Segunda-feira, Julho 13, 2026
Capa

“CAIU SEM EXPLICAÇÃO”: MOTOCICLISTA NEGA CRIME E VERSÃO SOBRE MORTE DE JOICE BATISTON REVOLTA FAMÍLIA


A morte de Joice Batiston, encontrada gravemente ferida às margens da Avenida Perimetral, em Varginha, ganhou um novo capítulo com a divulgação do depoimento prestado por Richard Ferreira Tristão, de 30 anos, motociclista investigado pela corrida por aplicativo feita pela jovem no dia 19 de junho. Preso temporariamente desde o dia 25 de junho, ele negou ter cometido crime e apresentou à Polícia Civil a versão de que Joice teria caído da moto “sem explicação” durante o trajeto.

A versão do suspeito foi recebida com cautela e tristeza pela família da jovem, que afirma não acreditar na hipótese de acidente. Para os familiares, ainda há pontos sem resposta e contradições que precisam ser esclarecidas pelas perícias e pelas diligências da Polícia Civil. A defesa da família cobra rapidez nas investigações para entender o que de fato aconteceu com Joice naquela noite.

Segundo o depoimento, Richard afirmou que buscou Joice no bairro Figueira para uma corrida até a zona rural de Varginha, onde ela encontraria uma amiga para assistir a um jogo da Seleção Brasileira pela Copa do Mundo. Ele disse que não conhecia a passageira, que não conversou com ela durante o trajeto e que apenas seguia o caminho indicado pelo aplicativo.

Ainda conforme a versão apresentada à polícia, quando passavam pela Avenida Perimetral, Joice teria caído da motocicleta sem motivo aparente. Richard afirmou que trafegava em velocidade normal e que a corrida foi encerrada no aplicativo logo quando a passageira caiu. Segundo ele, ao perceber a queda, encontrou Joice desacordada no local.

O investigado declarou que retirou o capacete usado pela jovem, mas afirmou que o equipamento já estaria fora da cabeça dela. Em seguida, disse que deixou o local sem acionar socorro e foi até a casa do pai em busca de ajuda. Segundo o depoimento, ele teria gasto cerca de dez minutos entre a ida e a volta, mas, quando retornou à Avenida Perimetral, Joice já não estaria mais no local.

Outro ponto que chama atenção é que, nesse deslocamento, Richard afirmou ter passado duas vezes em frente ao batalhão da Polícia Militar, no bairro Sion. Mesmo assim, segundo a versão dele, não procurou os policiais naquele momento para relatar a queda ou pedir ajuda para a passageira.

O motociclista também afirmou à Polícia Civil que pegou o capacete de Joice e jogou o objeto no mato enquanto seguia para casa, na região da Fazenda da Barra. Ele disse que não sabe indicar exatamente onde descartou o item. A informação é considerada relevante porque o capacete poderia ajudar a esclarecer a dinâmica da queda, as condições de segurança da passageira e possíveis marcas relacionadas ao ocorrido.

Durante as investigações, a Polícia Civil encontrou fragmentos de um celular destruído e queimado dentro de uma sacola com cimento fresco. Richard afirmou que o aparelho era dele e que teria quebrado o telefone após uma briga com o pai, relacionada ao uso de um chip da empresa dele. No depoimento, ele negou ter recebido orientação para destruir o celular. O material foi apreendido e encaminhado para perícia.

Uma camisa da Seleção Brasileira usada por Richard no dia também foi apreendida. A motocicleta utilizada na corrida foi recolhida pela Polícia Civil e apresentava avarias. Questionado, o investigado afirmou que os danos no veículo seriam antigos, incluindo um amassado no tanque que, segundo ele, já existia havia cerca de dois anos. Ele negou ter caído com a moto no dia em que Joice foi encontrada ferida.

Richard disse ainda que só soube da morte de Joice na manhã de domingo, 21 de junho, por meio da imprensa. Após retornar para casa, afirmou que entrou em contato com um advogado e recebeu orientação para permanecer no imóvel. Durante audiência de custódia, informou que faz uso de medicamentos controlados.

A família de Joice, no entanto, segue sem aceitar a explicação de que tudo teria sido apenas uma queda durante a corrida. A advogada dos familiares afirmou que a versão apresentada pelo motociclista ainda não foi confirmada pela Polícia Civil e depende da conclusão das perícias. Segundo ela, a família recebeu o depoimento com extrema tristeza e aguarda que os pontos pendentes sejam esclarecidos.

Joice havia solicitado a corrida de moto por aplicativo para encontrar uma amiga e assistir ao jogo do Brasil, mas nunca chegou ao destino. Ela foi encontrada ferida na Avenida Perimetral e morreu em decorrência dos ferimentos. Segundo a Polícia Civil, o laudo de necropsia apontou traumatismo craniano provocado por ferimentos compatíveis com uma possível queda.

Mesmo com essa possibilidade apontada no laudo, a investigação ainda não foi encerrada. A Polícia Civil apura se houve homicídio, omissão de socorro, fuga do local do acidente e outros crimes que possam ser identificados no decorrer das diligências. O caso ganhou grande repercussão em Varginha e levou familiares e amigos de Joice às ruas em uma passeata por justiça, cobrando respostas e maior segurança na Avenida Perimetral.

Agora, a investigação se concentra em elementos fundamentais: a perícia na motocicleta, a análise dos fragmentos do celular, a busca por vestígios no capacete descartado, os depoimentos, as imagens de câmeras e a reconstrução do trajeto feito naquela noite. Para a família, cada detalhe pode ser decisivo para responder à pergunta que permanece sem resposta: o que realmente aconteceu com Joice Batiston depois que ela subiu naquela moto?

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

error: Content is protected !!