JUSTIÇA POR VICTOR: MORTE DE MOTOBOY ATINGIDO POR CARRO EM SJC LEVA FAMÍLIA, AMIGOS E MOTOCICLISTAS ÀS RUAS
A morte do motociclista Victor Manoel dos Santos Jesus, conhecido como “Chipa Grau”, continua provocando comoção e revolta em São José dos Campos. Familiares, amigos e motoboys realizaram um protesto no fim de semana para pedir justiça pelo jovem de 23 anos, que morreu após ser atingido por um carro na Estrada José Augusto Teixeira, no Jardim Torrão de Ouro.
Victor trabalhava como motoboy e deixou um filho pequeno. Para quem convivia com ele, a dor da perda se mistura à indignação pela liberdade provisória concedida à motorista envolvida no acidente. O caso aconteceu no fim de junho e mobilizou grupos de motociclistas, amigos e familiares, que passaram a cobrar respostas e responsabilização.
Segundo a polícia, a motorista Juliana Santos, de 38 anos, conduzia um Ford Fiesta e transportava um passageiro no momento da colisão. O passageiro relatou às autoridades que a condutora estaria consumindo cerveja enquanto dirigia e teria tentado fazer uma ultrapassagem pela contramão, quando atingiu frontalmente a motocicleta de Victor, uma Honda CG 150 Titan.
Com o impacto, Victor morreu no local. Equipes do Samu foram acionadas, mas apenas constataram o óbito. A Polícia Civil informou que a motorista passou por exame pericial, e o laudo médico apontou que ela estava sob influência de álcool.
Juliana foi presa em flagrante por homicídio culposo na direção de veículo automotor, qualificado pela influência de álcool. Após audiência de custódia, no entanto, foi colocada em liberdade provisória e responderá ao processo com restrições determinadas pela Justiça.
A decisão revoltou familiares e amigos de Victor. Durante o protesto, a mãe do motociclista fez um apelo emocionado e afirmou que não aceitará o caso cair no esquecimento. Ela cobrou justiça pela morte do filho e criticou a sensação de impunidade.
“Hoje eu estou aqui para pedir justiça pelo meu filho. A impunidade no Brasil é muito grande. O meu filho perdeu a vida, deixou um filho muito pequeno. E a impunidade está grande. A moça foi solta na audiência de custódia. E eu não aceito isso”, disse.
A mãe de Victor também afirmou que a família continuará se mobilizando caso não haja providências. Segundo ela, a manifestação foi pacífica, mas representa uma cobrança firme por justiça.
“E eu quero justiça pelo meu filho. Sim, a gente vai parar hoje, é uma manifestação pacífica. E se não tiver nenhuma providência, nada acontecer, a gente vai parar e vai parar de novo, e de novo, e de novo. Porque eu não vou desistir. A impunidade tá muito grande. Queremos justiça”, afirmou.
Esse foi o segundo protesto realizado após a morte de Victor. Na primeira manifestação, em 30 de junho, amigos lembraram que o jovem estava trabalhando, “fazendo o corre”, quando teve a vida interrompida no trânsito. A frase virou símbolo da indignação de muitos motociclistas que enfrentam diariamente os riscos das ruas para sustentar suas famílias.
Nas redes sociais, a morte de Victor também gerou forte comoção. Amigos, familiares e integrantes de grupos de motociclistas publicaram homenagens ao jovem, lembrado como uma pessoa alegre, sorridente e apaixonada por motos. Conhecido como “Chipa Grau”, ele era descrito por amigos como alguém de presença marcante e espírito leve.
Em uma das mensagens, amigos escreveram que Victor era “pureza” e levava felicidade por onde passava. Outros lamentaram a perda precoce e desejaram força à família. “Perdemos mais um guerreiro na pista”, escreveu um dos amigos.
O caso reforça a dor de famílias que perdem motociclistas em acidentes graves e passam a conviver não apenas com o luto, mas também com a espera por justiça. Para os familiares de Victor, a cobrança agora é para que o processo avance, que as circunstâncias sejam devidamente apuradas e que a morte do jovem não seja tratada como mais um número nas estatísticas do trânsito.
A investigação segue sob responsabilidade da Polícia Civil. Enquanto isso, familiares, amigos e motoboys prometem manter viva a memória de Victor e continuar cobrando respostas. Para eles, o jovem que saiu para trabalhar e não voltou para casa deixou uma ausência irreparável e uma luta que agora se transforma em voz nas ruas.


