VÍDEO DA CAMINHONETE AUMENTA MISTÉRIO SOBRE BERENICE E CONTRADIZ VERSÃO DE PATROA PRESA
O desaparecimento da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar ganhou um novo e importante elemento nas investigações em Ubatuba. Imagens de câmeras de segurança analisadas pela Polícia Civil mostram a caminhonete preta da empresária Eliane Alves dos Santos, patroa da vítima, passando pela Estrada do Pasto Grande, que liga o sertão de Ubatumirim à Rodovia Rio-Santos. Para os investigadores, o trajeto registrado pelas câmeras reforça contradições no depoimento da suspeita, que está presa temporariamente e é investigada por possível envolvimento no desaparecimento da funcionária.
Berenice desapareceu no dia 30 de junho, depois de pegar uma carona com Eliane. A cozinheira trabalhava havia cerca de quatro meses no restaurante da empresária, em Ubatumirim, e, segundo a família, pretendia voltar para Igaratá. Ela estava em negociação para encerrar o vínculo de trabalho e receber os valores referentes à rescisão. Desde então, não foi mais vista.
Segundo a Polícia Civil, a patroa apresentou versões que não coincidiam sobre o que teria acontecido após encontrar Berenice. Em um primeiro momento, Eliane teria afirmado que deu carona à funcionária de Ubatumirim até o bairro Toninhas. Depois, mudou o relato e disse que deixou Berenice no trevo de Ubatumirim, de onde ela seguiria sozinha. A empresária também declarou que, após a carona, teria retornado para casa.
No entanto, as imagens de câmeras de monitoramento e registros de radares apontam outra direção. De acordo com a investigação, o carro de Eliane não voltou para a residência após a carona. A caminhonete foi registrada na Estrada do Pasto Grande e também teria sido flagrada em Paraty, no litoral sul do Rio de Janeiro. Esse deslocamento passou a ser considerado uma peça central para a polícia tentar reconstruir os passos da suspeita e entender o que aconteceu com Berenice.
Com base nos registros, os investigadores delimitaram uma área de aproximadamente 93 quilômetros para a apuração, entre o bairro Ubatumirim, em Ubatuba, e a região de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O trecho considera o possível deslocamento da caminhonete após o último contato conhecido com a cozinheira. A partir desse mapa, a polícia busca imagens, testemunhas, vestígios e qualquer elemento que ajude a esclarecer o desaparecimento.
O caso ficou ainda mais grave durante o cumprimento dos mandados de busca e prisão temporária. O veículo usado por Eliane foi encontrado com marcas de reparos consideradas compatíveis com danos provocados por disparos de arma de fogo, segundo a investigação. A informação será analisada tecnicamente pela perícia e pode ajudar a polícia a entender se o automóvel teve alguma relação direta com o crime investigado.
Outro ponto que chamou atenção dos policiais foi a conduta da empresária no momento da chegada das equipes. Segundo a Polícia Civil, ao perceber a ação, Eliane teria jogado um telefone celular em uma área de mata. O aparelho foi recolhido e deverá passar por perícia. Para os investigadores, o celular pode conter informações importantes sobre conversas, deslocamentos, contatos e possíveis tentativas de apagar rastros.
Na casa da suspeita, os policiais apreenderam três armas de fogo registradas e dois celulares. A Polícia Civil também recolheu outros materiais que podem ajudar a investigação. Eliane está presa temporariamente desde a última sexta-feira, enquanto a polícia avança nas diligências para tentar localizar Berenice e esclarecer se houve homicídio.
A família da cozinheira acompanha o caso com angústia. Berenice saiu com a patroa e desapareceu. Desde então, os parentes buscam respostas sobre o paradeiro dela e cobram que todas as contradições sejam investigadas. A hipótese de homicídio passou a ser apurada pela Polícia Civil, mas o corpo de Berenice ainda não foi localizado.
As imagens da caminhonete se tornaram um ponto decisivo porque colocam em dúvida a versão de que Eliane teria apenas deixado a funcionária no trevo e voltado para casa. Para a polícia, cada registro de câmera, cada radar e cada contradição no depoimento ajudam a montar a linha do tempo de uma história que começou com uma carona e se transformou em investigação criminal.
O desaparecimento de Berenice mobiliza Ubatuba, Igaratá e cidades do Litoral Norte. A cozinheira, que planejava deixar o trabalho e retornar para perto da família, sumiu justamente após tratar de sua saída. Agora, a investigação tenta responder às principais perguntas: onde Berenice foi deixada, por que o carro da patroa seguiu outro caminho, o que aconteceu no trajeto e qual foi o último destino da cozinheira.
Enquanto a Polícia Civil analisa as imagens e os materiais apreendidos, a prisão temporária da patroa mantém o caso em andamento. A caminhonete registrada fora do caminho declarado, o celular jogado na mata, os reparos no veículo e as versões contraditórias formam um conjunto de indícios que a polícia agora tenta transformar em respostas concretas.


