Quarta-feira, Julho 22, 2026
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REBELIÃO COM MORTES EM POTIM: JUSTIÇA TORNA RÉUS NOVE PRESOS ACUSADOS DE HOMICÍDIOS, MOTIM E CÁRCERE PRIVADO


A Justiça aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo e tornou réus nove presos acusados de envolvimento na violenta rebelião registrada na Penitenciária I de Potim. O motim, ocorrido entre os dias 20 e 21 de junho de 2026, terminou com dois detentos mortos, outros quatro feridos e 14 mulheres e uma criança impedidas de deixar a unidade durante aproximadamente 18 horas.

Com o recebimento da denúncia, os acusados passarão a responder a uma ação penal. O Ministério Público atribui ao grupo crimes como motim de presos, cárcere privado, homicídios e tentativas de homicídio. A decisão permite o prosseguimento do processo, mas ainda não representa condenação, já que a responsabilidade individual de cada réu será analisada pela Justiça durante a instrução criminal.

Segundo a investigação, a confusão começou no sábado, dia 20 de junho, durante o período destinado às visitas. Duas mulheres foram impedidas de entrar na penitenciária depois que o escâner corporal utilizado na revista apresentou imagens consideradas suspeitas.

Diante das alterações registradas pelo equipamento, a administração da unidade determinou que as visitantes não entrassem e solicitou a realização de exames complementares. As informações divulgadas sobre a ocorrência não apontaram que drogas ou outros objetos proibidos tenham sido efetivamente localizados com as duas mulheres naquele momento.

Conforme a acusação, presos que seriam companheiros das visitantes passaram a contestar a decisão da direção do presídio. O desentendimento teria ocorrido no Pavilhão 5 e, pouco depois, recebeu a adesão de outros internos, transformando a insatisfação inicial em um motim de grandes proporções.

A investigação aponta que os envolvidos começaram a ameaçar servidores e outros detentos, bloquearam áreas internas e improvisaram barricadas. A movimentação impediu uma intervenção imediata das forças de segurança e dificultou a retirada das pessoas que ainda permaneciam na unidade por causa da visita.

Quatorze mulheres e uma criança ficaram sem condições seguras de sair da penitenciária. De acordo com a denúncia do Ministério Público, elas teriam sido utilizadas pelos amotinados como uma espécie de escudo humano para impedir ou dificultar a entrada das equipes policiais.

As informações reunidas no boletim de ocorrência indicam que as visitantes estavam em uma área separada e não mantinham contato físico direto com os presos envolvidos na rebelião. Mesmo assim, as ameaças, os bloqueios e as condições existentes no interior do presídio impediram que elas deixassem o local por vontade própria.

Nenhuma das visitantes sofreu ferimentos físicos, mas a impossibilidade de sair da unidade passou a integrar a acusação de cárcere privado. A situação somente foi encerrada depois de horas de negociações conduzidas pela Polícia Penal, pela Polícia Militar e pelo Grupo de Ações Táticas Especiais.

Enquanto as tratativas avançavam, a rebelião também foi marcada por ataques contra outros detentos. Conforme os elementos reunidos na investigação, alguns presos foram rendidos, amarrados e levados para áreas próximas às grades de contenção.

Os agressores teriam utilizado barras de metal, pedaços de chapa, fragmentos de espelho, objetos de plástico rígido e outros materiais transformados em armas artesanais. Os sobreviventes relataram socos, chutes, cortes, pauladas e golpes provocados por objetos pontiagudos.

Dois presos morreram durante os ataques. As vítimas foram identificadas como Gustavo Santos Lima Lourenço, de 25 anos, e Carlos Matheus Alves da Silva, de 41 anos. As mortes teriam ocorrido entre as 15h e as 16h do sábado, durante um dos momentos mais violentos da rebelião.

A investigação também apura relatos de agressões contra os corpos das vítimas, incluindo mutilações, arrasto pelo pátio e uma tentativa de atear fogo em um deles. A sequência exata dos atos e as causas das mortes deverão ser esclarecidas pelos laudos necroscópicos e pelas demais análises periciais.

Outros quatro detentos sobreviveram aos ataques e apresentavam ferimentos em diferentes partes do corpo. Eles receberam os primeiros atendimentos na enfermaria da própria penitenciária e, posteriormente, tiveram o quadro de saúde informado como estável.

Segundo o Ministério Público, alguns dos nove réus teriam exercido funções de liderança durante o motim, coordenando ameaças, ataques, bloqueios e a movimentação dos demais participantes dentro do pavilhão. Outros são acusados de participar diretamente das agressões ou de auxiliar no controle das áreas ocupadas.

A acusação sustenta que houve uma atuação coletiva, com divisão de tarefas entre os envolvidos. O processo deverá analisar quem teria liderado a rebelião, quem participou diretamente das mortes e tentativas de homicídio, quem controlou os acessos e quem teria ajudado na montagem das barricadas.

Durante os interrogatórios, parte dos investigados permaneceu em silêncio. Outros negaram participação nos homicídios ou afirmaram que tentaram evitar que a violência se agravasse. Essas versões serão confrontadas com depoimentos, imagens do sistema de monitoramento, laudos periciais e demais provas reunidas no inquérito.

A Polícia Civil determinou a preservação das gravações das câmeras internas da Penitenciária I de Potim. As imagens poderão ajudar a identificar os presos que conduziram as vítimas, portavam armas improvisadas, comandavam os ataques ou controlavam a circulação nos espaços ocupados.

Também integram o conjunto de provas os depoimentos dos policiais penais, os relatos dos quatro sobreviventes, fotografias produzidas durante a perícia, exames de corpo de delito, laudos necroscópicos e os objetos recolhidos depois do encerramento do motim.

A situação foi controlada por volta das 6h de domingo, dia 21 de junho, depois de aproximadamente 18 horas de tensão. Com a rendição dos envolvidos, as visitantes conseguiram deixar a unidade e as forças de segurança retomaram o controle completo da penitenciária.

Após o fim da rebelião, equipes do Grupo de Intervenção Rápida realizaram uma revista geral nos pavilhões. Armas artesanais e outros materiais foram apreendidos, enquanto os presos apontados como participantes do motim foram transferidos para diferentes unidades do sistema penitenciário.

A Secretaria da Administração Penitenciária também instaurou um procedimento interno para apurar as circunstâncias do episódio, as falhas de segurança e as medidas necessárias para evitar novas ocorrências semelhantes.

Dados divulgados na época indicavam que a Penitenciária I de Potim funcionava acima da capacidade. A unidade tinha espaço destinado a 748 presos, mas abrigava aproximadamente 1.302. No setor de regime semiaberto, eram 129 detentos para 96 vagas.

A superlotação integra o contexto em que a rebelião ocorreu, mas não elimina a possível responsabilidade criminal dos acusados pelos atos praticados. O processo seguirá com a apresentação das defesas, o depoimento de testemunhas, a análise das perícias e outras etapas previstas na legislação.

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