Segunda-feira, Agosto 3, 2026
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DOIS RINS E UM FÍGADO DEIXAM VOLTA REDONDA E LEVAM NOVA ESPERANÇA A PACIENTES NA FILA DE TRANSPLANTES


Em meio à dor provocada pela perda de um familiar, uma decisão de solidariedade abriu caminho para que outras pessoas tivessem uma nova oportunidade de tratamento. O Hospital Municipal Dr. Munir Rafful, conhecido como Hospital do Retiro, realizou no domingo, 2 de agosto, a primeira captação de órgãos de 2026 na unidade, com a retirada dos dois rins e do fígado de um paciente de 71 anos.

O procedimento foi conduzido por cirurgiões do RJ Transplantes, ligado à Central Estadual de Transplantes, após a confirmação da morte encefálica e a autorização da família do doador. Os três órgãos foram encaminhados para pacientes cadastrados na fila única de transplantes, seguindo os critérios técnicos de compatibilidade e prioridade estabelecidos pelo sistema estadual.

O paciente estava internado na Sala Vermelha do Hospital Municipal Dr. Munir Rafful desde o dia 27 de julho. Ele havia procurado inicialmente a Unidade de Pronto Atendimento do bairro Santo Agostinho, onde recebeu o diagnóstico de traumatismo cranioencefálico, sendo posteriormente transferido para o Hospital do Retiro diante da gravidade do quadro.

Após a realização dos exames e avaliações previstos nos protocolos médicos, a morte encefálica foi confirmada no dia 30 de julho. Somente depois da conclusão de todas as etapas necessárias e da confirmação definitiva do óbito, a família foi abordada sobre a possibilidade da doação.

A autorização ocorreu após um trabalho conjunto entre os médicos responsáveis pelo atendimento e a equipe de psicologia do hospital. Os familiares receberam as explicações necessárias sobre o diagnóstico, o processo de captação e a possibilidade de os órgãos ajudarem pacientes que aguardavam por um transplante.

A secretária municipal de Saúde e diretora geral do Hospital Municipal Dr. Munir Rafful, Márcia Cury, destacou que a decisão da família foi tomada em um momento extremamente difícil, mas poderá representar uma nova oportunidade para pessoas que enfrentam doenças graves e dependem de um órgão para continuar o tratamento.

Segundo ela, a doação representa um gesto de generosidade capaz de transformar a realidade de pacientes e famílias que aguardam na fila de transplantes. A secretária também reforçou a importância de conversar com os parentes sobre o desejo de ser doador, já que a autorização familiar continua sendo obrigatória para a retirada de órgãos após a morte.

Além da importância médica e humana do procedimento, a captação realizada no Hospital do Retiro também chamou atenção pela utilização de uma nova tecnologia no transporte dos rins. A equipe do RJ Transplantes utilizou caixas com sistema de refrigeração controlada e monitoramento digital.

De acordo com a coordenadora do centro cirúrgico do hospital, enfermeira Vera Marques, os equipamentos funcionam como pequenos refrigeradores portáteis, mantendo a temperatura dos órgãos de forma estável durante o deslocamento até as unidades onde serão realizados os transplantes.

A tecnologia oferece maior controle sobre as condições de conservação e reduz o contato direto dos órgãos com o gelo, diminuindo os riscos de danos aos tecidos. O sistema também permite o acompanhamento digital da temperatura durante todo o transporte.

Os dois rins foram colocados em caixas identificadas separadamente, com informações referentes ao doador e à localização de cada órgão. O fígado também foi encaminhado pela Central Estadual de Transplantes para um paciente selecionado de acordo com os critérios técnicos previstos.

A definição dos receptores não é realizada pelo hospital onde acontece a captação. A escolha ocorre por meio da fila estadual, considerando fatores como compatibilidade sanguínea, gravidade do quadro, tempo de espera, condições clínicas e disponibilidade para a realização do transplante.

Até o momento, não foram divulgadas informações sobre as cidades ou os hospitais que receberam os órgãos. Os nomes, as idades e as condições clínicas dos pacientes beneficiados também são mantidos em sigilo, conforme as normas do sistema de transplantes.

A captação realizada no domingo foi a primeira de 2026 no Hospital Municipal Dr. Munir Rafful. A unidade já participou de outros procedimentos semelhantes, contribuindo para o trabalho desenvolvido pela rede estadual de transplantes e pelas equipes especializadas responsáveis pela retirada, transporte e destinação dos órgãos.

O caso também reforça a importância da estrutura hospitalar para a identificação de possíveis doadores, a abertura do protocolo de morte encefálica, a realização dos exames necessários e o acolhimento dos familiares durante todo o processo.

A morte encefálica representa a perda completa e irreversível das funções do cérebro e do tronco cerebral. O diagnóstico segue critérios rigorosos e exige avaliações realizadas por médicos capacitados, além de exames complementares e do cumprimento dos prazos estabelecidos pelos protocolos nacionais.

Depois da confirmação da morte, a doação somente pode ser realizada com a autorização dos familiares. Por esse motivo, profissionais da saúde reforçam que manifestar previamente o desejo de ser doador pode ajudar os parentes a tomarem uma decisão em um momento de sofrimento e despedida.

No Hospital do Retiro, a decisão da família de um paciente de 71 anos permitiu que dois rins e um fígado fossem retirados e encaminhados para pessoas que aguardavam por uma oportunidade na fila de transplantes.

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