ADEUS, MARCELO: IDOSO RESGATADO VIVO DOS ESCOMBROS MORRE SEIS DIAS APÓS EXPLOSÃO DESTRUIR CASA EM VARGINHA
Seis dias depois de ser retirado com vida dos escombros da própria casa, Marcelo Passos, de 81 anos, não resistiu às graves queimaduras provocadas pela explosão que destruiu sua residência no bairro Santana, em Varginha, no Sul de Minas. A morte foi confirmada na manhã desta segunda feira, 10 de agosto, na Santa Casa de São Sebastião do Paraíso, onde ele permanecia internado em uma unidade especializada no tratamento de queimados.
O caso já havia sido acompanhado pelo Jornal A Notícia desde a madrugada de terça feira, 4 de agosto, quando uma explosão seguida de incêndio atingiu a residência localizada na Avenida Expedicionários. Na ocasião, Marcelo, que utilizava cadeira de rodas, foi encontrado consciente sob partes da estrutura que haviam desabado com a força do impacto.
O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 1h50 e encontrou um cenário de grande destruição. Parte do imóvel havia desabado, havia fogo no interior da casa e existia a possibilidade de novas ocorrências devido à presença de botijões de gás. Os militares iniciaram simultaneamente o combate às chamas, a busca por vítimas e a avaliação das condições da estrutura.
Durante a varredura, Marcelo foi localizado embaixo dos escombros. Mesmo ferido, ele estava consciente. Os bombeiros conseguiram retirá lo da área de risco e o encaminharam para atendimento de uma equipe de Suporte Avançado do Samu. Em seguida, ele foi levado ao Hospital Bom Pastor, em Varginha, para os primeiros cuidados hospitalares.
A gravidade das queimaduras exigiu posteriormente sua transferência. Na manhã de quarta feira, 5 de agosto, Marcelo foi levado para o Hospital de Queimados da Santa Casa de São Sebastião do Paraíso, referência para esse tipo de atendimento na região. Segundo as informações divulgadas posteriormente, ele apresentava queimaduras graves em praticamente todo o corpo e permaneceu internado por seis dias.
O quadro, no entanto, evoluiu de forma desfavorável. Apesar do atendimento especializado, Marcelo não resistiu às complicações provocadas pelas lesões e morreu na manhã de segunda feira. A morte encerrou uma luta que havia começado de forma dramática, mas com esperança, quando ele foi retirado vivo debaixo dos destroços.
As investigações sobre o acidente apontam para um vazamento de gás como principal causa da explosão. Durante o atendimento inicial, os bombeiros localizaram diversos botijões no imóvel. Um deles ainda apresentava vazamento ativo e precisou ser retirado da casa e levado para uma área segura para evitar uma nova explosão.
Uma das hipóteses levantadas durante as primeiras apurações é de que o gás tenha se acumulado dentro da residência e, posteriormente, uma centelha tenha provocado a ignição. Um veículo regional chegou a relatar que a possibilidade investigada seria a de que Marcelo tivesse acionado um interruptor durante a madrugada, mas essa dinâmica não havia sido oficialmente confirmada como conclusão pericial.
A explosão foi tão forte que não atingiu apenas a casa de Marcelo. A onda de choque derrubou muros, quebrou vidros e provocou danos estruturais em imóveis próximos. Moradores relataram ter ouvido o estrondo em outros pontos da região.
Após uma vistoria, a Defesa Civil determinou a interdição cautelar de quatro residências nas proximidades devido aos danos estruturais provocados pela explosão. A medida foi adotada para evitar que moradores permanecessem em imóveis que eventualmente apresentassem risco de desabamento.
A Polícia Civil também esteve no local e realizou os primeiros trabalhos de perícia. Os exames técnicos deverão apontar de forma definitiva de onde partiu o vazamento, como ocorreu o acúmulo do gás e qual foi o ponto de ignição responsável pela explosão.
No dia do acidente, depois do resgate de Marcelo, os bombeiros permaneceram na residência realizando o combate ao incêndio e o trabalho de rescaldo. Uma nova varredura foi feita entre os destroços e confirmou que não havia outras vítimas dentro do imóvel.
A ocorrência ganhou ainda mais impacto pela condição da vítima. Marcelo morava sozinho e utilizava cadeira de rodas, circunstância que tornou o resgate ainda mais delicado. O Jornal A Notícia havia destacado no primeiro registro do caso a mobilização das equipes para encontrá lo e retirá lo com vida em meio aos destroços.
Com a confirmação da morte, o corpo de Marcelo foi levado para Paraguaçu, também no Sul de Minas. O velório acontece nesta terça feira, 11 de agosto, no Velório Municipal da cidade, e o sepultamento está previsto para as 11h, no Cemitério Municipal de Paraguaçu.
A morte transforma em despedida uma história que, inicialmente, havia sido marcada pelo alívio do resgate. No dia 4 de agosto, Marcelo saiu vivo de uma casa praticamente destruída. Seis dias depois, as consequências das queimaduras provocadas pela explosão encerraram sua luta pela vida.


