CERCO FECHADO NO CASO BERENICE: SOBRINHO DA EX-PATROA É PRESO E INVESTIGAÇÃO CHEGA A TRÊS DETIDOS
A investigação sobre a morte da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, avançou com a prisão do terceiro suspeito apontado pela Polícia Civil. O sobrinho de Eliane Alves dos Santos, ex-patroa da vítima e indicada no inquérito como autora do disparo fatal, foi preso na tarde desta terça-feira, dia 4 de agosto, em Ubatuba. Com a captura, os três investigados que tiveram a prisão preventiva decretada estão detidos.
O homem era considerado foragido desde a expedição da ordem judicial. Segundo a Delegacia de Investigações Gerais de São Sebastião, equipes policiais realizaram diligências na residência do investigado, mas não o encontraram no imóvel.
Cerca de dez minutos depois, o advogado do suspeito entrou em contato com os policiais e informou que o cliente iria se apresentar. Assim que compareceu, o mandado de prisão preventiva foi cumprido e o homem permaneceu à disposição da Justiça.
A Polícia Civil não divulgou o nome do sobrinho nem informou qual participação específica teria sido atribuída a ele na morte de Berenice. A corporação afirmou que os elementos reunidos durante a investigação foram considerados suficientes para incluí-lo entre os investigados e fundamentar o pedido de prisão preventiva.
Além do sobrinho, permanecem presos Eliane Alves dos Santos e o atual companheiro dela, um policial militar da reserva. A prisão dos três encerra, neste momento, o cumprimento das ordens judiciais expedidas durante a apuração do caso.
Eliane foi presa no dia 10 de julho, durante a Operação Último Rastro. Inicialmente, a ex-patroa da cozinheira teve a prisão temporária decretada. Após o avanço das investigações e a conclusão do inquérito, a medida foi convertida em prisão preventiva.
O companheiro de Eliane foi localizado e preso na noite de segunda-feira, dia 3 de agosto, em uma residência situada na região da Praia do Estaleiro, no bairro Ubatumirim, em Ubatuba. Ele também teve a prisão preventiva determinada pela Justiça.
Segundo a Polícia Civil, o relatório final da investigação aponta que Eliane teria efetuado o disparo que provocou a morte de Berenice. A conclusão policial deverá ser analisada pelo Ministério Público e posteriormente pela Justiça, uma vez que ainda não existe condenação definitiva.
A responsabilidade individual do companheiro e do sobrinho também será examinada ao longo do processo. Até o momento, a Polícia Civil não tornou públicos os detalhes sobre o que cada um teria feito antes, durante ou depois da morte da cozinheira.
O caso começou como um desaparecimento no fim de junho. Berenice deixou o local onde trabalhava, na região de Ubatumirim, e não voltou a ser vista. A ausência repentina mobilizou familiares e deu início a uma busca que terminou semanas depois com a localização do corpo em outro estado.
A Delegacia de Investigações Gerais de São Sebastião assumiu a apuração e passou a analisar os últimos passos da cozinheira. Durante os depoimentos, os investigadores identificaram inconsistências nas versões apresentadas e ampliaram as diligências.
A investigação reuniu imagens de câmeras de segurança, registros de radares, informações telefônicas, dados eletrônicos e provas periciais. Veículos, armas, aparelhos celulares e outros objetos também foram apreendidos para análise.
Um dos principais elementos encontrados pela Polícia Científica foram vestígios de sangue em uma caminhonete ligada ao caso. O material foi identificado após a aplicação de luminol, substância utilizada para localizar marcas que podem ter sido limpas ou que não são facilmente percebidas a olho nu.
O corpo de Berenice foi encontrado no dia 17 de julho em uma área de mata de Serra d’Água, em Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro. A vítima estava em um penhasco de difícil acesso, às margens da RJ 155.
A retirada do corpo exigiu o apoio do Corpo de Bombeiros e o uso de técnicas de rapel. Após o resgate, a identidade foi confirmada pela Polícia Civil com base no reconhecimento realizado pela família.
A localização do corpo encerrou a busca pela cozinheira, mas abriu uma nova etapa da investigação. A polícia passou a concentrar os trabalhos na reconstrução da morte, na possível movimentação do corpo e na identificação de todas as pessoas que teriam participado dos fatos.
Com Eliane, o companheiro e o sobrinho presos, o inquérito deverá ser encaminhado ao Ministério Público. O órgão poderá oferecer denúncia à Justiça, pedir novas diligências ou solicitar outros esclarecimentos antes de tomar uma decisão.
Caso a denúncia seja apresentada e aceita pela Justiça, os três investigados passarão à condição de réus. Até que haja julgamento, todos possuem direito à ampla defesa e ao contraditório.
A morte de Berenice, inicialmente cercada pelo mistério de um desaparecimento, passou a ser investigada por meio de provas periciais, cruzamento de dados e análise de diferentes versões. Agora, com os três suspeitos detidos, a Justiça deverá avaliar a responsabilidade atribuída a cada um no caso que terminou com o corpo da cozinheira abandonado em um penhasco entre Ubatuba e Angra dos Reis.


