DE PEDIDO DE AJUDA A CASO DE POLÍCIA: IDOSO QUE COMOVEU VOLTA REDONDA É INDICIADO POR USAR NOMES FALSOS
O caso do idoso que comoveu Volta Redonda após aparecer em vídeos nas redes sociais pedindo ajuda ganhou um novo desdobramento. A história, que começou com mobilização popular, doações e apoio de voluntários, passou a envolver também a Polícia Civil e órgãos municipais após a constatação de que o homem, de 72 anos, utilizava diferentes nomes por onde passava.
Conhecido popularmente como “Jacó” e apresentado em algumas situações como Valdir, o idoso ganhou grande repercussão ao relatar nas ruas o desejo de reconstruir a vida e sair da situação de vulnerabilidade. As imagens circularam rapidamente nas redes sociais e motivaram uma onda de solidariedade, com moradores se mobilizando para oferecer alimentos, apoio financeiro e ajuda para o pagamento de aluguel.
Durante o acompanhamento realizado por órgãos públicos, foi constatado que o idoso utilizava identidades diferentes. A apuração apontou que ele também teria se apresentado com outros nomes em diferentes momentos. Em depoimento, ele afirmou que adotava nomes falsos por acreditar que ainda possuía pendências com a Justiça.
As investigações da Polícia Civil identificaram que o homem havia deixado o sistema prisional após uma saída temporária durante o cumprimento de pena por tráfico de drogas. No entanto, a condenação foi considerada prescrita desde 2017, e atualmente não há mandado de prisão em aberto ou restrição judicial contra ele relacionada ao caso.
Apesar de não haver pendências judiciais ativas, o uso de nomes falsos levou ao indiciamento do idoso pelo crime de falsa identidade. Ele responderá ao processo em liberdade. A Polícia Civil também informou que o homem possui antecedentes por crimes de furto e roubo.
O caso expôs uma situação complexa, que mistura vulnerabilidade social, histórico criminal, medo de pendências judiciais e mobilização popular. Ao mesmo tempo em que a história despertou comoção nas redes, a atuação dos órgãos públicos buscou esclarecer a identidade do idoso e verificar se havia alguma restrição legal em aberto.
A Secretaria Municipal de Assistência Social informou que ele já vinha sendo acompanhado pelo Serviço Especializado em Abordagem Social, responsável pelo atendimento à população em situação de rua. Segundo a administração municipal, equipes ofereceram acolhimento e acesso à rede socioassistencial, mas, inicialmente, o idoso recusou as alternativas apresentadas.
Nos últimos dias, novas publicações mostraram o homem vivendo em uma casa alugada no bairro Aterrado e solicitando ajuda financeira para custear despesas e regularizar documentos. A nova repercussão motivou uma atuação mais intensa dos órgãos municipais, em parceria com a Polícia Civil e instituições de assistência social, para apurar a situação e organizar os encaminhamentos necessários.
Moradores e voluntários também participaram da mobilização, contribuindo com alimentos e auxílio para o pagamento do aluguel do imóvel onde o idoso reside atualmente. A solidariedade da população foi um dos pontos que mais chamaram atenção desde que os vídeos começaram a circular.
A administração municipal ressaltou que mantém uma estrutura permanente de atendimento às pessoas em situação de rua, com oferta de alimentação, banho, higiene, acompanhamento psicológico e social, emissão de documentos e encaminhamento para programas de reinserção social e fortalecimento de vínculos familiares.
O caso segue com acompanhamento da rede de proteção social e da Polícia Civil. O idoso permanece em liberdade, enquanto responde pelo indiciamento por falsa identidade e recebe encaminhamentos para regularização documental e atendimento social.


