divulgadas pela Polícia Civil, os detidos foram identificados como Alex Cruz Fernandes, morador do Rio de Janeiro, Gabriel Carvalho da Silva, também residente no Rio, e Lucas Andrade de Oliveira. Os três foram encaminhados para uma delegacia em Resende.

Uma equipe da Delegacia de Homicídios de São José dos Campos seguiu até o Rio de Janeiro levando as informações e provas obtidas durante as primeiras horas de investigação. A partir da apresentação dos elementos às autoridades fluminenses, os três investigados permaneceram detidos. A participação individual de cada um deles ainda deverá ser delimitada no inquérito.

Outro detalhe importante é que nenhuma arma de fogo foi encontrada com os três homens durante a abordagem, segundo informações repassadas pela Polícia Civil. Isso significa que os investigadores ainda precisam localizar a arma utilizada no assassinato ou esclarecer qual destino foi dado a ela depois do crime.

Agora, além de estabelecer quem efetuou os disparos e qual teria sido o papel dos outros envolvidos, a Polícia Civil tenta esclarecer principalmente quem teria interesse na morte de Evandro e qual foi a motivação para uma ação que apresenta sinais de planejamento, considerando a utilização de veículos alugados em estados diferentes e a tentativa de deixar São Paulo logo depois do homicídio.

Evandro vivia em São José dos Campos havia aproximadamente um ano. Em depoimento, sua esposa informou à Polícia Civil que ele trabalhava com venda de veículos pela internet, não mantinha negócios na cidade e não havia comentado recentemente sobre ameaças.

Uma das linhas mencionadas nas primeiras apurações indica que Evandro poderia ter atuado anteriormente como agiota no Rio Grande do Sul e teria deixado aquele estado após receber ameaças. Essa informação, contudo, permanece como linha de investigação e ainda não foi apresentada pela Polícia Civil como motivação comprovada para o assassinato.

A polícia também levantou registros anteriores envolvendo Evandro no Rio Grande do Sul. Esse ponto exige cautela. Em um processo relacionado a um homicídio ocorrido em Porto Alegre em 2016, Evandro chegou a ser denunciado como suposto participante por ter dirigido o táxi utilizado no deslocamento dos envolvidos. A Justiça, entretanto, decidiu impronunciá lo por considerar insuficientes os indícios de participação consciente no crime. O Ministério Público recorreu, mas o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul manteve a decisão em novembro de 2019. Portanto, naquele processo específico, Evandro não foi levado a julgamento pelo Tribunal do Júri pelo homicídio.

Outras informações levantadas apontam a existência de registros judiciais posteriores relacionados a Evandro, inclusive com uma guia de execução definitiva expedida em 2026 para cumprimento de pena em regime aberto. O conteúdo público consultado, contudo, não permite vincular com segurança essa execução penal ao homicídio atual ou afirmar que tenha relação com a motivação do assassinato em São José dos Campos.

O caso foi inicialmente registrado como homicídio no 4º Distrito Policial e passou a ser investigado pela 3ª Delegacia de Homicídios da Deic de São José dos Campos. Os investigadores agora concentram os trabalhos na análise dos equipamentos eletrônicos, imagens, trajetos realizados pelos veículos, depoimentos dos suspeitos e histórico de Evandro.

Também deverá ser esclarecido se outras pessoas participaram do planejamento ou financiamento da ação, quem providenciou os veículos alugados e por qual motivo uma motocicleta retirada em Porto Alegre e um automóvel locado no Galeão acabaram sendo utilizados na mesma sequência de fuga.

A resposta para a principal pergunta, porém, ainda não veio. Mesmo com três homens detidos poucas horas depois, a Polícia Civil ainda não anunciou oficialmente por que Evandro Luiz Prudente foi morto. A motivação, a participação exata de cada investigado, o paradeiro da arma e a eventual existência de outros envolvidos permanecem entre os pontos centrais da investigação.

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