SOBREVIVEU AO PRIMEIRO ATAQUE, MAS NÃO AO SEGUNDO: ALEXANDRE É MORTO COM MAIS DE 15 TIROS EM JACAREÍ
Dois meses depois de sobreviver a uma tentativa de homicídio, Alexandre Messias do Nascimento Barcelos, de 24 anos, foi novamente alvo de tiros e desta vez não conseguiu escapar da morte. O jovem foi assassinado na noite de sábado (15), enquanto guardava um carro em um estacionamento particular na Avenida Vicência Batista da Silva, no Jardim do Vale, em Jacareí. Segundo o boletim de ocorrência, dois homens chegaram em uma motocicleta e abriram fogo contra Alexandre. Mais de 15 disparos foram efetuados e uma equipe de urgência constatou a morte ainda no local.
A quantidade de tiros e o material recolhido pela perícia chamaram a atenção dos investigadores. Na cena do homicídio foram encontradas cápsulas dos calibres 9 mm, .380 e .38. A presença de munições de diferentes calibres é um dos elementos que serão analisados para determinar quantas armas foram utilizadas. As informações iniciais levantam a possibilidade de mais de uma arma ter sido empregada no ataque, mas essa conclusão ainda dependerá da perícia e da investigação.
A dinâmica registrada até agora aponta para um ataque rápido. Alexandre havia chegado ao estacionamento para guardar o veículo quando a motocicleta se aproximou. Os dois ocupantes teriam efetuado os disparos e deixado o local. Até a atualização consultada neste domingo (16), ninguém havia sido preso e a identidade dos autores permanecia desconhecida.
Investigadores estiveram no endereço após o crime, mas não localizaram testemunhas presenciais capazes de identificar os atiradores ou esclarecer detalhes adicionais sobre a aproximação da motocicleta. Uma câmera de monitoramento, entretanto, foi localizada e registrou uma moto com os suspeitos. Conforme o boletim de ocorrência citado na apuração, a baixa resolução das imagens ainda não permitia identificar características suficientes dos envolvidos ou do veículo. O caso ficará sob investigação da Delegacia de Investigações Gerais de Jacareí, a DIG.
O homicídio ganha contornos ainda mais graves por causa do histórico recente da vítima. Alexandre havia sobrevivido a outro ataque a tiros cerca de dois meses antes. Na primeira tentativa de homicídio, ele foi baleado duas vezes e um dos projéteis teria ficado alojado em seu pulmão. Segundo o depoimento prestado pela irmã de Alexandre, de 31 anos, um adolescente teria sido apontado naquele episódio, chegou a ser apreendido e posteriormente foi colocado em liberdade pela Justiça.
Uma ocorrência registrada em 25 de junho de 2026, em Jacareí, apresenta características semelhantes às relatadas agora pela família. Naquele dia, um homem de 24 anos foi baleado no tórax em um conjunto habitacional no Jardim Colinas, na Estrada Teófilo Teodoro Resende. Um adolescente de 16 anos foi apreendido e o caso foi registrado como ato infracional análogo à tentativa de homicídio. A Polícia Militar informou na ocasião que teriam ocorrido três disparos, e a vítima foi socorrida para a UPA Dr. Thelmo. A reportagem publicada na época, porém, não divulgou o nome do homem baleado, por isso não é possível afirmar apenas a partir dessa publicação que se tratava de Alexandre.
Na ocorrência de junho, a apuração apontava ainda para uma possível discussão anterior envolvendo uma mulher como motivação para o ataque. O adolescente apreendido permaneceu em silêncio na presença da mãe, um celular foi recolhido e a Polícia Civil requisitou exame residuográfico. A arma utilizada não havia sido localizada até a conclusão inicial daquele registro. Como a vítima não foi identificada publicamente naquela matéria, esses detalhes não podem ser automaticamente atribuídos ao primeiro atentado sofrido por Alexandre sem confirmação das autoridades.
Agora, após a morte de Alexandre, a irmã informou aos investigadores acreditar que o mesmo adolescente citado por ela em relação à tentativa anterior possa ter alguma ligação com o homicídio de sábado. A informação consta no relato familiar, mas precisa ser tratada como uma hipótese. Até esta atualização, o adolescente não havia sido indiciado pelo novo crime e não existe confirmação policial de que ele tenha participado do assassinato. A Polícia Civil deverá verificar se há ou não conexão entre os dois ataques.
Segundo a irmã, depois de deixar o hospital em razão do primeiro atentado, Alexandre não comentou com a família sobre novas ameaças. Os parentes relataram ainda que ele trabalhava como pedreiro e havia começado a frequentar uma igreja ao lado de familiares, demonstrando, segundo o depoimento, vontade de mudar os rumos da própria vida.
Essas informações também passam a ser importantes para os investigadores porque uma das perguntas centrais é justamente descobrir o motivo pelo qual Alexandre foi novamente localizado e atacado. A existência de um atentado anterior será analisada, mas a repetição da violência contra a mesma vítima não permite, por si só, concluir que os dois crimes tenham os mesmos autores ou a mesma motivação.
A perícia realizada no Jardim do Vale deverá confrontar as cápsulas recolhidas com outros elementos balísticos disponíveis, enquanto a DIG poderá buscar novas gravações em imóveis e estabelecimentos próximos à Avenida Vicência Batista da Silva. A câmera já identificada mostra uma motocicleta, mas, segundo a apuração divulgada, as imagens inicialmente disponíveis não apresentavam resolução suficiente para permitir a identificação dos ocupantes.
Outro ponto ainda sem resposta é se Alexandre vinha sendo acompanhado pelos autores antes de chegar ao estacionamento ou se os atiradores já sabiam que ele estaria naquele endereço. Também não há informação confirmada sobre o modelo ou a placa da motocicleta, características físicas dos dois homens ou eventual rota de fuga utilizada depois dos disparos. Esses elementos permanecem entre as lacunas da investigação.
O caso foi registrado como homicídio. A principal linha de trabalho agora será identificar os dois homens que aparecem ligados à motocicleta, estabelecer a motivação do ataque e descobrir se a morte de Alexandre possui alguma relação com a tentativa de homicídio da qual ele havia escapado semanas antes. Até o momento, essa conexão é apenas uma possibilidade levantada no depoimento da família.
Aos 24 anos, Alexandre morreu pouco tempo depois de sobreviver a um primeiro ataque que já havia deixado consequências graves. Desta vez, a sequência de disparos no Jardim do Vale não deu chance para um novo socorro. A autoria permanece desconhecida e a investigação está sob responsabilidade da DIG de Jacareí.


