Terça-feira, Agosto 18, 2026
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ADEUS, ROSANGELA E DOUGLAS: MÃE E FILHO MORREM JUNTOS APÓS PASSARELA DESABAR SOBRE CARRO NA FERNÃO DIAS


O que deveria ser apenas mais uma viagem pela Rodovia Fernão Dias terminou em uma despedida devastadora para uma família de Belo Horizonte. Rosangela Carlos Soares Chaves, de 63 anos, e o filho Douglas Soares Quaresma, de 40, morreram juntos na manhã desta terça-feira, 18 de agosto, depois que uma passarela desabou sobre o carro em que estavam, na altura do km 4,1 da rodovia, em Vargem, no interior de São Paulo.

Mãe e filho trafegavam pela Fernão Dias quando foram surpreendidos por uma sequência que aconteceu em poucos segundos. Um caminhão que estava sendo transportado sobre uma carreta atingiu a passarela. Com o impacto, a estrutura cedeu e despencou sobre as pistas, atingindo diretamente o automóvel onde estavam Rosangela e Douglas.

Os dois morreram no local. A identificação das vítimas foi confirmada pela Polícia Civil, por meio do delegado de Vargem, Hermes Jum Nakashima. A família foi comunicada sobre as mortes.

A confirmação de que as vítimas eram mãe e filho deu uma dimensão ainda mais dolorosa à tragédia. Rosangela, aos 63 anos, e Douglas, aos 40, eram moradores de Belo Horizonte e estavam juntos dentro do veículo quando a estrutura caiu.

Os corpos precisaram ser retirados do automóvel atingido e foram posteriormente encaminhados ao Instituto Médico Legal de Bragança Paulista para os procedimentos necessários.

Imagens do acidente mostram o momento em que o veículo transportado pela carreta atinge a estrutura. Segundos depois, a passarela desaba sobre a Fernão Dias. O automóvel onde estavam mãe e filho praticamente desaparece sob o peso da estrutura.

Outro caminhão que passava pelo trecho também foi atingido. O motorista ficou ferido, precisou ser socorrido e foi encaminhado para atendimento médico.

A Polícia Rodoviária Federal informou que o conjunto seguia no sentido Belo Horizonte quando ocorreu o impacto contra a passarela. O caminhão que atingiu a estrutura não trafegava diretamente sobre a pista. Ele era transportado por uma carreta.

A partir dessa colisão inicial, a passarela caiu sobre a pista no sentido São Paulo, exatamente no momento em que o carro ocupado por Rosangela e Douglas passava pelo local.

A investigação agora deverá esclarecer as circunstâncias que permitiram que o equipamento transportado atingisse a estrutura, incluindo dimensões da carga, altura do conjunto, condições do transporte, documentação e demais procedimentos relacionados à operação logística.

O motorista relacionado ao transporte foi identificado como Deyvidson Temudo de Oliveira, de 42 anos. Segundo a Polícia Civil, ele foi preso em flagrante após o acidente.

Depois dos procedimentos realizados pela polícia, Deyvidson foi encaminhado à cadeia pública de Piracaia. Até a divulgação das informações pela autoridade policial, não havia sido informado advogado constituído para representar o motorista.

A responsabilidade criminal definitiva, entretanto, dependerá do andamento das investigações e da análise da Justiça. A prisão em flagrante ocorre nesta etapa inicial da apuração.

A empresa XCMG Brasil, proprietária do equipamento que estava sendo transportado, divulgou uma manifestação após a tragédia. A companhia lamentou o acidente e informou que não era responsável pela execução direta da operação de transporte.

Segundo a empresa, o serviço estava sendo realizado por uma companhia especializada contratada para executar a atividade logística e responsável pela condução operacional do transporte.

A XCMG informou ainda que acompanha o caso e permanece à disposição das autoridades responsáveis pela investigação.

Além das duas mortes, o acidente provocou uma das maiores interdições registradas nesta terça-feira na Fernão Dias. A passarela caída atravessou a rodovia e obrigou o fechamento completo das pistas nos dois sentidos.

A remoção da estrutura mobilizou uma grande operação. Por volta das 16h, segundo a concessionária Motiva Minas SP, cinco guindastes, dois guinchos e equipes de diferentes áreas trabalhavam no trecho.

Participavam dos trabalhos equipes operacionais, de pavimento e de engenharia elétrica. A concessionária explicou que a retirada das vigas exigia uma série de medidas de segurança devido ao peso da estrutura e ao risco de movimentação dos destroços.

Antes que os guindastes pudessem iniciar o içamento das partes da passarela, foi necessário fazer o isolamento total da área, avaliar a estabilidade do restante da estrutura, desligar a energia elétrica e preparar os pontos onde os equipamentos seriam utilizados para retirar as vigas.

A operação provocou um enorme impacto no trânsito entre São Paulo e Minas Gerais.

Às 17h41 desta terça-feira, a Fernão Dias registrava aproximadamente 23 quilômetros de congestionamento no sentido Belo Horizonte e 15 quilômetros no sentido São Paulo.

A situação ficou ainda mais complicada porque rotas alternativas utilizadas inicialmente pelos motoristas também precisaram ser fechadas, aumentando as dificuldades de deslocamento pela região.

Enquanto guindastes trabalhavam na retirada da estrutura e quilômetros de veículos se acumulavam nos dois lados da rodovia, a Polícia Civil iniciou a investigação que deverá estabelecer toda a sequência de responsabilidades envolvendo o acidente.

Para a família de Rosangela e Douglas, porém, o acidente deixou uma ausência impossível de medir em quilômetros de congestionamento ou toneladas de concreto.

Mãe e filho estavam juntos quando a passarela caiu. Juntos fizeram o último trajeto pela Fernão Dias e juntos perderam a vida em uma tragédia registrada diante de câmeras e de dezenas de motoristas que circulavam pela rodovia.

Rosangela tinha 63 anos. Douglas, 40. Os dois eram de Belo Horizonte.

Nesta terça-feira, os nomes que inicialmente apareciam apenas como “duas vítimas” de um grave acidente passaram a ter rosto, história e vínculo familiar.

Adeus, Rosangela e Douglas. Mãe e filho que partiram juntos em uma manhã marcada para sempre pela tragédia na Fernão Dias.

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