MAIO SANGRENTO NO TRÂNSITO: RMVALE REGISTRA 46 MORTES E CHEGA A 163 VIDAS PERDIDAS EM 2026
A Região Metropolitana do Vale do Paraíba fechou maio com um alerta grave nas ruas, avenidas e rodovias. Dados do Infosiga apontam que 46 pessoas morreram em acidentes de trânsito no mês, o maior número mensal registrado pela região até agora em 2026. O levantamento mostra uma alta de 24,3% em relação a abril, quando foram contabilizadas 37 mortes, e também crescimento de 24,3% na comparação com maio do ano passado, que teve o mesmo total de 37 óbitos.
No acumulado do ano, entre janeiro e maio, a RMVale soma 163 mortes no trânsito. Apesar do aumento em maio, o total de 2026 ainda representa leve queda de 1,2% em relação aos cinco primeiros meses de 2025, quando a região registrou 165 óbitos. A diferença pequena, no entanto, não reduz a gravidade do cenário, especialmente diante da escalada observada nos últimos dois meses.
Os números mostram uma curva preocupante. Em janeiro, foram 23 mortes no trânsito na região, contra 37 no mesmo mês de 2025, uma queda de 37,8%. Em fevereiro, novamente foram 23 óbitos, ante 29 no ano anterior, redução de 20,7%. Em março, o total chegou a 34 mortes, contra 38 em 2025, queda de 10,5%. A virada veio em abril, com 37 mortes contra 24 no mesmo mês do ano passado, alta de 54,1%. Em maio, o número subiu para 46, superando os 37 registros de maio de 2025.
Além das mortes, a quantidade de acidentes também cresceu. Maio terminou com 1.067 registros de sinistros de trânsito na RMVale, contra 895 em abril, aumento aproximado de 19,2%. Na comparação com maio de 2025, quando foram registrados 1.005 acidentes, a alta foi de 6,2%.
O perfil das vítimas reforça uma realidade já conhecida nas estatísticas de trânsito: os homens seguem sendo maioria absoluta entre os mortos. Das 46 vítimas fatais registradas em maio, 38 eram homens, o equivalente a 83% dos casos. Outras oito vítimas eram mulheres.
Os dados também mostram o peso das rodovias na letalidade regional. Em maio, 25 acidentes fatais aconteceram em rodovias, representando 54,3% das ocorrências. Outros 18 casos foram registrados em vias municipais. Quando analisada a jurisdição das vias, 18 mortes ocorreram em vias municipais, 15 em rodovias estaduais e 10 em rodovias federais.
Entre as vítimas, 30 eram condutores, o que representa 65,2% do total. Também morreram oito pedestres, o equivalente a 17,4%, e dois passageiros, que correspondem a 4,3%. Os números revelam que a maior parte das mortes atinge diretamente quem estava conduzindo veículos, mas também expõem a vulnerabilidade de pedestres nas vias da região.
A RMVale é cortada por importantes corredores rodoviários, como a Rodovia Presidente Dutra, a Carvalho Pinto, a Rio-Santos, a Oswaldo Cruz e diversas ligações estaduais e municipais. A combinação de alto fluxo, deslocamentos diários, veículos pesados, motocicletas, viagens intermunicipais e trechos urbanos aumenta o risco de acidentes graves.
O avanço das mortes em maio acende um alerta para motoristas, motociclistas, pedestres e gestores públicos. Excesso de velocidade, ultrapassagens arriscadas, uso de celular ao volante, consumo de álcool, falta de atenção, imprudência, baixa visibilidade e infraestrutura inadequada estão entre os fatores que podem transformar trajetos comuns em ocorrências fatais.
O trânsito da região exige atenção permanente porque os acidentes não atingem apenas as vítimas diretas. Cada morte deixa famílias em luto, interrompe histórias, afeta comunidades e gera impacto nos serviços de saúde, resgate, segurança pública e perícia. Os números do Infosiga revelam mais do que estatísticas: mostram vidas perdidas em uma rotina que poderia ser mais segura.
Com 163 mortes nos cinco primeiros meses de 2026, a RMVale ainda tem pela frente o desafio de conter a escalada de óbitos e impedir que os próximos meses repitam o crescimento registrado em abril e maio. A redução das mortes depende de fiscalização, educação no trânsito, melhoria da sinalização, manutenção das vias, respeito às normas e responsabilidade de todos que circulam pelas ruas e rodovias.
O dado de maio deixa um recado direto: a violência no trânsito segue matando em ritmo preocupante no Vale do Paraíba. E cada número registrado representa uma vida que não voltou para casa.


