Quinta-feira, Julho 23, 2026
Cidades

ALERTA NO MAR: AUMENTO DE ÁGUAS VIVAS ACENDE SINAL DE ATENÇÃO NAS PRAIAS DO LITORAL DE SÃO PAULO


A chegada do inverno trouxe um risco que muitas vezes passa despercebido entre moradores e turistas que frequentam as praias paulistas. O Grupamento de Bombeiros Marítimo emitiu um alerta sobre o aumento da presença de águas vivas em todo o litoral de São Paulo, fenômeno favorecido pelas mudanças nos ventos, nas correntes marítimas e na temperatura da água durante esta época do ano.

Segundo o GBMar, a passagem frequente de frentes frias, a ocorrência de ressacas e a entrada de águas mais frias vindas da região Sul podem transportar esses animais para áreas próximas da costa. Com isso, águas vivas que normalmente permaneceriam em pontos mais afastados podem aparecer em maior quantidade no mar ou encalhadas na faixa de areia.

Apesar de causar preocupação entre os banhistas, a presença desses organismos é considerada um fenômeno natural e sazonal. Ainda assim, o alerta exige atenção redobrada, principalmente de famílias com crianças, pessoas que caminham descalças pela areia e banhistas que entram no mar sem observar as condições da praia.

O contato com os tentáculos das águas vivas pode provocar dor, ardência, vermelhidão e marcas na pele. Popularmente, o ferimento é chamado de queimadura, mas o Ministério da Saúde explica que se trata de um envenenamento provocado pela liberação de toxinas presentes em estruturas microscópicas dos tentáculos.

Mesmo quando aparentam estar mortas, as águas vivas encontradas na areia ainda podem causar lesões. Os tentáculos podem continuar liberando toxinas depois que o animal encalha, motivo pelo qual não devem ser tocados, empurrados ou manuseados.

A orientação é impedir que crianças brinquem com esses animais ou tentem devolvê los ao mar. Também é importante evitar o contato com partes aparentemente separadas do corpo, já que fragmentos de tentáculos podem manter a capacidade de provocar irritação e dor.

Ao perceber grande quantidade de águas vivas na água ou espalhadas pela areia, o banhista deve evitar entrar no mar e procurar informações com os guarda vidas. A presença de vários animais na faixa de areia pode indicar que outros estão circulando próximos à costa.

Os bombeiros informaram que não mantêm um levantamento estatístico específico dos atendimentos relacionados a águas vivas. Por esse motivo, não há uma relação oficial das praias mais atingidas nem um número consolidado de pessoas atendidas durante este inverno.

Em caso de contato, a primeira orientação é sair imediatamente da água e procurar um posto de guarda vidas ou uma unidade de saúde. A região atingida não deve ser esfregada com as mãos, toalhas ou areia, pois o atrito pode estimular a liberação de mais toxinas.

Também não é recomendado lavar o local com água doce. Segundo as orientações oficiais, a água doce pode provocar a descarga das estruturas que ainda estejam aderidas à pele e aumentar a dor e a irritação.

A limpeza inicial deve ser realizada com água do próprio mar, sem esfregar. Caso existam tentáculos presos à pele, eles não devem ser retirados com as mãos desprotegidas. A remoção precisa ser feita com cuidado, utilizando uma pinça ou outro instrumento adequado, preferencialmente com orientação de um profissional.

O Ministério da Saúde também orienta o uso de vinagre, que contém ácido acético, sobre a região atingida. O produto pode ajudar a impedir a liberação de novas toxinas por estruturas ainda presentes na pele, mas a aplicação deve ser realizada sem esfregar o ferimento.

Receitas populares, como aplicar urina, álcool ou outras substâncias sobre a lesão, não são recomendadas. Além de não oferecerem benefício comprovado, essas práticas podem piorar o quadro e aumentar a liberação de toxinas.

Na maioria dos casos, os sintomas permanecem concentrados na pele, com dor, ardência e vermelhidão. Entretanto, exposições mais intensas podem provocar inchaço, bolhas, dor de cabeça, náuseas, vômitos, febre, espasmos musculares, mal estar e alterações no funcionamento do coração.

Crianças, idosos, pessoas com problemas de saúde e vítimas atingidas em uma área extensa do corpo precisam de atenção especial. Dificuldade para respirar, fraqueza intensa, vômitos persistentes, desmaio ou alterações cardíacas são sinais de gravidade e exigem atendimento de urgência.

O alerta vale para todo o litoral paulista, incluindo as praias do Litoral Norte, Baixada Santista e Litoral Sul. Até o momento, não há informação oficial sobre interdição de praias em razão do aumento das águas vivas.

A recomendação é observar a faixa de areia antes de entrar no mar, respeitar as orientações dos guarda vidas e evitar áreas onde houver concentração dos animais. Em situações de emergência, o Corpo de Bombeiros pode ser acionado pelo telefone 193 e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pelo número 192.

Foto: Alberto Lindner/Arquivo pessoal

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

error: Content is protected !!