Quinta-feira, Junho 18, 2026
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CÂNCER DESAPARECE APÓS 48 DIAS DE TERAPIA BRASILEIRA E CASO VIRA SÍMBOLO DE ESPERANÇA CONTRA A DOENÇA


Depois de mais de uma década enfrentando um linfoma não Hodgkin, passando por dezenas de sessões de quimioterapia, transplante de medula óssea e sucessivas tentativas de conter o avanço da doença, o publicitário Paulo Peregrino viu a ciência brasileira transformar uma luta marcada por dor, incerteza e resistência em uma notícia que parecia distante: em apenas 48 dias, exames apontaram a remissão total do câncer após um tratamento experimental com células CAR-T.

O caso de Paulo ganhou repercussão nacional por representar um dos exemplos mais impactantes do avanço das terapias celulares no Brasil. Segundo informações divulgadas pelo Hemocentro de Ribeirão Preto, ele recebeu o tratamento experimental desenvolvido pelo Hemocentro de Ribeirão Preto/CTC-USP, em parceria com a Universidade de São Paulo e o Instituto Butantan. A técnica utiliza as próprias células de defesa do paciente, que são coletadas, modificadas em laboratório e reprogramadas para reconhecer e atacar as células cancerígenas com maior precisão.

Paulo enfrentava um linfoma não Hodgkin, tipo de câncer que atinge o sistema linfático e pode comprometer diferentes regiões do corpo. Antes de chegar à terapia celular, ele já havia sido submetido a tratamentos agressivos, incluindo cerca de 45 sessões de quimioterapia, internações e transplante de medula. Mesmo assim, a doença continuava impondo novos desafios, até que ele foi incluído em um protocolo de tratamento com CAR-T Cell pelo Sistema Único de Saúde.

A resposta veio em um intervalo que surpreendeu médicos, pesquisadores e familiares. Pouco mais de um mês após receber as células modificadas, exames de imagem não apontavam mais sinais detectáveis da doença. A remissão total no caso de Paulo passou a ser tratada como um marco na trajetória da terapia celular desenvolvida no país e reforçou a expectativa de que a tecnologia possa, no futuro, ampliar as possibilidades de tratamento para pacientes com cânceres do sangue que não respondem às terapias convencionais.

A CAR-T Cell é considerada uma das abordagens mais avançadas da medicina contra determinados tipos de câncer hematológico. O procedimento começa com a retirada dos linfócitos T, células de defesa do próprio paciente. Em seguida, essas células passam por modificação genética em laboratório, recebendo uma espécie de “treinamento” para identificar proteínas presentes nas células tumorais. Depois, são reinfundidas no organismo, onde passam a agir de forma direcionada contra o câncer.

O desenvolvimento nacional da terapia é conduzido por pesquisadores ligados ao Hemocentro de Ribeirão Preto, à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, ao Centro de Terapia Celular da USP e ao Instituto Butantan. O projeto busca não apenas comprovar a segurança e a eficácia da técnica, mas também reduzir custos e abrir caminho para que o tratamento possa ser oferecido futuramente de forma gratuita no SUS.

Em 2024, o Instituto Butantan e o Hemocentro de Ribeirão Preto lançaram um estudo clínico de fase 1 envolvendo 81 pacientes com leucemia linfoide aguda de células B e linfoma não Hodgkin de células B, em cinco centros de referência no Estado de São Paulo. A proposta é avaliar o uso da terapia em pacientes com doença refratária ou que apresentaram recaída após tratamentos anteriores.

Apesar do resultado animador, especialistas destacam que a terapia não deve ser tratada como uma cura universal contra o câncer. A CAR-T Cell é indicada para situações específicas, principalmente alguns tipos de câncer do sangue, e ainda depende de avaliação médica rigorosa, estrutura especializada e acompanhamento contínuo. Mesmo assim, o caso de Paulo Peregrino mostra que a pesquisa brasileira tem avançado em uma área de alta complexidade e pode representar uma nova esperança para pacientes que já esgotaram outras alternativas.

A história do publicitário une drama humano, inovação científica e o potencial da saúde pública brasileira. Após anos de luta contra a doença, Paulo se tornou um símbolo do impacto que a pesquisa nacional pode ter na vida de pacientes graves. Sua remissão total não encerra todos os desafios da medicina contra o câncer, mas coloca a ciência brasileira em posição de destaque na busca por tratamentos mais precisos, acessíveis e capazes de mudar destinos.

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