Sexta-feira, Julho 24, 2026
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RINHAS HUMANAS, APOSTAS E MORTE: ADOLESCENTE É APREENDIDO POR SUSPEITA DE PARTICIPAÇÃO EM HOMICÍDIO EM CARAGUATATUBA


Encontros clandestinos marcados por lutas sem qualquer estrutura de segurança, apostas em dinheiro e conflitos entre participantes passaram a fazer parte da investigação sobre a morte de Guilherme, conhecido como Gui, de 18 anos, em Caraguatatuba. Um adolescente de 17 anos foi apreendido pela Polícia Civil sob suspeita de participação no homicídio, enquanto pelo menos um adulto identificado pelos investigadores continua foragido.

A apreensão aconteceu na quinta-feira (23), durante o cumprimento de uma ordem judicial no bairro Olaria. O adolescente foi localizado na Avenida Ipiranga, mesma região onde as chamadas “rinhas humanas” vinham sendo realizadas e divulgadas por meio de vídeos nas redes sociais.

O homicídio aconteceu na madrugada de segunda-feira, 29 de junho. Guilherme foi encontrado por volta das 1h52, na Rua dos Mineiros, também no bairro Olaria. A vítima apresentava ferimentos provocados por disparos de arma de fogo, incluindo tiros na região da cabeça.

Informações reunidas no início da apuração indicam que o jovem havia estado em uma adega acompanhado de amigos e teria se envolvido em um desentendimento antes de deixar o estabelecimento. Pouco depois, os disparos foram ouvidos e Guilherme foi encontrado caído na via pública.

Com o avanço das investigações, a Polícia Civil passou a relacionar o assassinato aos encontros clandestinos organizados no bairro para a realização de lutas com apostas em dinheiro. A principal linha de apuração aponta que conflitos financeiros envolvendo essas disputas podem ter motivado o crime.

Apesar dessa ligação apontada pela polícia, ainda não está totalmente esclarecido se Guilherme foi morto durante uma das lutas ou depois de participar de um encontro. A informação confirmada até o momento é que o homicídio estaria relacionado às disputas clandestinas e aos desentendimentos surgidos em torno das apostas.

Segundo a investigação, o assassinato não teria ocorrido de maneira improvisada. Os elementos reunidos apontam possível planejamento anterior, acompanhamento da movimentação da vítima, atuação coordenada entre os envolvidos e divisão de tarefas.

Essas circunstâncias levaram a Polícia Civil a investigar o caso como homicídio qualificado. Os agentes analisaram imagens, cruzaram informações de inteligência, realizaram diligências e acompanharam publicações e perfis em redes sociais para identificar os possíveis participantes.

O adolescente de 17 anos teria agido em conjunto com pelo menos um homem adulto. A polícia ainda não informou qual teria sido exatamente a função de cada investigado, nem confirmou quem efetuou os disparos que mataram Guilherme.

Durante o cumprimento do mandado na residência ligada ao adolescente, os policiais apreenderam um telefone celular. O aparelho deverá passar por análise e poderá fornecer informações sobre contatos, mensagens, imagens, localização e possíveis conversas relacionadas ao homicídio e às lutas clandestinas.

Depois dos procedimentos realizados na Delegacia Sede de Caraguatatuba, o adolescente foi encaminhado à Fundação Casa, onde permaneceu à disposição da Justiça. A mãe dele foi comunicada e acompanhou as providências adotadas pelas autoridades.

O caso ganhou ainda mais repercussão porque as lutas clandestinas já haviam provocado chamados à Guarda Civil Municipal. A corporação recebeu ao menos duas denúncias sobre encontros no bairro Olaria, mas, quando as equipes chegaram aos locais indicados, os participantes fugiram antes de qualquer abordagem.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostravam homens, mulheres e adolescentes participando dos confrontos. As gravações apresentavam pessoas com portes físicos muito diferentes sendo colocadas frente a frente, sem equipamentos de proteção, acompanhamento profissional ou critérios aparentes de segurança.

Segundo informações apuradas sobre os encontros, as lutas também seriam utilizadas para resolver desavenças entre pessoas ligadas a atividades criminosas. Havia ainda a suspeita de circulação de dinheiro por meio das apostas feitas por participantes e espectadores.

Até o momento, não foram divulgados os valores movimentados, a identidade dos organizadores, a forma de escolha dos lutadores ou quem recebia o dinheiro das apostas. A polícia também apura se outras pessoas colaboravam com a organização, gravação, divulgação ou financiamento dos confrontos.

As diligências continuam para localizar o adulto apontado como participante do homicídio e identificar outros possíveis envolvidos. A investigação também deverá esclarecer a dinâmica completa do ataque, a origem da arma utilizada e a participação atribuída a cada suspeito.

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