CAÇADA TERMINA EM MINAS: ANDERSON É CAPTURADO APÓS MORTE DE CARLOS E ATAQUE A TIROS CONTRA MÔNICA EM JACAREÍ
Terminou na manhã desta quinta-feira, 20 de agosto, em Passa Quatro, no Sul de Minas Gerais, a fuga de Anderson Saldanha Guedes, de 37 anos. Procurado desde a noite de terça-feira, 18, o mecânico foi localizado e preso após um trabalho de inteligência envolvendo forças de segurança de São Paulo e Minas Gerais. Anderson é apontado pela Polícia Civil como responsável pelos disparos que mataram Carlos Inácio da Silva, de 62 anos, e deixaram gravemente ferida a ex-noiva, Mônica Cristina da Silva, de 38 anos, durante uma discussão envolvendo a divisão de um imóvel em Jacareí. A prisão encerra uma caçada que atravessou a divisa estadual e mobilizou policiais durante quase dois dias.
A captura foi realizada por policiais em Minas Gerais depois que informações produzidas pelo trabalho integrado da Polícia Militar e da Polícia Civil de Jacareí indicaram que Anderson havia deixado o estado de São Paulo. O suspeito acabou localizado em Passa Quatro, município mineiro localizado próximo à divisa com São Paulo. Até as primeiras informações divulgadas nesta manhã, não haviam sido esclarecidos o ponto exato da cidade onde ele foi encontrado, se estava escondido na casa de alguma pessoa conhecida ou se houve resistência durante a abordagem. Também não havia confirmação sobre a localização da arma utilizada no crime ou da Honda NX 4 Falcon apontada como o veículo usado inicialmente na fuga.
A prisão ocorre enquanto Mônica continua hospitalizada na Santa Casa de Jacareí. A atualização mais recente informa que a mulher permanece consciente, intubada e com quadro clínico considerado estável. Ela foi atingida por diversos disparos durante o ataque e precisou receber atendimento de emergência. Nas primeiras horas após o crime, sua condição era considerada grave e ela ainda não havia conseguido prestar depoimento formal à Polícia Civil. Agora, enquanto os médicos acompanham sua recuperação, o homem apontado como autor dos tiros está sob custódia.
O crime ocorreu por volta das 20h de terça-feira, 18 de agosto, em uma residência na Rua Oswaldo Barrios Miguelis, em Jacareí. Anderson e Mônica mantiveram um relacionamento por aproximadamente seis anos e haviam se separado em 27 de julho. Antes do rompimento, os dois planejavam oficializar a união e tinham casamento civil previsto para outubro. Após a separação, uma propriedade comprada durante o relacionamento passou a ser motivo de conflito entre o ex-casal. Segundo a investigação, Mônica defendia a divisão do valor do imóvel, enquanto Anderson demonstrava inconformismo com a possibilidade de ela receber metade do patrimônio.
Na noite do ataque, Mônica foi ao imóvel acompanhada do pai, Carlos Inácio da Silva, para conversar sobre a questão patrimonial. Conforme os relatos prestados à Polícia Civil pelos próprios pais de Anderson, durante a conversa o mecânico teria se levantado e seguido até um quarto. Pouco depois, teria retornado com uma arma de fogo e iniciado uma sequência de disparos. Carlos foi atingido primeiro. Na sequência, Anderson teria voltado a arma contra Mônica, que correu para dentro da residência tentando escapar, mas teria sido perseguida enquanto novos tiros eram efetuados.
Carlos, de 62 anos, não resistiu aos ferimentos e morreu no local. O caso provocou forte repercussão especialmente porque o pai estava acompanhando a filha durante a conversa relacionada ao fim do relacionamento. Outras apurações indicaram que ele tentou proteger Mônica durante o ataque. A morte passou a ser investigada como homicídio, enquanto os disparos contra a mulher são apurados como tentativa de feminicídio.
A mãe de Anderson também apresentou um relato considerado importante para a investigação. Segundo seu depoimento, o filho já vinha demonstrando revolta com a divisão dos bens e teria dito anteriormente que Mônica não ficaria com seu dinheiro. Ela afirmou ainda que Anderson teria ameaçado matar a ex-companheira e posteriormente tirar a própria vida. Na noite do crime, a mulher contou que percebeu o filho indo até um quarto e tentou impedi-lo, mas teria sido empurrada e derrubada. Pouco depois, ouviu uma sequência de disparos, estimada inicialmente em cerca de 15 tiros.
O pai de Anderson também presenciou parte da ocorrência e relatou à polícia que tentou interferir. Depois dos tiros, o suspeito deixou a residência e iniciou a fuga em uma Honda Falcon vermelha. Sistemas de monitoramento identificaram inicialmente o deslocamento da motocicleta em direção a Guararema. A partir dali, as buscas ganharam outras regiões e o trabalho de inteligência acabou indicando que Anderson havia seguido para Minas Gerais.
Horas após o ataque, outro detalhe passou a integrar a investigação. Segundo o pai do suspeito, Anderson teria enviado uma mensagem dizendo que “não iria mais envergonhá-lo”. O conteúdo foi associado pelos investigadores ao conjunto de elementos reunidos sobre o comportamento do mecânico antes e depois dos disparos. A Polícia Civil também passou a analisar as ameaças anteriores relatadas pela família e as circunstâncias em que Anderson teria conseguido a arma usada no crime.
A perícia encontrou cápsulas deflagradas na residência e apreendeu um carregador de pistola calibre .380. A mãe do suspeito teria informado que não havia arma de fogo normalmente mantida na casa e que acreditava que o filho tivesse obtido o armamento naquele mesmo dia. Até a prisão divulgada nesta quinta-feira, não havia informação pública confirmando a recuperação da pistola.
Com Anderson fora de Jacareí, as equipes policiais passaram a trabalhar para reconstruir o caminho percorrido desde a noite do crime. A informação de que ele estava em Passa Quatro levou à articulação com as forças de segurança mineiras e resultou na captura nesta quinta-feira. A prisão muda agora o foco do caso. O homem que durante quase dois dias era procurado passa a ficar à disposição das autoridades, enquanto a Polícia Civil poderá avançar na apuração sobre a arma, a fuga e todos os acontecimentos anteriores aos disparos.
A captura também acontece enquanto Mônica enfrenta as consequências mais graves daquela noite. Aos 38 anos, ela permanece na Santa Casa de Jacareí, consciente e intubada, mas com quadro considerado estável. O pai, Carlos, morreu no local. Um relacionamento de seis anos que ainda tinha um casamento planejado para outubro terminou, poucas semanas depois da separação, transformado em uma investigação de homicídio e tentativa de feminicídio.
Anderson Saldanha Guedes não está mais sendo procurado. A caçada terminou em Passa Quatro. Agora, a investigação entra em uma nova fase para esclarecer todos os detalhes do ataque que matou Carlos e deixou Mônica hospitalizada.


