Quarta-feira, Julho 22, 2026
Plantão Policial

QUATRO IRMÃOS RELATAM FOME, ABANDONO E VIOLÊNCIA NA ZONA RURAL DE CUNHA; CASO É APURADO COMO TORTURA


A Polícia Civil investiga relatos de agressões físicas, privação de alimentos e abandono envolvendo quatro irmãos, com idades de 4, 5, 8 e 10 anos, que viviam com a mãe e o padrasto em uma propriedade localizada na zona rural de Cunha. O caso foi registrado na terça-feira, dia 21 de julho de 2026, e passou a ser apurado inicialmente como suspeita de tortura.

As denúncias vieram à tona depois que o pai recebeu os filhos para um período de convivência familiar. As crianças foram levadas até ele no dia 17 de julho e, durante os cuidados realizados na residência paterna, a companheira do homem percebeu hematomas, escoriações e outras marcas espalhadas pelo corpo dos menores.

Além das lesões visíveis, o comportamento dos irmãos também chamou a atenção. Eles permaneciam assustados, retraídos e isolados dentro da casa, demonstrando receio durante o contato com os adultos.

Depois de serem acolhidas e ouvidas com cuidado, as crianças começaram a relatar situações de violência que teriam acontecido na residência onde moravam com a mãe e o padrasto. Os depoimentos descrevem agressões com diferentes objetos, castigos físicos, falta de alimentação e períodos em que permaneciam sozinhas durante a noite.

A menina de 4 anos contou que teria levado golpes próximos aos olhos e pancadas na cabeça atribuídas à mãe. Ela também afirmou que o padrasto teria atingido sua testa com uma cadeira.

Segundo o relato registrado na ocorrência, após algumas das agressões, a criança teria sido levada a unidades de saúde. Nessas ocasiões, os responsáveis apresentariam explicações diferentes para justificar os ferimentos. A Polícia Civil deverá consultar prontuários médicos e ouvir profissionais que tenham atendido a menina.

O irmão de 5 anos relatou que teria sido agredido com fio de trator e vara de espinhos. A criança também mencionou chineladas e socos na cabeça, além de episódios de sofrimento físico e psicológico durante a noite.

O menino de 8 anos afirmou que recebia castigos frequentes com uma vara de espinhos. Segundo o depoimento, o padrasto também teria utilizado um objeto contundente para atingir os braços e os ombros da criança.

Ainda de acordo com o relato do menino, a mãe teria presenciado parte das agressões e, em algumas situações, incentivado a continuidade dos atos. A declaração será confrontada com os demais depoimentos e elementos reunidos durante o inquérito.

A criança de 10 anos descreveu golpes com vara de espinhos no rosto, pauladas nas pernas e nas costelas e chutes na região genital. O menino também afirmou que era obrigado a dormir diretamente no chão, sem colchão, inclusive em noites de temperaturas baixas.

Os quatro irmãos relataram ainda que permaneciam por longos períodos sem alimentação adequada. Segundo as declarações, em algumas ocasiões, a única refeição do dia era servida somente depois das 15h.

As crianças também afirmaram que a mãe e o padrasto saíam durante a noite para frequentar bares e outros estabelecimentos. Enquanto os adultos estavam fora, os irmãos permaneceriam sozinhos na residência, sem supervisão e em situação de vulnerabilidade.

Após tomar conhecimento dos relatos, o pai levou os filhos à Santa Casa de Misericórdia de Guaratinguetá. Durante o atendimento, um pediatra constatou cicatrizes, escoriações e lesões corto-contusas distribuídas pelo tronco, braços e pernas.

A quantidade de marcas levou o médico a solicitar uma conversa reservada com os investigadores. Conforme registrado no boletim de ocorrência, o profissional classificou o quadro como grave e demonstrou preocupação com as condições físicas das crianças.

Os quatro irmãos também foram levados ao Instituto Médico Legal, onde passaram por exames destinados a identificar a extensão, a natureza e a possível antiguidade das lesões. Os resultados ainda não haviam sido anexados ao procedimento policial até a última atualização.

A Polícia Civil deverá analisar os laudos do IML, prontuários médicos, fotografias dos ferimentos, relatos das crianças e depoimentos de familiares, profissionais de saúde e possíveis testemunhas. Diligências também poderão ser realizadas na residência onde os fatos teriam acontecido.

A ocorrência foi registrada inicialmente como tortura, com referência à legislação que trata da submissão de pessoas a sofrimento físico ou psicológico. O enquadramento policial, entretanto, não representa condenação, e as responsabilidades ainda dependerão da conclusão do inquérito e da análise da Justiça.

Não houve prisão em flagrante. Até a última atualização, também não haviam sido divulgadas informações sobre mandados judiciais, depoimentos da mãe e do padrasto ou decisão definitiva relacionada à guarda dos quatro irmãos.

Os nomes das crianças, dos familiares e o endereço exato da residência foram preservados para impedir a identificação dos menores e evitar uma nova exposição durante a investigação.

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