SUBMETRALHADORAS NO RADAR: EXECUÇÃO EM UBATUBA ACENDE ALERTA SOBRE ARMAS DE ALTO PODER DE FOGO NA REGIÃO
A execução de dois jovens dentro de uma adega em Ubatuba reacendeu um alerta entre as forças de segurança sobre a possível circulação de submetralhadoras no Vale do Paraíba e no Litoral Norte. O crime aconteceu na noite de sábado (4), no bairro Ipiranguinha, e teve como vítimas Leonardo da Silva Rodrigues, de 24 anos, e Carlos Eduardo Praxedes, de 19. Os dois morreram no local, antes de serem socorridos.
A suspeita surgiu após análise preliminar das imagens do ataque e da quantidade de estojos recolhidos durante a perícia. No local do duplo homicídio, foram encontrados 30 estojos de munição calibre .380, número que chamou atenção pela sequência de disparos efetuados em curto intervalo de tempo. A hipótese investigada é de que o atirador possa ter usado uma submetralhadora compacta ou outro armamento com alta capacidade de disparos sucessivos.
Apesar dos indícios, a confirmação ainda depende da apreensão da arma e da perícia da Polícia Científica. Somente os exames técnicos poderão indicar com precisão qual tipo de armamento foi utilizado, se os estojos partiram de uma mesma arma, a dinâmica dos disparos e se o crime foi praticado com uma submetralhadora ou com outro equipamento de características semelhantes.
O duplo homicídio ocorreu dentro da Adega BR, localizada às margens da Rodovia Oswaldo Cruz, no Ipiranguinha. A Polícia Civil investiga a autoria e a motivação do crime. A quantidade de disparos, o modo de execução e a fuga dos autores colocaram o caso entre as ocorrências mais graves registradas recentemente em Ubatuba.
A possibilidade de uso de uma submetralhadora preocupa porque esse tipo de armamento tem alto poder ofensivo e permite disparos rápidos, com grande potencial de letalidade. Mesmo quando fabricadas de forma artesanal, essas armas podem causar grande dano em ataques planejados, especialmente em crimes de execução, disputas criminosas e ações ligadas ao tráfico de drogas.
A suspeita em Ubatuba aparece em um momento em que submetralhadoras têm sido localizadas com maior frequência em ocorrências policiais na região. No mesmo sábado (4), a Polícia Militar apreendeu uma submetralhadora artesanal calibre .380 durante uma operação contra o tráfico de drogas no bairro Esplanada Santa Terezinha, em Taubaté. Na ação, um homem foi preso e um adolescente foi apreendido.
Além da arma, os policiais encontraram seis munições intactas, drogas, dinheiro, celulares, rádios comunicadores e anotações que, segundo a polícia, estariam relacionadas à contabilidade do tráfico. A ocorrência foi apresentada no Plantão Policial de Taubaté, onde os envolvidos foram autuados por tráfico de drogas e posse ilegal de arma de fogo.
Poucos dias antes, no domingo (28), outra submetralhadora havia sido apreendida em Taubaté. Dessa vez, a ocorrência foi no bairro Estiva, durante patrulhamento do BAEP. Um homem foi abordado na Rua dos Passos e acabou preso após ser flagrado com uma submetralhadora calibre 9 mm. A arma foi apreendida e apresentada à Polícia Civil.
Os registros não se limitam a Taubaté. Em maio de 2025, em Pindamonhangaba, um homem foi preso durante uma ação do 3º BAEP no bairro Cidade Nova. Na ocasião, os policiais apreenderam uma submetralhadora calibre 9 mm, 30 munições, quase quatro quilos de drogas, um celular e três balanças. A ocorrência reforçou a associação desse tipo de armamento com pontos de tráfico e armazenamento de entorpecentes.
Outro caso citado em levantamentos regionais ocorreu em Cruzeiro, em 2025, quando um homem de 29 anos foi preso após confessar envolvimento na morte de um adolescente de 16 anos. Segundo informações divulgadas na época, ele teria sido localizado com uma submetralhadora artesanal calibre 9 mm. O episódio também entrou para a lista de ocorrências que passaram a preocupar as autoridades pela presença de armas de maior poder de fogo em crimes no interior.
As submetralhadoras são armas projetadas para disparar munições de pistola com maior cadência. Modelos artesanais costumam ser encontrados em calibres como .380 e 9 mm. Para as forças de segurança, a presença desse tipo de arma em ocorrências de tráfico, execuções e confrontos amplia o risco tanto para a população quanto para os próprios agentes policiais.
No caso de Ubatuba, a Polícia Civil deve analisar as imagens, os estojos recolhidos, a posição das vítimas, a trajetória dos disparos e eventuais informações de testemunhas. A perícia será fundamental para confirmar se o armamento utilizado no ataque era realmente uma submetralhadora compacta ou outro tipo de arma capaz de disparar em sequência.
A execução dos dois jovens dentro da adega ampliou o debate sobre o avanço de armas de alto poder de fogo em crimes na região. Embora a confirmação técnica ainda dependa dos laudos, a sequência de apreensões em cidades como Taubaté, Pindamonhangaba e Cruzeiro reforça a preocupação das autoridades com a circulação desse tipo de armamento no Vale do Paraíba e Litoral Norte.
A investigação sobre o duplo homicídio segue em andamento. Até a confirmação pericial, a suspeita sobre o uso de submetralhadora permanece como uma linha de apuração, baseada nos indícios levantados no local e na análise preliminar das imagens do crime.


