JUSTIÇA POR YURI: PADRASTO É CONDENADO A MAIS DE 28 ANOS DE PRISÃO PELA MORTE DO MENINO DE 2 ANOS EM TAUBATÉ
O Tribunal do Júri de Taubaté condenou Igor Ortiz a 28 anos, 9 meses e 16 dias de prisão pela morte do menino Yuri, de apenas 2 anos. A sentença foi anunciada na noite desta quarta-feira, dia 22 de julho de 2026, depois de um julgamento marcado por depoimentos emocionantes, apresentação de fotografias das lesões da criança e momentos de tensão dentro do plenário.
A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado. Além da prisão, Igor também foi condenado ao pagamento de 100 Unidades Fiscais do Estado de São Paulo, valor equivalente a R$ 3.842 em 2026.
O crime aconteceu no dia 13 de fevereiro de 2025, no bairro São Gonçalo, em Taubaté. Yuri foi levado ao Hospital Regional do Vale do Paraíba com diversas lesões espalhadas pelo corpo, mas não resistiu aos ferimentos.
Inicialmente, a morte foi apresentada como consequência de um possível acidente doméstico. Igor estava com a criança no momento em que Yuri sofreu os ferimentos e afirmou que o menino havia caído no banheiro.
A versão passou a ser questionada após os profissionais do hospital identificarem sinais de violência no corpo da criança e acionarem a Polícia Civil. O caso, registrado inicialmente como morte suspeita, passou a ser investigado pela Delegacia Especializada de Investigações Criminais.
Durante a apuração, os investigadores encontraram divergências nas declarações apresentadas pelo padrasto. Laudos médicos apontaram que Yuri morreu em decorrência de um traumatismo craniano grave e de outras lesões.
Os exames também identificaram sinais compatíveis com tortura. Segundo a investigação, parte dos ferimentos não teria sido provocada apenas no dia da morte, mas ao longo de semanas ou até meses.
Roupas da criança com manchas de sangue foram apreendidas pela Polícia Civil e passaram a integrar o conjunto de provas do processo. A versão de acidente doméstico foi descartada pelos investigadores diante dos resultados dos exames, dos depoimentos e das demais evidências reunidas.
Igor Ortiz foi preso no dia 31 de maio de 2025, mais de três meses após a morte do menino. Ele foi localizado em Pindamonhangaba durante uma abordagem policial e tinha contra si um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça.
O julgamento começou na manhã desta quarta-feira no Fórum de Taubaté. Cinco testemunhas foram ouvidas pelos sete integrantes do Conselho de Sentença, entre elas um amigo do réu, o médico que recebeu Yuri no hospital, um investigador da Deic, a mãe da criança e uma tia de Igor que também atuava como babá do menino.
O médico afirmou aos jurados que Yuri chegou ao hospital em parada cardiorrespiratória. A equipe realizou manobras de reanimação durante mais de uma hora, mas não conseguiu reverter o quadro.
Segundo o profissional, o ferimento na cabeça era compatível com um impacto de grande intensidade e não poderia ser explicado por uma simples queda ou por outro acidente doméstico. Ele também relatou a existência de diferentes lesões no corpo da criança, algumas com características de terem sido produzidas anteriormente.
Um amigo de Igor contou que esteve na residência no dia da morte. Segundo ele, o menino parecia estar dormindo quando chegou ao imóvel. Pouco depois, o acusado teria dito que daria banho em Yuri e, na sequência, saiu pedindo ajuda, afirmando que a criança havia caído no banheiro.
A testemunha declarou que, ao retornar à casa depois de chamar uma familiar, viu Yuri desacordado, com sangue saindo pelo nariz e várias marcas roxas pelo corpo.
O investigador responsável pela apuração afirmou que a polícia encontrou contradições nas versões de Igor. Para os investigadores, o acusado teria chamado o amigo para a residência na tentativa de criar um álibi quando a criança já estaria gravemente ferida.
O momento de maior tensão aconteceu durante o depoimento da mãe de Yuri. Quando a promotora apresentou aos jurados fotografias das lesões sofridas pelo menino, a mulher começou a chorar, chamou Igor de “monstro” e avançou contra ele.
A mãe chegou a desferir um chute antes de ser contida por agentes da Polícia Penal e integrantes da segurança do Fórum. A sessão foi suspensa por aproximadamente dez minutos para que a ordem fosse restabelecida.
Depois da interrupção, a mãe concluiu o depoimento. Mais tarde, durante a fala de uma tia do réu, ela voltou a se manifestar e foi retirada do plenário por determinação do juiz para evitar novas interrupções.
A tia de Igor afirmou durante o julgamento que nunca havia presenciado agressões contra Yuri. A promotoria, entretanto, destacou que, durante o inquérito policial, ela teria dito que o menino demonstrava medo do padrasto e costumava chorar quando o via.
Após os depoimentos e o interrogatório do réu, Ministério Público e defesa apresentaram seus argumentos aos jurados. Encerrados os debates, o Conselho de Sentença respondeu aos quesitos apresentados pelo juiz e reconheceu a responsabilidade de Igor Ortiz pelos crimes julgados.
Com a decisão, o padrasto recebeu a pena de 28 anos, 9 meses e 16 dias de prisão, com início do cumprimento em regime fechado. A sentença encerrou o julgamento realizado mais de um ano após a morte do menino Yuri.

Foto: Marcelo Caltabiano

