Sexta-feira, Julho 17, 2026
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CORPO ENCONTRADO EM MATA PODE SER DE BERENICE E INVESTIGAÇÃO CHEGA AO PONTO MAIS DRAMÁTICO DO CASO


A investigação sobre o desaparecimento da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, chegou nesta sexta-feira, 17 de julho, ao momento mais delicado desde o início das buscas. A Polícia Civil de São Paulo encontrou um corpo feminino em uma área de mata na localidade de Serra d’Água, às margens da Estrada de Lídice, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. A principal linha de trabalho dos investigadores é de que a vítima possa ser Berenice, desaparecida desde 30 de junho, após ser vista pela última vez no bairro Ubatumirim, em Ubatuba.

A confirmação oficial da identidade ainda depende de exames periciais. Segundo o delegado André Luiz Matera Costilhas, a suspeita se baseia no fato de que o local onde o corpo foi encontrado fica dentro da área delimitada pela investigação a partir do trajeto percorrido pela caminhonete de Eliane Alves dos Santos, de 46 anos, ex-patroa de Berenice, presa temporariamente e investigada como principal suspeita no caso.

O corpo foi localizado em um trecho de difícil acesso, em uma área íngreme de mata. De acordo com as informações divulgadas, a vítima estava presa a uma árvore, o que dificultou a aproximação das equipes. Por causa das condições do terreno, o Corpo de Bombeiros foi acionado para realizar a retirada com técnicas de rapel. Somente após a remoção será possível iniciar os procedimentos oficiais de perícia, identificação e apuração da causa da morte.

O achado ocorre após dias de buscas entre Ubatuba, Paraty, Cunha e Angra dos Reis, em uma investigação marcada por contradições, perícias, análise de câmeras e rastreamento do trajeto da caminhonete da investigada. Em um primeiro momento, Eliane teria afirmado que deixou Berenice em Ubatuba, alegando que a cozinheira seguiria para um novo trabalho na Praia das Toninhas. Depois, também declarou que a funcionária teria desembarcado no trevo de Ubatumirim e seguido sozinha.

A versão, no entanto, passou a ser questionada pelos investigadores após imagens de câmeras de segurança e registros de radares indicarem que a caminhonete da empresária seguiu pela Estrada do Pasto Grande em direção a Paraty, no Rio de Janeiro, contrariando o relato apresentado à polícia. Esse trajeto passou a ser considerado peça importante na apuração e ajudou a delimitar a área de buscas.

Mais cedo, a investigação também ganhou novo peso com a confirmação de vestígios de sangue na caminhonete de Eliane. Segundo a apuração, cães farejadores indicaram pontos de interesse no veículo, e a Polícia Científica utilizou luminol para verificar a presença de sangue. O teste apontou vestígios, com maior concentração no banco do carona. Os laudos ainda não foram finalizados, e o material deverá passar por exames para verificar se pertence à cozinheira desaparecida.

O luminol é um reagente químico utilizado em investigações criminais para detectar vestígios de sangue que não são visíveis a olho nu. Quando aplicado em uma superfície com presença de sangue, o produto emite um brilho azul fluorescente, permitindo que peritos identifiquem possíveis marcas mesmo após tentativa de limpeza.

Durante o cumprimento de mandados na casa da investigada, a polícia também apreendeu três armas registradas, dois celulares e veículos. A caminhonete de Eliane teria apresentado marcas de reparos compatíveis com danos provocados por disparos de arma de fogo, outro ponto que passou a ser analisado dentro do inquérito.

A investigação também apura o comportamento da suspeita após o desaparecimento. Um dos aparelhos celulares de Eliane foi localizado em um terreno baldio ao lado da casa dela. Segundo informações da apuração, o celular teria sido descartado no momento da prisão e estava resetado, com os dados apagados. A perícia tenta recuperar informações que possam ajudar a esclarecer contatos, deslocamentos e possíveis tentativas de ocultação de provas.

Outro elemento que ganhou repercussão foi um áudio em que José Carlos de Faria, filho de Berenice, cobra explicações de Eliane sobre o desaparecimento da mãe. Na gravação, ele questiona o que teria acontecido no dia em que a cozinheira deixou o restaurante onde trabalhava. A empresária respondeu que Berenice teria comentado sobre um serviço na Praia das Toninhas e afirmou que havia feito um acordo trabalhista, pagando R$ 2,6 mil à funcionária antes de deixá-la em um ponto de ônibus.

A família, porém, passou a desconfiar da versão porque Berenice ficou sem dar notícias. O filho relatou estranheza pelo fato de a mãe não ter feito contato, mesmo que tivesse perdido o celular ou enfrentado algum problema. A cozinheira desapareceu após sair do restaurante onde trabalhava, em Ubatumirim, e não foi mais localizada.

A Polícia Civil investiga o caso como possível homicídio. Eliane Alves dos Santos permanece à disposição da Justiça, enquanto os investigadores tentam esclarecer a sequência dos fatos, desde o momento em que Berenice deixou o trabalho até o possível trajeto percorrido pela caminhonete rumo ao Rio de Janeiro.

Com a localização do corpo em Angra dos Reis, a investigação entra em uma etapa decisiva. A perícia deverá confirmar se o cadáver é de Berenice, apontar a causa da morte e verificar se há elementos compatíveis com as demais provas reunidas até agora. A resposta oficial é aguardada pela família, que vive dias de angústia desde o desaparecimento da cozinheira.

Enquanto a identificação não é confirmada, a Polícia Civil mantém cautela. O corpo encontrado pode ser a peça que faltava para esclarecer o caso, mas a confirmação dependerá dos exames técnicos. Até lá, a investigação segue em andamento para reconstruir os últimos passos de Berenice, confrontar as versões apresentadas e apontar responsabilidades.

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