TRAGÉDIA NA REPRESA: EX-MILITAR MARCOS, DE 29 ANOS, MORRE AFOGADO AO TENTAR CHEGAR A BANCO DE AREIA EM CAÇAPAVA
Um momento de lazer entre amigos terminou em tragédia na zona rural de Caçapava. Marcos Vinicius da Silva Portela, de 29 anos, ex-militar, morreu após desaparecer nas águas da chamada Represa do Pedágio, nas proximidades do km 111 da Rodovia Governador Carvalho Pinto. Ele entrou na represa na tarde de segunda-feira, 17 de agosto, e seu corpo foi encontrado pelo Corpo de Bombeiros nesta terça-feira, 18, depois da retomada das buscas subaquáticas.
O local fica na região do bairro Piedade. Segundo informações do boletim de ocorrência divulgadas após o resgate, Marcos estava acompanhado de duas amigas, ambas de 33 anos. O grupo havia ido até a represa para passar algumas horas em um momento de recreação e banho.
Em determinado momento, os três entraram na água com o objetivo de alcançar um banco de areia situado na parte central da represa. O que parecia ser apenas uma travessia acabou se transformando em uma emergência. Segundo os relatos prestados à Polícia Civil, Marcos começou a apresentar dificuldades para continuar nadando depois de aproximadamente 20 minutos dentro da água.
Uma das mulheres tentou ajudá-lo. A tentativa de socorro ocorreu mais de uma vez, mas ela própria começou a enfrentar dificuldades e percebeu que também poderia se afogar. Diante do risco, precisou retornar para a margem. Pouco depois, Marcos submergiu e não voltou mais à superfície.
As testemunhas afirmaram ainda que a água estava bastante turva no ponto onde o ex-militar desapareceu. A pouca visibilidade dificultava qualquer tentativa de localizar Marcos depois que ele afundou.
Desesperadas, as amigas acionaram o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 e permaneceram em contato com o serviço de emergência enquanto aguardavam a chegada das equipes. Conforme consta no relato policial, diante do tempo de espera, elas chegaram a procurar pessoalmente uma base dos Bombeiros para reforçar o pedido de socorro.
No local, foram informadas de que as equipes já haviam sido mobilizadas. Quando retornaram à Represa do Pedágio, os bombeiros estavam se preparando para iniciar os trabalhos de busca subaquática.
As buscas começaram ainda na segunda-feira, mas Marcos não foi localizado antes da suspensão da operação naquele dia. Os trabalhos foram retomados nesta terça-feira, quando os mergulhadores finalmente encontraram e retiraram o corpo do jovem das águas.
A Polícia Civil registrou inicialmente a ocorrência como morte suspeita e encontro de cadáver. Embora os depoimentos indiquem um possível afogamento, a causa formal da morte deverá ser confirmada pelos exames periciais solicitados pela autoridade policial.
Outro detalhe acrescentado à investigação é que, segundo as testemunhas, não foi percebido nenhum obstáculo, objeto ou situação anormal na água que pudesse explicar de imediato o desaparecimento. Uma das possibilidades relatadas à polícia é de que Marcos tenha sofrido cansaço durante a tentativa de alcançar o banco de areia. Essa hipótese ainda depende da análise do conjunto de informações e dos laudos.
O boletim também registra que o grupo havia compartilhado uma caipirinha antes de chegar à represa. As duas mulheres, no entanto, afirmaram à polícia que nenhum dos integrantes demonstrava sinais aparentes de alteração física ou mental. A informação integra o registro da ocorrência e deverá ser considerada juntamente com os exames periciais, sem que seja possível estabelecer qualquer relação entre o consumo da bebida e a morte neste momento.
O delegado responsável pelo atendimento determinou a realização dos exames de praxe. Os laudos do Instituto Médico Legal deverão auxiliar a Polícia Civil a esclarecer definitivamente a causa da morte e verificar se houve algum outro fator relacionado ao desaparecimento dentro da represa.
A morte de Marcos interrompeu aos 29 anos uma tarde que havia começado apenas como um encontro entre amigos. Em questão de minutos, a tentativa de alcançar um banco de areia terminou com pedidos de socorro, mobilização dos Bombeiros e uma longa espera até a localização do corpo no dia seguinte.
A ocorrência também reforça os riscos existentes em represas e lagos, principalmente em locais onde não é possível visualizar o fundo ou identificar mudanças bruscas de profundidade. A própria reportagem local que detalhou o caso chama atenção para fatores como água turva, variações de profundidade, distância até a margem e desgaste físico durante a natação.
Marcos é citado nas informações divulgadas sobre o caso como ex-militar, mas até a noite desta terça-feira não haviam sido tornados públicos detalhes sobre a corporação em que ele teria servido ou sobre sua trajetória profissional nas Forças Armadas. Também não encontrei, até o fechamento desta apuração, informações públicas confiáveis sobre velório e sepultamento.
A investigação permanece sob responsabilidade da Polícia Civil de Caçapava. O resultado dos exames deverá indicar se a morte decorreu exclusivamente de afogamento e ajudar a concluir as circunstâncias dos últimos minutos de Marcos dentro da Represa do Pedágio.

Foto: Jesse Nascimento
