Sexta-feira, Julho 24, 2026
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INFÂNCIA MARCADA POR MEDO: MÃE E PADRASTO SÃO PRESOS SOB SUSPEITA DE TORTURAR QUATRO CRIANÇAS EM CUNHA


Relatos de agressões com vara de espinhos, fio de trator, pedaços de madeira, chinelos, socos, chutes e até golpes com cadeira levaram à prisão temporária de uma mãe, de 30 anos, e do padrasto das crianças, de 37, em Cunha. O casal é investigado por suspeita de maus-tratos e tortura contra quatro irmãos com idades entre 4 e 10 anos.

As prisões foram cumpridas na manhã de quinta-feira (23), por volta das 10h10, no bairro rural Falcão. Policiais militares abordaram o casal e, durante a consulta aos sistemas de segurança, constataram a existência de mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça a pedido da Polícia Civil.

O caso começou a ser investigado depois que o pai recebeu os quatro filhos para o período de férias escolares, na sexta-feira (17), em Cachoeira Paulista. Durante os cuidados com as crianças, ele e sua atual companheira perceberam hematomas, escoriações, cortes, cicatrizes e outras marcas espalhadas pelos corpos dos irmãos.

Segundo os relatos apresentados à polícia, as crianças inicialmente demonstraram medo e resistência para falar sobre o que teria acontecido. Depois de conversas realizadas separadamente, os irmãos teriam contado que eram submetidos a agressões físicas e psicológicas recorrentes dentro da residência onde viviam com a mãe e o padrasto.

As crianças afirmaram que eram atingidas com vara de espinhos, fio de trator, pedaços de madeira e chinelos. Também relataram socos, chutes e golpes com uma cadeira. Todas essas declarações continuam sendo apuradas pela Polícia Civil e deverão ser confrontadas com os laudos periciais, os prontuários médicos e os demais elementos reunidos no inquérito.

Além das agressões, os irmãos teriam contado que eram obrigados a dormir diretamente no chão, inclusive em noites frias, e que passavam períodos sem alimentação adequada. Eles também afirmaram que permaneciam sozinhos durante a noite enquanto os responsáveis saíam da residência.

Após perceber as lesões, o pai procurou as autoridades e registrou a ocorrência inicialmente na Delegacia de Cachoeira Paulista. Como os fatos teriam acontecido em Cunha, a investigação foi encaminhada à delegacia responsável pelo município, que reuniu informações e solicitou à Justiça a prisão temporária dos investigados.

As vítimas receberam atendimento médico e foram encaminhadas ao Instituto Médico Legal para a realização de exames periciais. Segundo informações reproduzidas a partir do boletim de ocorrência, um médico pediatra identificou escoriações no tronco e nos membros, além de lesões compatíveis com a ação de objetos cortantes e contundentes.

Há divergência entre as publicações sobre a unidade de saúde responsável pelo primeiro atendimento. Algumas informações apontam a Santa Casa de Cunha, enquanto outras mencionam a Santa Casa de Guaratinguetá. A confirmação oficial deverá constar nos documentos médicos anexados à investigação.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, os policiais apreenderam dois telefones celulares pertencentes aos investigados. Os aparelhos foram lacrados e deverão passar por análise, que poderá identificar mensagens, fotografias, vídeos ou outros elementos relacionados às denúncias.

Os agentes também recolheram um simulacro de arma de fogo encontrado na residência. O objeto foi descrito como uma pistola de airsoft metálica, de cor preta e sem a ponteira laranja obrigatória, característica que poderia fazê-la parecer uma arma verdadeira.

Segundo o registro policial, o padrasto trabalha como servidor público municipal e exerceria a função de servente. A Prefeitura de Cunha informou que não tinha conhecimento prévio das acusações, repudiou qualquer forma de violência contra crianças e declarou que poderá adotar medidas administrativas caso os fatos sejam confirmados pelas autoridades responsáveis.

Após a prisão, a mãe e o padrasto foram conduzidos à Delegacia de Polícia de Cunha. Os dois passaram por exames de corpo de delito no Instituto Médico Legal de Guaratinguetá e, posteriormente, foram encaminhados à Cadeia Pública de Lorena, onde permaneceram à disposição da Justiça.

A prisão temporária foi determinada para permitir o avanço das investigações e não representa condenação. A Polícia Civil deverá analisar os laudos médicos, os exames realizados nas crianças, os celulares apreendidos, os depoimentos dos familiares e as declarações dos investigados antes de concluir o inquérito.

O processo tramita em segredo de justiça por envolver crianças. Por esse motivo, os nomes das vítimas e dos investigados não foram divulgados. Até a última atualização, não havia manifestação pública da defesa do casal.

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