CAÇADA A ANDERSON: POLÍCIA PROCURA SUSPEITO DE MATAR PAI DA EX E BALEAR MÔNICA EM JACAREÍ
A Polícia Civil mantém as buscas por Anderson Saldanha Guedes, de 37 anos, apontado como suspeito de uma noite de violência que terminou com Carlos Inácio da Silva, de 62 anos, morto e Mônica Cristina da Silva, de 38 anos, gravemente ferida a tiros. O crime aconteceu por volta das 20h03 de terça-feira, 18 de agosto, em uma residência na Rua Osvaldo B. Miguelis, na área rural de Jacareí. Até as atualizações publicadas durante a tarde desta quarta-feira, 19 de agosto, Anderson ainda era procurado pelas forças de segurança. O caso foi registrado como homicídio consumado e tentativa de feminicídio.
A investigação aponta que Anderson e Mônica haviam mantido um relacionamento por aproximadamente seis anos e estavam separados desde 27 de julho. Um detalhe que aumenta o impacto da história é que o casal tinha casamento civil previsto para outubro, mas a relação terminou menos de três meses antes da data planejada. Anderson trabalha como mecânico de manutenção, segundo informações divulgadas a partir do boletim de ocorrência. Após a separação, uma propriedade adquirida pelos dois passou a ser motivo de divergência, principalmente em relação à divisão do valor do imóvel.
Na noite do crime, Mônica foi até o imóvel acompanhada do pai, Carlos, para conversar sobre essa divisão patrimonial. Segundo depoimentos prestados à Polícia Civil, Anderson não concordava que a ex-companheira recebesse metade do valor da propriedade. A própria mãe dele relatou aos investigadores que o filho vinha demonstrando inconformismo com a situação e teria afirmado anteriormente que Mônica não ficaria com o dinheiro. Ela também declarou que Anderson já teria ameaçado matar a ex e, depois, tirar a própria vida. As declarações integram a investigação e ainda serão confrontadas com os demais elementos reunidos no inquérito.
O encontro que deveria tratar da partilha terminou em disparos. Conforme a versão apresentada pelo pai de Anderson à polícia, durante a conversa o filho teria deixado o ambiente e seguido para um dos quartos. Pouco depois, retornou armado. Carlos teria sido o primeiro atingido. Na sequência, Anderson teria voltado a arma contra Mônica, que tentou escapar correndo para o interior da residência, mas acabou perseguida e atingida por vários tiros.
A mãe do suspeito também relatou ter percebido o momento em que o filho entrou no quarto e retirou algo de uma gaveta. Segundo seu depoimento, ela tentou impedir a ação, mas teria sido empurrada e caído no chão. Pouco depois, ouviu uma intensa sequência de tiros e estimou que aproximadamente 15 disparos tenham sido efetuados. O pai de Anderson afirmou ainda ter tentado intervir durante o ataque, sem conseguir impedir os disparos.
Carlos Inácio da Silva, de 62 anos, não resistiu. O Samu foi acionado, mas a morte foi constatada no local. Algumas das apurações publicadas nesta quarta-feira apontam que Carlos teria tentado proteger a filha durante o ataque, circunstância que também está sendo considerada na reconstrução da dinâmica do crime. Mônica conseguiu sobreviver, mas sofreu múltiplos ferimentos provocados por arma de fogo. Ela foi levada para a Santa Casa de Jacareí, onde permanecia internada em estado grave nas últimas atualizações disponíveis.
Há divergência nas informações iniciais sobre a quantidade exata de tiros que atingiram Mônica. Algumas publicações mencionaram sete perfurações, enquanto fontes posteriores apontaram pelo menos cinco disparos. Por esse motivo, o dado mais seguro neste momento é que a mulher foi baleada diversas vezes e permanece em estado grave. Até as informações públicas mais recentes, não havia sido divulgado um novo boletim médico indicando mudança significativa no quadro.
A perícia realizada na residência encontrou cápsulas deflagradas e um carregador vazio de pistola calibre .380, com capacidade para 12 munições. Segundo o relato da mãe de Anderson, não havia arma de fogo normalmente guardada na casa e ela acreditava que o filho teria conseguido o armamento no mesmo dia, embora não soubesse informar a procedência. A origem da pistola e a localização da arma usada no ataque são pontos que permanecem sob investigação.
Depois dos tiros, Anderson teria deixado o endereço em uma Honda NX-4 Falcon vermelha. A rota de fuga passou a ser acompanhada pelas forças de segurança e sistemas de monitoramento indicaram que a motocicleta seguiu em direção a Guararema, na Região Metropolitana de São Paulo. A Polícia Militar realizou buscas ainda durante a noite, mas o suspeito não foi localizado.
Outro elemento incorporado à investigação surgiu depois da fuga. Conforme o depoimento prestado pelo próprio pai do suspeito, Anderson teria enviado uma mensagem afirmando que “não iria mais envergonhá-lo”. O conteúdo é analisado juntamente com os relatos de ameaças anteriores e as circunstâncias da obtenção da arma para esclarecer se houve planejamento prévio do ataque. A Polícia Civil apura inclusive a possibilidade de premeditação, embora essa hipótese ainda precise ser comprovada durante a investigação.
O crime também colocou em evidência a brusca ruptura de um relacionamento que caminhava para um casamento. Anderson e Mônica estavam juntos havia aproximadamente seis anos e tinham a cerimônia civil prevista para outubro. A separação ocorreu em 27 de julho e, poucas semanas depois, os dois ainda buscavam resolver as consequências patrimoniais do fim da relação. Segundo a investigação, justamente a discussão envolvendo o imóvel teria antecedido o ataque.
Até pelo menos 15h42 desta quarta-feira, 19 de agosto, uma das atualizações regionais mais recentes ainda informava que Anderson continuava sendo procurado. Outras publicações da tarde também mantinham o suspeito na condição de foragido. Não encontrei, até esta atualização, confirmação confiável de prisão ou apresentação espontânea dele.
Enquanto a polícia tenta localizar Anderson, a investigação busca esclarecer de onde veio a arma, quantos disparos foram realizados, a sequência exata dos tiros e se o crime havia sido planejado anteriormente. Mônica ainda não havia conseguido prestar depoimento formal por permanecer sob cuidados médicos. Carlos morreu justamente na noite em que acompanhou a filha para uma conversa relacionada ao fim do relacionamento dela.
Agora, de um lado está uma família diante da morte de Carlos e da luta de Mônica pela recuperação. Do outro, a Polícia Civil tenta localizar o homem apontado como responsável pelos disparos e esclarecer todos os detalhes de um encontro sobre divisão de bens que terminou em homicídio e tentativa de feminicídio.


