“VAI MORRER”: CRIMINOSOS TERIAM AVISADO EXECUÇÃO DE LEO ANTES DE INVADIR ADEGA EM TAUBATÉ
A execução do empresário Leonardo Ariel de Toledo, de 29 anos, conhecido como Leo, ganhou novos detalhes que reforçam a suspeita de um crime planejado e direcionado. Antes de invadir a Adega MisterBeer, em Taubaté, os criminosos teriam passado por uma barbearia próxima ao local e anunciado que matariam a vítima. Pouco depois, o atirador entrou no estabelecimento, mandou as demais pessoas se afastarem e deixou claro que o alvo era apenas Leonardo.
O crime aconteceu na tarde de sexta-feira, na Rua Alfredo Cândido Vieira, nº 37, no bairro Areão. A adega ainda não havia sido inaugurada oficialmente, e Leonardo estava no local durante os preparativos finais para abrir o negócio no dia seguinte. O que deveria ser a realização de um sonho acabou se transformando em uma cena de violência, medo e morte.
Segundo trechos do boletim de ocorrência divulgados, os suspeitos teriam passado por uma barbearia próxima à Adega MisterBeer antes do ataque. No local, eles teriam mostrado um revólver que carregavam na cintura e afirmado que matariam Leonardo. O proprietário da barbearia informou à polícia que não conhecia os homens e não conseguiu fornecer detalhes que ajudassem na identificação da dupla.
Momentos depois, dois homens chegaram à adega em uma motocicleta. O atirador entrou no estabelecimento usando capacete, máscara e roupas que dificultavam sua identificação. Dentro do imóvel estavam Leonardo, o filho dele, de apenas 5 anos, um sócio e um funcionário.
De acordo com o relato do sócio da vítima, o criminoso deixou claro que Leonardo era o único alvo. Antes de começar os disparos, ele teria dado ordens para que as demais pessoas se afastassem e afirmou que atiraria apenas contra o empresário. A informação reforça a linha de investigação de que o crime foi uma execução direcionada.
Leonardo ainda tentou escapar. Após os primeiros disparos, ele correu pela lateral do imóvel, pulou uma janela e tentou fugir por um corredor externo da adega. O atirador, no entanto, perseguiu a vítima e continuou efetuando disparos. Mesmo alternando a fuga entre áreas internas e externas do estabelecimento, Leo acabou sendo atingido e caiu no corredor.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência foi acionado, mas apenas constatou a morte do empresário no local. A Polícia Militar preservou a área para o trabalho da perícia, e a Polícia Civil passou a investigar o caso como homicídio.
Um dos pontos mais dolorosos do crime é que o filho de Leonardo, uma criança de 5 anos, estava dentro da adega no momento do ataque. Segundo o boletim, o menino acompanhava os preparativos finais para a inauguração do comércio. Nos primeiros instantes da ação criminosa, testemunhas retiraram a criança da área dos disparos para evitar que ela fosse atingida. O garoto não sofreu ferimentos.
A morte de Leonardo causou forte comoção em Taubaté, principalmente pelo contexto em que ocorreu. O empresário estava às vésperas de inaugurar a Adega MisterBeer, um projeto que representava expectativa, trabalho e planos para o futuro. A abertura do negócio, marcada para o dia seguinte, deu lugar ao luto, à revolta e à busca por respostas.
A Polícia Civil investiga a autoria e a motivação da execução. Entre as hipóteses analisadas estão possíveis conflitos ligados a negociações de veículos e uma eventual motivação passional. O boletim também registra que familiares teriam recebido uma ligação afirmando que Leonardo teria morrido por ser “talarico”, informação que passou a integrar as linhas de investigação, mas ainda depende de apuração oficial.
O documento também cita informações preliminares sobre antecedentes criminais da vítima relacionados a tráfico de drogas e associação para o tráfico, sem apontar, até o momento, relação comprovada entre esses registros e o assassinato. A investigação deverá avaliar todos os elementos antes de definir a motivação do crime.
Até a última atualização, ninguém havia sido preso. A polícia busca identificar os dois homens que chegaram de motocicleta, o autor dos disparos e eventual participação de outras pessoas no planejamento da execução.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil. Agora, os novos detalhes sobre o suposto aviso feito antes do crime, a atuação direcionada do atirador e a presença do filho pequeno no local tornam a morte de Leo ainda mais impactante. O que era para ser a véspera da realização de um sonho terminou como uma das cenas mais violentas registradas em Taubaté.


