ADEUS, PEDRO: DEPOIS DE DIAS DE ORAÇÃO, CAÇAPAVA CHORA A MORTE DO ADOLESCENTE BALEADO DENTRO DA PRÓPRIA CASA
Durante dias, familiares, amigos e moradores de Caçapava fizeram aquilo que ainda podiam fazer diante de um quadro tão grave: rezaram, pediram, doaram sangue e se agarraram à esperança. Na manhã desta sexta-feira, 21 de agosto, porém, veio a notícia que ninguém queria receber. Pedro Henrique da Silva Rodrigues, de apenas 16 anos, não resistiu ao ferimento provocado por um tiro na cabeça e morreu após dias de internação. O adolescente foi atingido dentro da própria residência durante um ataque a tiros ocorrido na noite de domingo, 16, na Rua José Henrique, em Caçapava Velha. Segundo a apuração policial, Pedro não era alvo dos criminosos.
A história de Pedro comoveu a cidade justamente pela forma inesperada e cruel como ele acabou envolvido em uma violência que, até onde aponta a investigação, não tinha qualquer relação com sua vida. Naquela noite de domingo, dois homens que estavam na rua passaram a ser perseguidos a tiros. Em meio ao desespero, um deles correu para dentro de uma residência e avançou pelo corredor tentando escapar dos disparos. Pedro estava em casa. Ao perceber a movimentação e ir até o corredor para entender o que estava acontecendo, foi atingido na cabeça. O adolescente que não estava na rua, não era perseguido e não era apontado como alvo acabou se tornando a vítima mais grave do ataque.
O socorro foi marcado pela urgência. Familiares levaram Pedro ao Hospital Fusam, em Caçapava, com apoio de escolta da Polícia Militar. Desde as primeiras horas, o quadro era considerado grave. Enquanto médicos travavam a batalha possível dentro do hospital, do lado de fora começava outra mobilização. A história do garoto se espalhou pelas redes sociais e transformou sua recuperação em um pedido coletivo. Publicações com o nome e a imagem de Pedro passaram a convocar orações, enquanto familiares e amigos se agarravam a cada novo dia de internação.
Na noite de segunda-feira, 17 de agosto, pessoas se reuniram diante do hospital para orar pela vida do adolescente. O nome de Pedro Henrique da Silva Rodrigues passou a ser repetido em mensagens de fé e esperança. Não era mais apenas uma ocorrência policial registrada em uma rua de Caçapava. Era um menino de 16 anos entre a vida e a morte, com uma família esperando uma reação e uma comunidade acompanhando aquela luta. Registros publicados nas redes sociais mostram a mobilização realizada diante da unidade de saúde.
A corrente também chegou aos bancos de sangue. Voluntários se mobilizaram e viajaram de Caçapava para Taubaté para fazer doações, numa tentativa concreta de ajudar durante o tratamento. Cada bolsa doada carregava junto uma mesma esperança: que Pedro tivesse tempo, que resistisse, que voltasse para casa. Durante aqueles dias, mensagens de oração continuaram circulando e pessoas que sequer conheciam pessoalmente o adolescente passaram a acompanhar sua situação.
Mas a ferida era gravíssima. Depois de lutar desde a noite de domingo, Pedro não resistiu. A confirmação da morte transforma a corrente que pedia pela recuperação em uma corrente de solidariedade a uma família que agora enfrenta uma despedida precoce demais. Aos 16 anos, quando a vida ainda deveria estar sendo medida em escola, amizades, planos e sonhos para o futuro, Pedro passa a ter sua história interrompida por um tiro disparado durante um ataque do qual, segundo a investigação inicial, ele nem sequer fazia parte.
Os dois homens apontados como alvos do ataque sobreviveram. Um, de 22 anos, foi atingido no ombro e no braço. O outro, de 23, foi baleado nas nádegas. A Polícia Militar informou inicialmente que ambos não corriam risco de morrer. No local dos disparos, um cartucho íntegro de calibre 9 mm foi recolhido e apreendido. A ocorrência havia sido registrada inicialmente como tripla tentativa de homicídio. Com a morte de Pedro, a investigação deverá considerar o novo resultado da ação criminosa.
Os responsáveis pelos disparos fugiram depois do ataque. Até as últimas informações públicas localizadas, nenhum suspeito havia sido preso. A Polícia Civil trabalha para identificar os atiradores e esclarecer por que os dois homens foram perseguidos, quem participou da ação e de onde partiram os disparos que acabaram atingindo Pedro dentro da residência. Os depoimentos dos sobreviventes e os vestígios recolhidos no endereço deverão ser peças importantes para chegar aos autores.
A Rua José Henrique já havia sido marcada por outro homicídio neste ano. Em abril, Ricardo Felipe de Andrade Souza, de 30 anos, foi encontrado morto a tiros no mesmo endereço viário, com diversas perfurações pelo corpo. Apesar da coincidência do local, até agora não existe informação pública que estabeleça qualquer ligação entre aquele crime e o ataque que terminou com a morte de Pedro.
Nesta sexta-feira, entretanto, as perguntas da investigação dividem espaço com uma dor muito maior dentro da família. Durante quatro dias, houve esperança. Houve gente de mãos dadas diante do hospital. Houve pedidos de oração. Houve pessoas oferecendo o próprio sangue. Houve mensagens acreditando que Pedro conseguiria vencer.
Agora, Caçapava se despede de um adolescente que saiu do quarto ou de algum cômodo de sua própria casa apenas para descobrir o que estava acontecendo no corredor e acabou atingido por uma violência que não o procurava.
Pedro tinha 16 anos. Não era o alvo. Estava dentro de casa.
E é justamente isso que torna sua partida ainda mais difícil de compreender.
A corrente de oração não terminou como familiares e amigos desejavam. Mas cada pessoa que rezou, cada voluntário que doou sangue e cada mensagem enviada durante os dias de internação mostrou que Pedro não lutou sozinho.
Adeus, Pedro Henrique. Aos 16 anos, sua vida foi interrompida cedo demais.
Até a manhã desta sexta-feira, não havia sido localizada divulgação pública confiável com os horários e locais de velório e sepultamento do adolescente.


