Quarta-feira, Agosto 12, 2026
Plantão Policial

TRÊS MESES ESCONDIDO NA COSTA VERDE: FORAGIDO APONTADO COMO INTEGRANTE DO “SINDICATO DO CRIME” É PRESO EM ANGRA


Uma troca de informações entre policiais de dois estados terminou com a prisão de um homem de 38 anos que estava havia aproximadamente três meses vivendo em Angra dos Reis. Procurado pela Justiça do Rio Grande do Norte e apontado pela Polícia Civil como integrante de uma organização criminosa armada, ele foi localizado na segunda feira, 10 de agosto, no bairro Japuíba, durante mais uma ação da Operação Olhos de Águia.

Informações complementares obtidas durante a apuração apontam que o homem é natural de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Contra ele havia um mandado de prisão preventiva expedido pela Unidade Judiciária de Delitos de Organizações Criminosas do Tribunal de Justiça potiguar. Segundo a Polícia Civil, a ordem judicial está relacionada à investigação pelo crime de organização criminosa armada.

A captura aconteceu no fim da tarde e envolveu agentes da 166ª Delegacia de Polícia de Angra dos Reis e da Delegacia Fazendária, a Delfaz, sediada na Cidade da Polícia, no Rio de Janeiro. A localização foi possível após o intercâmbio de informações entre setores de inteligência da Polícia Civil do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Norte.

A operação que levou até o foragido recebeu o nome de Olhos de Águia. A iniciativa da 166ª DP tem como uma de suas frentes identificar e localizar pessoas procuradas pela Justiça de outros estados que estejam tentando se estabelecer em Angra dos Reis ou em outros pontos da Costa Verde. O trabalho utiliza cruzamento de informações com diferentes órgãos de inteligência e recursos tecnológicos de monitoramento disponíveis na região.

As investigações indicaram que o homem havia deixado o Rio Grande do Norte depois da decretação de sua prisão preventiva e seguido para o estado do Rio de Janeiro. Em Angra, segundo informações divulgadas após a captura, ele estava vivendo havia cerca de três meses e buscava manter uma rotina discreta na região da Grande Japuíba.

Um dos detalhes encontrados na apuração é que o foragido estaria trabalhando em um estabelecimento de hortifrúti enquanto permanecia na cidade. Segundo informações atribuídas à Polícia Civil, a rotina fazia parte do período em que ele permanecia em Angra enquanto era procurado pela Justiça potiguar.

Depois de confirmarem o ponto onde o homem poderia ser encontrado, os policiais seguiram para Japuíba. Ele foi surpreendido durante a abordagem e, conforme as informações divulgadas sobre a operação, não ofereceu resistência à prisão.

O histórico criminal também entrou na apuração. Segundo a Polícia Civil, o preso possui uma condenação anterior por roubo de motocicleta no Rio Grande do Norte, crime pelo qual teria cumprido aproximadamente oito anos de reclusão em regime fechado.

Foi durante sua passagem pelo sistema penitenciário potiguar que, segundo a Polícia Civil, ele teria passado a integrar o chamado Sindicato do Crime do Rio Grande do Norte, também conhecido pela sigla SDC. A organização surgiu no sistema prisional potiguar na década passada e é apontada em estudos acadêmicos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como uma das principais facções criminosas do estado.

A Polícia Civil atribui ao investigado ligação com essa organização e informou que ele passou a responder a novos processos relacionados à atuação do grupo. É justamente uma investigação envolvendo organização criminosa armada que fundamentou o mandado de prisão preventiva cumprido em Angra dos Reis. A existência do mandado não representa condenação definitiva nesse processo, que segue sob responsabilidade da Justiça do Rio Grande do Norte.

Após a captura, o homem foi conduzido à 166ª DP de Angra dos Reis, onde o mandado expedido pela Justiça potiguar foi formalmente cumprido. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte foi comunicado sobre a prisão. Após os procedimentos legais e a audiência de custódia, ele foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça.

O caso reforça uma das linhas de atuação da Operação Olhos de Águia, que procura impedir que pessoas foragidas de outros estados utilizem Angra dos Reis e a Costa Verde como locais para permanecer fora do alcance de ordens judiciais. A 166ª DP vem utilizando inteligência policial, intercâmbio de informações e monitoramento para localizar alvos com mandados de prisão em aberto.

Desta vez, o trabalho começou a centenas de quilômetros da Costa Verde, com informações vindas do Rio Grande do Norte, avançou pelo cruzamento de dados entre as duas Polícias Civis e terminou em Japuíba. Depois de cerca de três meses vivendo na cidade, o homem procurado pela Justiça potiguar teve a rotina interrompida pela chegada das equipes da 166ª DP e da Delfaz.

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