70 VEZES SOLIDÁRIA: APOSENTADA DE SÃO JOSÉ ENCERRA CICLO DE DOAÇÕES DE SANGUE APÓS AJUDAR A SALVAR VIDAS POR 34 ANOS
O que começou como um gesto de ajuda a uma pessoa próxima se transformou em uma história de solidariedade que atravessou mais de três décadas. A aposentada Suzana Batista, moradora de São José dos Campos, chegou à marca de 70 doações de sangue após 34 anos dedicados a um ato simples, silencioso e capaz de salvar vidas.
Aos 69 anos, Suzana realizou sua última doação em abril. Prestes a completar 70 anos, ela encerra esse ciclo porque atingiu o limite de idade permitido para doar sangue. Neste domingo, dia 14, quando é celebrado o Dia Mundial do Doador de Sangue, sua trajetória ganha ainda mais significado e se transforma em exemplo de amor ao próximo.
A primeira doação aconteceu em 1992, quando Suzana ainda trabalhava em São Paulo. Na época, um de seus chefes precisava passar por uma cirurgia no coração, e os funcionários se mobilizaram para ajudar. Aquela atitude, que poderia ter ficado apenas como um gesto pontual, virou compromisso de vida.
Depois da primeira experiência, Suzana decidiu continuar doando em São José dos Campos. Ao longo dos anos, passou a comparecer regularmente ao banco de sangue, respeitando os intervalos indicados e retornando, sempre que possível, a cada quatro meses. A única pausa aconteceu durante o período em que tentava engravidar.
Com o passar do tempo, a aposentada criou uma relação próxima com a equipe do hemocentro. Em períodos de estoque baixo, quando demorava mais para voltar, ela costumava receber ligações lembrando da importância de sua contribuição. Para quem trabalha na captação de doadores, pessoas como Suzana representam a diferença entre a espera e a esperança para muitos pacientes.
Ao longo desses 34 anos, cada bolsa doada ajudou pessoas que ela nunca conheceu. Pacientes em tratamento, vítimas de acidentes, pessoas submetidas a cirurgias e tantos outros que dependem de transfusão podem ter sido beneficiados por esse gesto repetido 70 vezes. Para Suzana, essa sempre foi a maior recompensa.
A aposentada define a doação como um ato gratificante. Para ela, saber que uma pequena quantidade de sangue retirada pode ajudar várias pessoas é motivo suficiente para incentivar outros moradores a fazerem o mesmo. O gesto, segundo ela, não exige muito do doador, mas pode significar tudo para quem precisa.
Depois de tantos anos, o mais difícil agora é aceitar que chegou a hora de parar. Suzana afirma que gostaria de continuar doando, mas a regra não permite. Mesmo assim, sua história permanece como um convite para que outras pessoas ocupem esse lugar e sigam mantendo os estoques de sangue em níveis seguros.
De acordo com Paulo Pontes, responsável pela captação de doadores do Banco de Sangue de São José dos Campos, a doação é um processo simples, mas exige alguns cuidados. Podem doar pessoas entre 16 e 69 anos, desde que a primeira doação tenha sido feita até os 60 anos. Menores de idade precisam estar acompanhados por um responsável legal ou apresentar autorização assinada.
Também é necessário pesar mais de 50 quilos, apresentar documento oficial com foto, estar em boas condições de saúde e não estar gripado, resfriado ou com algum processo infeccioso. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, não é preciso estar em jejum. Quem doa pela manhã pode tomar café, chá, suco e comer frutas, pães e torradas. Já quem pretende doar à tarde deve evitar alimentos gordurosos no almoço e aguardar pelo menos duas horas antes da doação.
Uma única doação pode beneficiar até três pessoas. Isso acontece porque o sangue coletado passa por um processo de separação de componentes, que podem ser usados em pacientes diferentes, conforme a necessidade de cada caso. Por isso, o gesto de um doador pode se multiplicar em várias possibilidades de tratamento e recuperação.
O Banco de Sangue de São José dos Campos funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 16h, na Rua Antônio Saes, 425, no Centro. Em caso de dúvidas sobre a aptidão para doar, os interessados podem entrar em contato pelo telefone (12) 3519-3766 ou pelo WhatsApp (12) 98360-0011.
A história de Suzana Batista mostra que solidariedade também se constrói com constância. Durante 34 anos, ela transformou a doação de sangue em compromisso, exemplo e gesto de amor. Agora, ao encerrar seu ciclo como doadora, deixa uma mensagem que pode inspirar muitos outros: doar sangue é simples, seguro e pode salvar vidas.


